Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Mestre Daoxin: Significado e Importância do Zazen










































Segundo a Tradição, Mestre Daoxin (ou Dooshin), que viveu de 580 a 651, começou seus estudos aos sete anos de idade e, sete anos mais tarde, encontra o Mestre Sengcan. 

Conta-se que o jovem Daoxin alcança a Iluminação, neste encontro, através do seguinte diálogo:

Daoxin: “Imploro sua Compaixão e ensina-me como obter a Libertação”.

Sengcan: “Há algo ou alguém que te prenda”?

Daoxin: “Não”.

Sengcan: “Então, por que buscas a Libertação”?

Após isto, o Terceiro Patriarca subi a montanha e Daoxin continuou seus estudos nas Escolas Tientai e Sunlun, com forte influência na sua prática.

Mestre Daoxin se torna, posteriormente, o Quarto Patriarca do Ch’na na China, baseando sua doutrina na recitação do nome do Buda, na meditação, no Sutra do Coração e no Sutra da Terra Pura.

Com o tempo, começou a propor que o mais importante era a meditação, este seria o fundamento essencial e com a prática constante, não seria necessária a palestra e discussão filosófica dos Sutras.

O que conhecemos como a prática do Zazen, tornou-se o mais importante. Daoxin sempre evidenciava a prática diligente e sincera da meditação.

Lembremos que Za significa sentar-se e Zen transmite o sentido de meditação, estado meditativo, estar ligado a Fonte. Simplesmente, podemos dizer que Zazen é apenas meditação sentada; porém está mais além do que isto.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos sobre Zen, Zazen e Daoxin.

domingo, 24 de julho de 2011

O Ladrão, o Mestre e a Lua













Este conto da Tradição, fala que Mestre Ryokan vivia em uma cabana aos pés de uma montanha, aonde recebia monges e estudiosos para esclarecimentos ou dividir suas vivências. Era uma cabana muito simples, vivia apenas com a roupa do corpo. Sua fama, porém, era enorme, muitos vinham visitá-lo.

Certa vez, um malandro ouviu sobre a fama do Mestre e resolver se passar por um buscador sincero para roubar, pois achava que o famoso mestre eremita recebia dinheiro ou presentes valiosos.

Após muito indagar, o pequeno ladrão achou a cabana do Mestre; aproveitando que este estava fora, entrou crendo que ia roubar facilmente. Para o espanto do larápio, nada tinha dentro da cabana; apenas um local para queimar lenha, uma panela e cuias. O jovem, então pensou: “Este homem é sábio mesmo, deve esconder suas riquezas em outro lugar. Vou esperar aqui para descobrir”.

Quando o Mestre retornou, o jovem ficou encantado com sua aura de santidade e quis partir. Mestre Ryokan, vendo-o como um postulante a Iluminação, falou: “Viestes de tão longa jornada, não posso deixá-lo sair de mãos vazias. Vou falar sobre as Jóias para você, como você pode encontrá-las”.

O farsante ficou confuso e contente, ao mesmo tempo; pensou: “O Ingênuo vai falar sobre as jóias dele”. Ele não desconfiava que o Mestre falava das Jóias do Zen, que poderiam levá-lo a Iluminação.

Mestre Ryokan, começou a falar sobre o olhar para a Lua e que poderia apenas indicar, que a mudança pessoal só poderia acontecer através da vivência do próprio. Quando começou a falar sobre a natureza do ego e do caráter, o farsante começou a sentir-se incomodado e falou de sua real intenção. Contou que se não roubasse, não conseguia paz; achava ser algo maior que ele e talvez o Mestre pudesse modificá-lo. Ryokan disse que não, só o próprio é que pode trilhar o Caminho. Sem entender muita coisa e ouvindo sobre o Caminho, o pobre ladrão achou que era para ir embora, já que o Mestre falou que apenas podia indicar para aonde seguir.

Era noite quando o jovem já ia saindo, Ryokan o chama e oferece para que estejam juntos na busca das Jóias. Como estava frio, ofereceu para ambos dividirem suas roupas, pois as do jovem eram muito finas.
O rapaz, mais confuso ainda, recusa e Ryokan diz para levar as suas roupas, que eram as únicas coisas de valor e para abrigá-lo do frio (na verdade, com a intenção de ver qual a natureza interior que ia brotar do rapaz). A escolha do rapaz foi pegá-las e saiu rindo. 

Nosso Mestre, semi-nu, senta-se do lado de fora da cabana, para olhar a linda lua que se erguia e pensou: “Pobre rapaz, ofereci-lhe esta linda lua porem os vícios de sua mente ainda o impedem de aceitá-la”. O Mestre fazia analagia com a luz do despertar. Aquela noite foi muito fria, chegou a gear; não fosse o fogo, o Mestre teria sofrido muito.

O jovem continuou com sua carreira de furtos, até que foi preso em um vilarejo próximo. Os aldeões reconheceram as roupas do Mestre Ryokan , que estava sumido havia tempo e quiseram matar o rapaz, que berrando, disse que o próprio Ryokan as havia dado. O larápio, falou ainda, que o Mestre o tinha aceito como discípulo e ainda proposto que ele morasse na mesma cabana.

Desconfiados, os aldeões foram até a cabana do Mestre com o larápio, e lá encontraram o monge desnudo, sofrendo com o frio. Revoltados, os aldeões despiram o ladrão e iam castigá-lo; quando, então, já recomposto, Ryokan pediu para falar com o jovem.

“Sabias, que naquela noite, tanto o meu corpo como meu coração sentiram muito frio?”, disse o Mestre.

Conta-se, que ouvindo aquelas palavras, o jovem sentiu, ao mesmo tempo, seu coração repleto de remorso e Compaixão; que caiu aos pés do Mestre pedindo para ser seu discípulo, abandonando a vida de roubos.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em livros de contos Zen.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Fábula do Samurai Complexado





















Esta é uma fábula da Tradição japonesa; que conta que após muitas vidas como samurai, este voltou novamente na mesma condição. Em suas vidas anteriores, desenvolveu grandes habilidades com a katana e do Koryu, nascendo com estas lembranças, tornando-se rapidamente um exímio e respeitado samurai.

Porem ele era muito destemido, essa sua virtude lhe encobriu os olhos e ficou vaidoso, se achando o melhor samurai de todos.
Muito orgulhoso e sanguinário, desafiava somente os melhores espadachins do arquipélago, pois queria ter seu nome imortalizado.

Acontece que, chegando numa vila de pescadores, ouviu falar de um grande mestre Zen, antigo samurai,que diziam ser o mais sábio já visto e a quem ele jamais iria vencer num desafio. O nosso samurai não hesitou e foi conhecer o tal mestre, e, quem sabe, poder desafiá-lo.


Ao se deparar com o mestre, seus olhares se encontraram, e nosso samurai sentiu uma mudança em seu interior, que tirou-lhe toda a confiança. Este mestre de meia-idade, postura elegante, serena e altiva, como jamais havia visto antes em toda a sua vida. Sua presença possuía tal brilho e magnetismo, que transmutava tudo a sua volta, quem se aproximava prontamente era invadido por um amor ou temor profundos. Os movimentos do mestre eram perfeitos, rápidos, precisos e suaves; sua atenção impecável. Vendo o encanto daquele momento, neste momento, o jovem samurai, teve a revelação de que tudo tinha feito e acreditava era fruto de uma ilusão. Ele reconhecia no mestre que este tinha sido um grande e invencível guerreiro, porem não conseguia entender neste olhar a presença de uma paz profunda.

Atirando-se no chão, prostrado aos pés do mestre, bradou com arrogância e súplica, ao mesmo tempo:
“Por que estou me sinto inferior ao senhor?
Vim aqui com o intuito de desafiá-lo, mas assim que o vi, senti um vazio imenso. Estive em inúmeras batalhas, encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei tal temor. Respondei-me”.

O mestre, calmamente, disse-lhe para esperar o atendimento de todos que tinham chegado desde cedo, que o tempo dele chegaria.
As horas passavam lentamente para nosso samurai, que ali pateticamente sentado, não conseguia lidar com aquela angustia e temor.

Era noite, quando todos já tinham ido embora e o mestre se aproximou, ternamente segurou o braço do samurai, levando-o para fora. Era uma linda noite de lua cheia que surgia no horizonte. Apontando para frente, o mestre perguntou se via as duas arvores a frente deles:
“Olhe para aquelas duas árvores, o carvalho alto e a árvore pequena e enrugada ao seu lado
. Ambas estiveram juntas lado a lado durante séculos, e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: Por que me sinto inferior diante de você? Há uma árvore pequena e aquela outra é grande - este é o fato - e nunca ouvi sussurro algum sobre isso”.

O samurai então argumentou:
“É porque elas não podem se comparar; árvores não pensam”.

E o mestre replicou:
“E esse é o seu problema, pensar sobre e se comparar o tempo todo com os outros. Você já sabia a resposta o tempo todo, apenas não a enxergava: não devemos nos comparar com nada! 


As coisas da vida ilusória te ofuscavam, na sua busca frenética de sucesso, não existia tempo e espaço para isto: parar e apenas observar. Sua mente repleta de falsas verdades, não dava chance para enxergar. Aqui esperando o dia todo, e focando na sensação de vazio, apenas observando, deixou a sua mente vazia, porque não tinha referencias em sua mente. 

Somente com a mente vazia que pôde enxergar as duas arvores, ao luar, embora tenha passado o dia todo diante delas, sem vê-las, só focado no seu vazio. Bem,quando não se compara, inferioridade e superioridade desaparecem. 

Você é o que é. Simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore, não importa. Você é você mesmo, no seu caso, um samurai. Saiba que você é Deus, o mesmo que habita em todos. O canto de um pássaro é tão importante quanto a maior das estrelas. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário, perfeito e se encaixa. 

Na Grande Consciência Universal, ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior, isto é Ilusão. Cada ser, cada objeto é incomparavelmente único. Você É, faz parte e isso basta. Para a Grande Consciência, tamanho, cargo, cor, religião não faz a mínima diferença - tudo É, apenas É”.

Após isto, o Samurai encontrou a iluminação (Consciência), sendo que os duelos perderam todo significado; a partir daquela noite passou a ser discípulo do Mestre que tinha pacificado o seu coração.


Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em textos Zen.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Sutra do Coração

PRAJNAPARAMITA HRIDAYAM SUTRA é um conhecido sutra da corrente Mahayana, muito estudado pelo Zen e determinadas Escolas de Artes Marciais. Alguns estudiosos acham que é proveniente da India, porem existe uma corrente que acha que é original da China e posteriormente foi escrito em sânscrito. Existem versões em Siddham, muito antigas. 

Neste sutra, Avalokitesvara, ou Boddhisattva da Compaixão, descreve como é a vacuidade para Sariputra, sendo a metáfora mais conhecida “A Forma é o Vazio, o Vazio é a Forma” ou “A Forma não é diferente do Vazio, o Vazio não é diferente da Forma”.


Boddhisattva significa “Ser da Iluminação”, ou seja, alguém que está prestes a alcançar o estado de Buda (estado de Iluminação). Boddhisattva tem a capacidade de gerar a “Mente da Iluminação”, que possui dois atributos: Grande Sabedoria (que transcende a existencia ciclica e percebe a verdadeira Natureaza da Realidade, que é a Vacuidade) e Grande Compaixão (transcende o estado de liberação e tende a ajudar todos os outros seres a atingir a iluminação).

Também é explicado que o transcendente só pode ser encontrado em sua manifestação no imanente, não adianta procurar em nenhum outro lugar.

Este sutra geralmente é encerrado com um mantra, que é para aumentar o nível de consciência de quem o recita. Existem escolas que recitam este mantra no inicio e no final. Aqui será colocado uma das versões, em português, deste sutra.

Mantra: Gate Gate Paragate Parasamgate Boddhi Svaha

ÓH BODDHISATTVA DA COMPAIXÃO, EM SUA SABEDORIA PROFUNDA,
VIU CLARAMENTE QUE OS CINCO MONTES SÃO VAZIOS E SUPEROU TODO SOFRIMENTO E ANGÚSTIA,

Ó SHARIPUTRA, FORMA NÃO DIFERE DO VAZIO; VAZIO NÃO DIFERE DA FORMA. FORMA É VAZIO, VAZIO É FORMA. SENTIMENTO, PENSAMENTO, VONTADE E CONSCIÊNCIA TAMBÉM SÃO ASSIM,

Ó SHARIPUTRA, TODAS AS COISAS SÃO VAZIAS; NÃO HÁ NASCIME-TO, NEM MORTE, NEM MÁCULA, NEM PUREZA, NEM AUMENTO, NEM DIMINUIÇÃO.

 LOGO: NO VAZIO NÃO HÁ FORMA, NEM SEMTIMENTO, NEM VONTADE, NEM CONSCIÊNCIA; NEM OLHOS, NEM OUVIDOS, NEM NARIZ, NEM LÍNGUA, NEM CORPO, NEM MENTE; NEM CÔR, NEM SONS, NEM CHEIRO, NEM GOSTO, NEM TATO, NEM INTELECTO; NADA EXISTE ENTRE OS REINOS DA VISÃO E DA CONSCIÊNCIA; NÃO HÁ IGNORÂNCIA, NEM EXTINÇÃO DA IGNORÂNCIA; NÃO HÁ VELHICE NEM MORTE, NEM EXTINÇÃO DA VELHICE NEM DA MORTE: NÃO HÁ SOFRIMENTO, NEM ORIGEM, NEM CESSAR E NEM CAMINHO; NÃO HÁ SABEDORIA E NEM REALIZAÇÃO DE OBJETIVOS. 

SEM NADA A SER ALCANÇADO, OS BODDHISATTVAS RECORREM À GRANDE SABEDORIA COM A MENTE LIVRE DE OBSTÁCULOS. LIVRES DOS OBSTÁCULOS, NÃO HÁ MEDO. MUITO ALÉM DE UMA VISÃO ILUSÓRIA, ELES ALCANÇARAM O NIRVANA, TODOS OS BUDAS DOS TRÊS MUNDOS RECORREM À GRANDE SABEDORIA E ASSIM OBTÊM A ILUMINAÇÃO SUPREMA.

 PORTANTO, SAIBA QUE A GRANDE SABEDORIA AQUI É O MANTRA MAIS DIVINO, O MANTRA MAIS BRILHANTE, O MANTRA MAIS ELEVADO, O MANTRA INCOMPARÁVEL QUE ABRANDA TODO SOFRIMENTO. ESTA É A VERDADE, NÃO A FALSIDADE, ASSIM, PROCLAMA O GRANDE MANTRA DA SABEDORIA, PROCLAMA O MANTRA ASSIM: DEPOIS DE IR, IR, IR ALÉM, TOTALMENTE ALÉM, DESPERTANDO NESTE EXATO MOMENTO.

Na última linha está o significado do mantra Gate Gate Paragate Parasamgate Boddhi Svaha (alguns recitam novamente tres vezes).

Boa Prática e Reflexão.

Oss.

Baseado em textos Zen.

sábado, 9 de julho de 2011

O Tao, Bodhidharma e Hui-ke













De acordo com a Tradição, Bodhidharma, já na China, foi visitar um famoso mestre do Dharma, que tinha ouvido falar, chamado Sheng-Kuang. Ao chegar no local informado, encontrou o mestre dando explicações dos Sutras para uma audiência. É descrito o seguinte diálogo, após Bodhidharma observar atentamente a situação:


“O que fazes, mestre do Dharma?”, pergunta Bodhidharma sem se apresentar.


“Ora, explico os Sutras”, retruca Shen-kuang.


“Mas por que explicar os Sutras?”, pergunta novamente o Primeiro Patriarca Ch’an (Zen) da China.


“Explico como terminar com o ciclo dos nascimentos e mortes.”retruca incomodado o mestre do Dharma.


“Oh, mas como você pode explicar tal coisa a estas pessoas, cessação do nascimento e da morte, se estes Sutras são letras de tinta preta em um papel branco; como podes fazer tal coisa? Os próprios Sutras não mostram que a busca é sofrimento, que nada buscar é a satisfação? Quando nada é buscado, é que estamos no Caminho; o Do é aceitar sua própria natureza. ”, replica Bodhidharma.


Shen-kuang fica em silencio, ficando muito irritado. Como o Patriarca permanecia olhando fixo para ele, em um acesso de raiva, o mestre do Dharma, começou a berrar de que a atitude do visitante era um desrespeito ao Dharma e ao Buda. Num acesso de raiva maior, chega a golpear Bodhidharma no rosto, quebrando-lhe dois dentes. O Patriarca, mesmo sendo corpulento e mais forte, apenas limpa o sangue do rosto, lança um olhar e dá as costas, continua a caminhar, ignorando o agressor raivoso.


Não há uma concordância, nos textos, de qual a causa para Shen-kuang sair em busca de Bodhidharma, após isto. Só sabemos que após achá-lo, aguardou pacientemente durante semanas, com intenção de receber seu ensinamento. Após ignorar o mestre do Dharma por muito tempo, Bodhidharma virou-se e perguntou-lhe o que queria. Shen-kuang disse que queria abrir os portões do Elixir da Compaixão Universal para salvar todos os seres viventes.


Bodhidharma, sem se virar, apenas diz-lhe que era uma resposta totalmente vazia e destituída de qualquer virtude; que é apenas uma cópia de leituras e memórias, não demonstrava o realmente que vinha de seu cerne.


Conta-se que Shen-kuang sacou uma espada e cortou seu braço esquerdo 
(ou fez um corte profundo neste braço) , em demonstração de que estava pronto para receber o ensinamento, que seria o ato mais autêntico que poderia fazer para demonstrar sua sinceridade em ser discípulo; qualquer outra atitude poderia ser interpretada como advinda de estudo.


Bodhidharma aceita este ato como uma demosntração genuína, e lhe dá o nome de Hui-ke ( ou Hui-k’o que significa Sabedoria e Capacidade); e pergunta ao seu discípulo o que ele quer mais. Encontramos a descrição deste diálogom a eles atribuido:


“Mestre, peço que aquiete minha mente”


“Traga-a para mim agora”, respondeu Bodhidharma.


“Não a encontro em lugar nenhum”, responde Hui-ke após certo tempo.


“Então, já a aquietei.” falou Bodhidharma.


Após  conviverem praticando por um tempo, ambos caminhavam em uma montanha, Hui-ke indaga como poderia “entrar” no Tao. Bodhidharma olha-o fixo e diz:


“Externamente, todas as atividades cessam;


Internamente, a mente cessa de desenhar os pensamentos,


Como se extingue uma respiração ofegante;


Quando sua mente se tornar um muro,


Você pode começar a ingressar no Tao (Do, Caminho)”.


No momento em que Bodhidharma vai voltar à Índia, pergunta aos discípulos, qual o seu entendimento do Tao, pois queria escolher um deles para ficar como Patriarca, em seu lugar.


Dao Fu disse: “Não é ligado por palavras e frases, nem delas separado.”Bodhidharma disse: “Chegaste à minha pele.”


Zong chi, uma monja, disse: “É como vislumbrar o glorioso reino de Akshobhya Buddha, uma vez visto não é necessário vê-lo novamente.” Bodhidharma disse: “Chegaste à minha carne".


Dao Yu, disse: “Os quatro movimentos (elementos) são todos um, o vazio; os cinco skandhas não têm existência real, nem um Dharma pode ser compreendido.” Bodhidharma disse: “Chegaste aos meus ossos".


Huike, simplemente postou-se ante seu mestre, inclinou-se em em Gasshô e sentou-se sem dizer uma palavra. Bodhidharma exclamou:”Chegaste à minha medula!”

Boa Reflexão.

Oss.


Baseado em textos da Tradição Zen
e textos de D. T. Suzuki

domingo, 3 de julho de 2011

A Mente e A Consciência Búdica.


Encontramos um texto muito interessante, quando o Monge Ta-Mei pergunta ao Mestre Matsuo Basho que é o Buda; Matsuo responde: 

“A mente presente é o Buda”. 

Após isto, Ta-Mei torna-se desperto e retorna ao seu mosteiro; anos mais tarde, Matsuo Zenji o põe a prova. Uma mensagem é enviada ao Monge, dizendo que tudo tinha mudado, que a própria mente que é Buda; não seria nem mente nem Buda. 

Ao ouvir o mensageiro dizer tais palavras, Ta-Mei riu e mandou a seguinte resposta ao seu antigo Mestre: " Isto é apenas para confundir, pois a própria mente presente é Buda". Mais tarde,  Mestre Basho sorriu ao saber da resposta.

Bodhidharma afirmava, nos textos a ele atribuídos: 


“Quem pergunta e quem responde é a mente. Sem a mente, como poderia você perguntar e eu responder? A mente é o Buda; além da mente você nunca encontrará outro Buda. A iluminação ou nirvana nunca estão além da mente A realidade de sua natureza própria, a ausência de causa e efeito, é o que se chama de mente. A mente é o próprio nirvana, e que o corpo real é a mente. 

A mente nunca tem energia ou forma, se possuí ou se perde, vive ou morre, aparece ou desaparece, aumenta ou diminuí, pura ou impura, boa ou má, passada ou futura, falsa ou verdadeira, masculina ou feminina; ninguém deixa sua própria mente. Ela está além da atuação do carma e suas manifestações não têm fim. Esta é nossa natureza, a mente; sem início nem fim. E esta natureza é o mesmo que a mente de todos os Budas; Eles só transmitem essa mente. 

Além dessa mente não existe nada, ilusão não perceber que a mente é Buda; conheça a mente, apenas isto. Nossa natureza é a mente, essa mente é Buda; Buda é o Caminho. O Caminho é Zen, ser e perceber sua natureza é Zen. O Caminho já é perfeito, nada precisa ser aperfeiçoado. Ao perceber que tudo vem da mente: há Consciência e não apego; se existe apego, não há Consciência.”

Mestre Matsuo Basho sempre foi fiel ao ensinamento que lhe foi transmitido de Mestre Enô: de que não há Buda fora da própria mente.

Osho nos explica que esta mente é a própria mente comum; que pode ser vista como repleta (emoções, sentimentos, pensamentos, hábitos) e, ao mesmo tempo, vista como vazia: 


“E no momento em que a mente está vazia, não há diferença entre mente e não-mente. (....) A mente presente contém tudo, mesmo o Buda. Mas a condição é que a mente deve estar vazia. Então ela mesma é o Buda.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre o Zen, sobre Bodhidharma e Matsuo Basho (Matzu ou Ma-Tzu); e o livro "O Espelho Vazio" de Osho.

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