Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Fábula do Samurai Complexado





















Esta é uma fábula da Tradição japonesa; que conta que após muitas vidas como samurai, este voltou novamente na mesma condição. Em suas vidas anteriores, desenvolveu grandes habilidades com a katana e do Koryu, nascendo com estas lembranças, tornando-se rapidamente um exímio e respeitado samurai.

Porem ele era muito destemido, essa sua virtude lhe encobriu os olhos e ficou vaidoso, se achando o melhor samurai de todos.
Muito orgulhoso e sanguinário, desafiava somente os melhores espadachins do arquipélago, pois queria ter seu nome imortalizado.

Acontece que, chegando numa vila de pescadores, ouviu falar de um grande mestre Zen, antigo samurai,que diziam ser o mais sábio já visto e a quem ele jamais iria vencer num desafio. O nosso samurai não hesitou e foi conhecer o tal mestre, e, quem sabe, poder desafiá-lo.


Ao se deparar com o mestre, seus olhares se encontraram, e nosso samurai sentiu uma mudança em seu interior, que tirou-lhe toda a confiança. Este mestre de meia-idade, postura elegante, serena e altiva, como jamais havia visto antes em toda a sua vida. Sua presença possuía tal brilho e magnetismo, que transmutava tudo a sua volta, quem se aproximava prontamente era invadido por um amor ou temor profundos. Os movimentos do mestre eram perfeitos, rápidos, precisos e suaves; sua atenção impecável. Vendo o encanto daquele momento, neste momento, o jovem samurai, teve a revelação de que tudo tinha feito e acreditava era fruto de uma ilusão. Ele reconhecia no mestre que este tinha sido um grande e invencível guerreiro, porem não conseguia entender neste olhar a presença de uma paz profunda.

Atirando-se no chão, prostrado aos pés do mestre, bradou com arrogância e súplica, ao mesmo tempo:
“Por que estou me sinto inferior ao senhor?
Vim aqui com o intuito de desafiá-lo, mas assim que o vi, senti um vazio imenso. Estive em inúmeras batalhas, encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei tal temor. Respondei-me”.

O mestre, calmamente, disse-lhe para esperar o atendimento de todos que tinham chegado desde cedo, que o tempo dele chegaria.
As horas passavam lentamente para nosso samurai, que ali pateticamente sentado, não conseguia lidar com aquela angustia e temor.

Era noite, quando todos já tinham ido embora e o mestre se aproximou, ternamente segurou o braço do samurai, levando-o para fora. Era uma linda noite de lua cheia que surgia no horizonte. Apontando para frente, o mestre perguntou se via as duas arvores a frente deles:
“Olhe para aquelas duas árvores, o carvalho alto e a árvore pequena e enrugada ao seu lado
. Ambas estiveram juntas lado a lado durante séculos, e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: Por que me sinto inferior diante de você? Há uma árvore pequena e aquela outra é grande - este é o fato - e nunca ouvi sussurro algum sobre isso”.

O samurai então argumentou:
“É porque elas não podem se comparar; árvores não pensam”.

E o mestre replicou:
“E esse é o seu problema, pensar sobre e se comparar o tempo todo com os outros. Você já sabia a resposta o tempo todo, apenas não a enxergava: não devemos nos comparar com nada! 


As coisas da vida ilusória te ofuscavam, na sua busca frenética de sucesso, não existia tempo e espaço para isto: parar e apenas observar. Sua mente repleta de falsas verdades, não dava chance para enxergar. Aqui esperando o dia todo, e focando na sensação de vazio, apenas observando, deixou a sua mente vazia, porque não tinha referencias em sua mente. 

Somente com a mente vazia que pôde enxergar as duas arvores, ao luar, embora tenha passado o dia todo diante delas, sem vê-las, só focado no seu vazio. Bem,quando não se compara, inferioridade e superioridade desaparecem. 

Você é o que é. Simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore, não importa. Você é você mesmo, no seu caso, um samurai. Saiba que você é Deus, o mesmo que habita em todos. O canto de um pássaro é tão importante quanto a maior das estrelas. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário, perfeito e se encaixa. 

Na Grande Consciência Universal, ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior, isto é Ilusão. Cada ser, cada objeto é incomparavelmente único. Você É, faz parte e isso basta. Para a Grande Consciência, tamanho, cargo, cor, religião não faz a mínima diferença - tudo É, apenas É”.

Após isto, o Samurai encontrou a iluminação (Consciência), sendo que os duelos perderam todo significado; a partir daquela noite passou a ser discípulo do Mestre que tinha pacificado o seu coração.


Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em textos Zen.

2 comentários:

  1. Buenas tardes Ricardo,
    Hermosa historia,muchas gracias por compartirla, me recuerda que la luna tampoco se queja de que el sol brilla más, cada uno tiene su lugar en el todo y todos somos uno
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Amiga Carina,
      Si, es verdad lo que dices.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

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