Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Conto Zen: O Velho Mestre Samurai


























Diz a Tradição, que um grande mestre da Espada, vivia perto de Tóquio, e mesmo idoso, se dedicava a ensinar o Zen aos mais jovens.
Todos contavam que ele tinha sido um grande guerreiro de famoso Clã Samurai, e que, apesar de sua idade, era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um duelista, conhecido por ambicionar a fama e o sucesso, apareceu por ali; se gabando de suas proezas pela vila. O jovem estranhou que as pessoas, ao contrário de outros vilarejos, não se impressionavam com as demonstrações que fazia nas ruas, com o seu acompanhante. Curioso, após indagar, descobriu que a maioria das pessoas da vila já tinha visto a pericia do grande mestre Samurai; todos já conheciam as técnicas e truques do forasteiro.


Como se sentia frustrado por ser tratado como igual, o rapaz começou a engendrar um plano para desacreditar tal Samurai, já que sabia que ele era velho e vivia uma vida modesta. Por muitas vezes utilizou a técnica da provocação e desmoralização, esperando que seu adversário fizesse o primeiro movimento de qualquer maneira, para contra-atacar com velocidade fulminante. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.

Indo com seu assecla até o Dojo do velho Mestre, começou a berrar e a dizer insultos, para interromper a aula. Os jovens alunos ficaram horrorizados, enquanto o Mestre continuava a escrever. Após meia hora, o velho senhor se virou, ainda em seiza, e perguntou ao jovem baderneiro o que ele queria.
O duelista falou que só sairia dali se o Mestre demonstra-se que era digno do título que portava, que ele o desafiava a um duelo, se ele tivesse coragem para isso. Respirando fundo, e com um olhar vazio, o velho guerreiro aceitou e se postou em kamae, mirando a ponta de sua velha katana. Tinha instantes que tinha o olhar de metsuke.

O duelista, ao ver aquele olhar, achou que o Mestre estava muito doente e já pensava como seria fácil vencer. O jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras, cuspiu em direção a katana, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais. E o mestre mantinha a mesma postura tranqüila, porem sempre mantendo o kamae perfeito, não importava a direção e a distancia que o adversário tomava; ele sempre mantinha a postura de guarda perfeita.

Durante horas, o jovem fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu com uma guarda perfeita; não havia abertura para um ataque do rapaz, nem do auxiliar do duelista.

No final do dia, já exaustos e humilhados, os dois jovens foram embora, deixando o Mestre com um olhar de compaixão. E os alunos, que ficaram observando todo o tempo, surpresos, perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.

Ele respondeu:

“Primeiro, eu fiquei apenas na ação de observação, ser observação; eu não me sentia nem um pouco aquilo que o rapaz falava. Ao mesmo tempo, comecei a sentir pena do que ele falava pois tudo o que ele falava para mim é como ele se sente no seu interior e tenta esconder. Ele se sente pequeno e fraco, por isso tanto ódio em suas palavras, tentando diminuir os outros; ele se sente pequeno.

A cada palavra do rapaz, me lembrava de como fui amado pelos meus familiares e antepassados, como tive sorte de ter excelentes mestres, como puder ter alunos dedicados, o quanto a Existência me abençoou. Então, esvaziei a mente e com foco, mantinha o kamae, só isto; ele mesmo é que se derrotou pois não conseguiu envenenar o outro com o veneno que carrega dentro de si, por isso meu sentimento de compaixão por ele. Este rapaz vive uma grande ilusão.”

“Por que aceitou o duelo? “perguntou um dos discípulos.

“Para demonstrar a vocês que a inveja, a raiva e os insultos são qualidades de pessoas que vivem presas na sua própria mente, cativos de suas próprias ilusões. A paz interior depende exclusivamente de você.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de contos Zen.

4 comentários:

  1. Hola Ricardo,
    Muchas gracias por esta historia instructiva, es verdad los insultos no nos pueden ofender si estamos en paz con nosotros mismos,
    un abrazo

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    Respostas
    1. Hola, Carina,
      Estoy de acuerdo contigo, es un cuento muy instructivo.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Agradeço por compartilhar esse conto zen, é muito construtivo. Grato.

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    Respostas
    1. Boa Tarde, Marcos,
      Muito grato pelo seu comentário.
      Abraço.

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