Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

Seguidores

sábado, 9 de julho de 2011

O Tao, Bodhidharma e Hui-ke













De acordo com a Tradição, Bodhidharma, já na China, foi visitar um famoso mestre do Dharma, que tinha ouvido falar, chamado Sheng-Kuang. Ao chegar no local informado, encontrou o mestre dando explicações dos Sutras para uma audiência. É descrito o seguinte diálogo, após Bodhidharma observar atentamente a situação:


“O que fazes, mestre do Dharma?”, pergunta Bodhidharma sem se apresentar.


“Ora, explico os Sutras”, retruca Shen-kuang.


“Mas por que explicar os Sutras?”, pergunta novamente o Primeiro Patriarca Ch’an (Zen) da China.


“Explico como terminar com o ciclo dos nascimentos e mortes.”retruca incomodado o mestre do Dharma.


“Oh, mas como você pode explicar tal coisa a estas pessoas, cessação do nascimento e da morte, se estes Sutras são letras de tinta preta em um papel branco; como podes fazer tal coisa? Os próprios Sutras não mostram que a busca é sofrimento, que nada buscar é a satisfação? Quando nada é buscado, é que estamos no Caminho; o Do é aceitar sua própria natureza. ”, replica Bodhidharma.


Shen-kuang fica em silencio, ficando muito irritado. Como o Patriarca permanecia olhando fixo para ele, em um acesso de raiva, o mestre do Dharma, começou a berrar de que a atitude do visitante era um desrespeito ao Dharma e ao Buda. Num acesso de raiva maior, chega a golpear Bodhidharma no rosto, quebrando-lhe dois dentes. O Patriarca, mesmo sendo corpulento e mais forte, apenas limpa o sangue do rosto, lança um olhar e dá as costas, continua a caminhar, ignorando o agressor raivoso.


Não há uma concordância, nos textos, de qual a causa para Shen-kuang sair em busca de Bodhidharma, após isto. Só sabemos que após achá-lo, aguardou pacientemente durante semanas, com intenção de receber seu ensinamento. Após ignorar o mestre do Dharma por muito tempo, Bodhidharma virou-se e perguntou-lhe o que queria. Shen-kuang disse que queria abrir os portões do Elixir da Compaixão Universal para salvar todos os seres viventes.


Bodhidharma, sem se virar, apenas diz-lhe que era uma resposta totalmente vazia e destituída de qualquer virtude; que é apenas uma cópia de leituras e memórias, não demonstrava o realmente que vinha de seu cerne.


Conta-se que Shen-kuang sacou uma espada e cortou seu braço esquerdo 
(ou fez um corte profundo neste braço) , em demonstração de que estava pronto para receber o ensinamento, que seria o ato mais autêntico que poderia fazer para demonstrar sua sinceridade em ser discípulo; qualquer outra atitude poderia ser interpretada como advinda de estudo.


Bodhidharma aceita este ato como uma demosntração genuína, e lhe dá o nome de Hui-ke ( ou Hui-k’o que significa Sabedoria e Capacidade); e pergunta ao seu discípulo o que ele quer mais. Encontramos a descrição deste diálogom a eles atribuido:


“Mestre, peço que aquiete minha mente”


“Traga-a para mim agora”, respondeu Bodhidharma.


“Não a encontro em lugar nenhum”, responde Hui-ke após certo tempo.


“Então, já a aquietei.” falou Bodhidharma.


Após  conviverem praticando por um tempo, ambos caminhavam em uma montanha, Hui-ke indaga como poderia “entrar” no Tao. Bodhidharma olha-o fixo e diz:


“Externamente, todas as atividades cessam;


Internamente, a mente cessa de desenhar os pensamentos,


Como se extingue uma respiração ofegante;


Quando sua mente se tornar um muro,


Você pode começar a ingressar no Tao (Do, Caminho)”.


No momento em que Bodhidharma vai voltar à Índia, pergunta aos discípulos, qual o seu entendimento do Tao, pois queria escolher um deles para ficar como Patriarca, em seu lugar.


Dao Fu disse: “Não é ligado por palavras e frases, nem delas separado.”Bodhidharma disse: “Chegaste à minha pele.”


Zong chi, uma monja, disse: “É como vislumbrar o glorioso reino de Akshobhya Buddha, uma vez visto não é necessário vê-lo novamente.” Bodhidharma disse: “Chegaste à minha carne".


Dao Yu, disse: “Os quatro movimentos (elementos) são todos um, o vazio; os cinco skandhas não têm existência real, nem um Dharma pode ser compreendido.” Bodhidharma disse: “Chegaste aos meus ossos".


Huike, simplemente postou-se ante seu mestre, inclinou-se em em Gasshô e sentou-se sem dizer uma palavra. Bodhidharma exclamou:”Chegaste à minha medula!”

Boa Reflexão.

Oss.


Baseado em textos da Tradição Zen
e textos de D. T. Suzuki

2 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,
    Muchas gracias por compartir este interesante post que da mucho que pensar,
    un abrazo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Buenos Días, Carina,
      Si, es verdad, son bellos los textos atribuídos a Bodhidharma sobre la No-mente y la No-Dualidad.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails