Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 24 de julho de 2011

O Ladrão, o Mestre e a Lua













Este conto da Tradição, fala que Mestre Ryokan vivia em uma cabana aos pés de uma montanha, aonde recebia monges e estudiosos para esclarecimentos ou dividir suas vivências. Era uma cabana muito simples, vivia apenas com a roupa do corpo. Sua fama, porém, era enorme, muitos vinham visitá-lo.

Certa vez, um malandro ouviu sobre a fama do Mestre e resolver se passar por um buscador sincero para roubar, pois achava que o famoso mestre eremita recebia dinheiro ou presentes valiosos.

Após muito indagar, o pequeno ladrão achou a cabana do Mestre; aproveitando que este estava fora, entrou crendo que ia roubar facilmente. Para o espanto do larápio, nada tinha dentro da cabana; apenas um local para queimar lenha, uma panela e cuias. O jovem, então pensou: “Este homem é sábio mesmo, deve esconder suas riquezas em outro lugar. Vou esperar aqui para descobrir”.

Quando o Mestre retornou, o jovem ficou encantado com sua aura de santidade e quis partir. Mestre Ryokan, vendo-o como um postulante a Iluminação, falou: “Viestes de tão longa jornada, não posso deixá-lo sair de mãos vazias. Vou falar sobre as Jóias para você, como você pode encontrá-las”.

O farsante ficou confuso e contente, ao mesmo tempo; pensou: “O Ingênuo vai falar sobre as jóias dele”. Ele não desconfiava que o Mestre falava das Jóias do Zen, que poderiam levá-lo a Iluminação.

Mestre Ryokan, começou a falar sobre o olhar para a Lua e que poderia apenas indicar, que a mudança pessoal só poderia acontecer através da vivência do próprio. Quando começou a falar sobre a natureza do ego e do caráter, o farsante começou a sentir-se incomodado e falou de sua real intenção. Contou que se não roubasse, não conseguia paz; achava ser algo maior que ele e talvez o Mestre pudesse modificá-lo. Ryokan disse que não, só o próprio é que pode trilhar o Caminho. Sem entender muita coisa e ouvindo sobre o Caminho, o pobre ladrão achou que era para ir embora, já que o Mestre falou que apenas podia indicar para aonde seguir.

Era noite quando o jovem já ia saindo, Ryokan o chama e oferece para que estejam juntos na busca das Jóias. Como estava frio, ofereceu para ambos dividirem suas roupas, pois as do jovem eram muito finas.
O rapaz, mais confuso ainda, recusa e Ryokan diz para levar as suas roupas, que eram as únicas coisas de valor e para abrigá-lo do frio (na verdade, com a intenção de ver qual a natureza interior que ia brotar do rapaz). A escolha do rapaz foi pegá-las e saiu rindo. 

Nosso Mestre, semi-nu, senta-se do lado de fora da cabana, para olhar a linda lua que se erguia e pensou: “Pobre rapaz, ofereci-lhe esta linda lua porem os vícios de sua mente ainda o impedem de aceitá-la”. O Mestre fazia analagia com a luz do despertar. Aquela noite foi muito fria, chegou a gear; não fosse o fogo, o Mestre teria sofrido muito.

O jovem continuou com sua carreira de furtos, até que foi preso em um vilarejo próximo. Os aldeões reconheceram as roupas do Mestre Ryokan , que estava sumido havia tempo e quiseram matar o rapaz, que berrando, disse que o próprio Ryokan as havia dado. O larápio, falou ainda, que o Mestre o tinha aceito como discípulo e ainda proposto que ele morasse na mesma cabana.

Desconfiados, os aldeões foram até a cabana do Mestre com o larápio, e lá encontraram o monge desnudo, sofrendo com o frio. Revoltados, os aldeões despiram o ladrão e iam castigá-lo; quando, então, já recomposto, Ryokan pediu para falar com o jovem.

“Sabias, que naquela noite, tanto o meu corpo como meu coração sentiram muito frio?”, disse o Mestre.

Conta-se, que ouvindo aquelas palavras, o jovem sentiu, ao mesmo tempo, seu coração repleto de remorso e Compaixão; que caiu aos pés do Mestre pedindo para ser seu discípulo, abandonando a vida de roubos.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em livros de contos Zen.

2 comentários:

  1. Hola Ricardo,
    Que bonita historia, y el maestro tenía razón que mejor regalo que poder observar la luna llena, muchas gracias
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Carina,
      Si, es verdad, apuntar para la Luna es un gran simbolismo del Zen.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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