Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 28 de maio de 2011

Zen, Budo e Consciência


Certa vez, em um seminário, foi perguntado qual seria a maneira correta de executar determinada técnica; a resposta: depende de onde está a sua consciência. Quem perguntou retrucou que já tinha, em toda sua vida marcial passado por diversas Escolas à procura da “técnica correta”, mas ainda não a havia encontrado. O palestrante afirmou que aquela pessoa ainda estava no mesmo estágio de consciência desde que inicio sua jornada, pois devia estar apegado a determinados hábitos e conceitos, não querendo mudá-los. 

Creio que estes trechos de Osho, irão esclarecer a visão do Zen, inclusive nas Artes Marciais:

“Chao Chou perguntou a Nan Chuan: “O que é o Tao (Do)?”.

A pergunta parece ser simples, mas é a pergunta mais impossível. Fazê-la é mostrar que você não compreendeu absolutamente o que está perguntando. “Tao” é um outro nome para “estado-de-é” (isness). Você não pode perguntar “O que é isness?”. Ele pode ser experienciado, e exatamente agora ele pode ser experienciado, não amanhã. Ele o cerca, você está respirando nele, você é parte dele. Ele é a própria pulsação da as existência. Ele pulsa no seu sangue. Ele é sua consciência.

Ouça este momento de silêncio . . . isto é ele! Mas não há nenhum modo de responder à pergunta. Sim . . . ele pode ser indicado. Por isso, os Mestres zen dizem: “Os budas apenas mostram (indicam) a lua . . . não se prendam a seus dedos; eles (os dedos) estão apenas mostrando a lua . . . olhem para a lua. Os dedos não são a lua. Os dedos apontando para a lua não são, eles mesmos, a lua”.

“Tao” é apenas uma palavra, muito arbitrária, não significa nada. É apenas um dedo apontando para o estado-de-é da Existência. (.......)

Nan Chuan respondeu: “A mente comum é Tao”.

O que é a mente comum? Quando não há nada na mente, quando você não está desejando nada, quando você não está pedindo nada, quando não há perguntas na sua mente, nenhuma indagação, nenhuma curiosidade, quando não há quaisquer sonhos agitando-se em sua mente, quaisquer pensamentos, quaisquer projeções, nenhum passado, nenhum futuro . . . então a mente é absolutamente comum.

Nessa mente comum, você experienciará o Tao, porque você experienciará o estado-do-é. É devido aos seus desejos, seus sonhos e à sua embriaguez com os seus sonhos que você continua perdendo o que está sempre à disposição, aquilo que sempre o está confrontando, aquilo que está fora e dentro, aquilo que você nunca perdeu por um único momento, aquilo que mesmo que você queira perder você não pode perder – trata-se da sua própria natureza intrínseca.

Mas tantos pensamentos na sua mente criam uma nuvem ao seu redor (.......)

Estão todos dormindo de modos diferentes (de acordo com seus hábitos e culturas), em diferentes posições, sonhando diferentes sonhos. (.........)

O Zen insiste em que, a menos que sua consciência passe por uma radical transformação, nada muda. Você permanecerá mecânico, sua vida continuará a ser mecânica.”

Termino com um trecho do grande Mestre Ito Tenzen Chuya, quando nos ensina sobre o Budo e a Consciência:

“(....) mesmo um mestre não é capaz de transmitir a verdade. E isto não é válido somente para o Zen. Desde os exercícios espirituais dos antigos, desde a arte de aprimoramento da alma até as belas artes, o elemento vital sempre foi o autoconhecimento, e este só pode ser transmitido de coração a coração, além de qualquer ensinamento comunicado. O propósito de cada ensinamento é apenas: apontar e ressaltar aquilo que todo homem já possui sem saber. Também não existe nenhum segredo que o mestre possa "passar" para o discípulo. É fácil ensinar. Ouvir é fácil. Difícil é conscientizar-se daquilo que se possui dentro de si mesmo, encontrá-lo e tomar posse dessa essência adequadamente. A isso chamamos olhar para dentro de si mesmo, a isso denominamos visão da essência (kensei, kensho). Se isso ocorrer, alcançamos o satori. É o grande despertar do sonho, das ilusões e dos enganos. Despertar, vislumbrar a nossa natureza intrínseca, perceber a própria verdade, é a mesma coisa.”

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em no livro Zen – A Transmissão Especial, de Osho e artigos sobre Mestre Ito Tenzen Chuya.

domingo, 22 de maio de 2011

Imunidade, Meditação e Shin-Kokyu























Os estudos da atuação do sistema nervoso sobre o sistema imunológico e do estresse sobre a nossa capacidade de defesa orgânica são feitos desde a década de 70 por renomados pesquisadores, sendo demonstrado a importância do conhecimento da atuação do sistema nervoso autônomo (ou neurovegetativo) sobre a imunidade atraves de seus plexos.

Lendo os tratados antigos sobre a Medicina no Oriente, encontraremos relatos sobre os mesmos quadros; além da descrição de métodos para a melhora da qualidade de vida do indivíduo. Veremos que são relatos muito similares aos observados hoje em dia, o que prova que a fisiologia humana já era muito estudada e conhecida naquela época.

Muito interessante é que os métodos eram introduzidos como sugestões aos indivíduos, como se fosse um convite a manter sua boa saúde e a não viver no limite; pois este limite significa estar à beira do desequilibrio, deixando a porta aberta para distúrbios físicos.

Entre outros fatos, observamos a utilização da respiração como mecanismo auxiliar a estas técnicas de atuação, porem este trabalho não deve ser feito de maneira empírica; se faz necessário o conhecimento da técnica e de sua atuação sobre cada uma das possiveis variantes e caracteristicas biológicas de cada individuo. Em muitas Escolas esta formação (ou trainning) leva de quatro a sete anos, com supervisão. Este trainning é para que o terapeuta seja harmonizado e realmente transformado; com isto se torna um agente de transformação.

O sistema Tanden, trino conforme a visão sino-japonesa, tem uma correlação com glândulas e plexos correlatos: suprarrenais, timo e hipófise. Como este sistema autônomo não é passível de ser controlado pela mente, sempre foram muito utilizadas técnicas de respiração (indicadas para cada caso), conforme demonstram diversos autores.

Foi demonstrada a atuação sobre a e da musculatura diafragmática, porem existe o conceito da existencia de “outros diafragmas menores”, cuja importância não pode ser neglicenciada. Toda atenção e cuidado tem de ser dada a atuação diafragmática, não podendo ter uma ação intempestiva e precipitada.

Muitas Escolas recomendam começarmos pela troca de hábitos, pouco a pouco instituindo hábitos que vão melhorarando a condição física; neste caso introduzindo a meditação e o hábito da respiração (Kokyu ou Shin-Kokyu). Com o Shin-Kokyu e a integração dos Tanden, podemos levar a uma estabilidade dos plexos que atuam sobre as regiões em questão; em certos casos, até mesmo em sintomas. Isto é apenas um método acessório, um começo e não um tratamento; porem pode haver uma melhora na condição, recomendam que seja feito de uma maneira suave e sem pressa.

A meditação e o Shin-Kokyu, com a pratica do Tada Ima, nos leva a uma melhora; mas não é imediata. Observar os periodos de sono, de repouso e pausa para alimentações, tambem; devemos observar e respeitar nossos ritmos biológicos. Muitas das sugestões do Zen tem relação com estes ritmos biológicos e por isso seja aquilo que faz no momento; e fazer o que o organismo pede: “ tem fome,coma; tem sono, durma”.

Todas estas sugestões podem ser praticadas no dia a dia, não sendo necessário o afastamento de nossas atividades cotidianas. Seria interessante lerem os outros artigos sobre Shin-Kokyu, Kokyu, Ki, Ritmos Biológicos, Mushin, meditação e Tada Ima, para fazer a conexão entre eles.

Boa Prática e tenham uma boa semana.

Oss.

Baseado em livros de Medicina Chinesa, de Zen, de Técnicas Respiratórias Orientais.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Nirvana e Samsara





















A tradição japonesa tem um conto que fala de um Buda que foi levado ao inferno, e os habitantes daquele local fizeram de tudo para fazê-lo infeliz e triste. 

Falavam de dinheiro, poder, como ele poderia muito sucesso, como ele era muito inteligente, etc... O nosso iluminado apenas observava, nada mais.

Após horas tentando modificar o visitante, os habitantes começaram a ficar cansados e desistiram de tentá-lo. Um deles se aproximou e perguntou como ele conseguia ficar em paz em toda aquela agitação daquele local que chamavam de Inferno.

O Buda retrucou que não tinha percebido que ali era o Inferno e voltou a meditar. Curiosos, os habitantes foram se aproximando e começaram a meditar. Com o tempo, pouco a pouco , o local começou a ficar tranquilo, tão tranquilo que o chefe daqueles chamados endiabrados, foi ter com o forasteiro. Quando se aproximou, percebeu que todos estavam ali simplesmente pacificados, o local tinha se transformado em Terra Pura.

Este conto ilustra muito bem a afirmação de que o Samsara ( O Mundano) é o Nirvana feita por Mestre Dogen. Monja Coen nos explica muita bem neste texto:

Buda não tentou destruir os demônios, não tentou acabar com o inferno. Apenas manteve a mente quieta e tranqüila. Nirvana é percebermos a transitoriedade de tudo que existe e sermos capazes de tranqüilamente agirmos para transformar as coisas de maneira que o bem seja comum a todos os seres.(...)

Muitos pensam que para entrar no estado de Nirvana, de paz e tranqüilidade sábia, de harmonioso extinguir das paixões e apegos é preciso morrer ou afastar-se do mundo, da família, do trabalho, de suas atividades e relacionamentos, ir morar nas cavernas nos montes remotos.

Mestre Dogen, entretanto, nos diz que a própria roda de samsara é o Nirvana. Se percebermos esse constante transmigrar, não estaremos apenas sofrendo ou regozijando, mas aprendendo, compreendendo, transcendendo, transformando e crescendo. Nirvana não está separado de nossa vida, de nossos relacionamentos, de nosso trabalho, do trânsito, dos problemas e dificuldades. Nirvana é um estado de espírito”.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em textos Zen e de Monja Coen.

domingo, 15 de maio de 2011

Kokyu, Ki e Equilíbrio Energético
























Como conversamos anteriormente, a respiração correta é um dos melhores métodos para a conservação do equilíbrio orgânico. A velocidade de informações, os desafios do ambiente profissional, as tensões do trânsito, entre outros fatos do cotidiano; levam ao acumulo de “toxinas” advindas do mecanismo de estresse. A musculatura tensa, vai, pouco a pouco, diminuindo a amplitude da respiração; a tensão fica crônica, desencadeando ansiedade.

A cultura japonesa, desenvolveu um método denominado Joshin –Kokyu, que se refere a uma respiração completa, envolvendo tanto o Tanden inferior (Hara ou Seika no Tanden) como o Tanden médio ( Naka no Tanden). Segundo os ensinamentos, esta respiração leva a exoneração das toxinas.

Na literatura, recomenda-se sentar-se numa posição confortável, ou em Seiza ou sentado, porem sem cruzar as pernas. Inspire lentamente pelo nariz, projetando o ar ( e focando a mente) para o Hara, com as palmas das mãos voltadas para cima e apoiadas na porção superiores dos membros inferiores. Assim que o Hara está “repleto”, projeta-se a respiração para área de Naka no Tanden, e agora se retem por alguns segundos. Solta-se o ar entre os lábios,ponta da lingua no palato.
O pensar começa a ficar mais lento, e com o tempo, a mente fica vazia; passamos a experimentar o momento presente. A mente retorna para o seu estado original, vazio, aumentando nossa percepção da Realidade.
A técnica de Joshin- Kokyu, quando praticada uma a duas vezes ao dia, por cerca de 10 minutos, leva a uma modificação dos hábitos respiratórios, assim como diminui, em muito, a tensão. Nosso organismo se sente revitalizado.
Com o tempo, poderemos observar a intregação dos 3 tandens. Esta prática pode ser estendida ao Dojo, tanto em Seiza quanto na prática do Kokyu-Ho levando a integração de Seika – Naka – Kami Tandens.
Boa prática.
Oss.
Baseado em livros de O-Sensei Ueshiba, O-Sensei Usui, Aoki Sensei, De Carly Sensei, Gleason Sensei.

domingo, 1 de maio de 2011

Meditar: Fundir-se com a Fonte



















Meditar significa se fundir com a Fonte.
Está técnica acalma e descansa a mente, ela começa a ficar ”vazia”, retornando ao seu estado original; todo o corpo “acompanha-a”, modificando o seu ritmo.

Geralmente a musculatura relaxa, a respiração “acalma” e a pressão regulariza.
Mente vazia e respiração mais solta, o movimento natural e a técnica, evoluem cada vez mais.

Mente vazia, não há a sensação de medo ou competição; geralmente isto faz que as lesões não ocorram. Daí a importância de meditar.
Pode ser antes da aula.

Quem sabe..... um pouco mais após.......
Os pensamentos ou imagens aparecem; não atribua nada a eles; não analise nada. Seja Observação.

Muita práticas incorporaram as práticas do Zen, em que a tomada de Consciência do corpo e dos gestos é fruto de uma longa disciplina de meditação e foco.

Não há espaço para o ego; tornar-se oco como um bambu. Deixe Ki e Iki fluírem através, ensinavam Mestre Inoue e os grandes mestres.
Na tradição budista, há cerca de 2.500 anos, Sidarta Gautama encontrou a Iluminação graças a concentração no Tanden, que está situado a 3 dedos abaixo e atrás do umbigo.

Diz a tradição, que silenciosamente foi transmitida esta experiência ao seu discípulo MahaKashyapa , o primeiro Patriarca Zen.

MahaKashyapa transmite a Ananda, primo de Sidarta e pertencente à classe guerreira; começa aí a transmissão de mestre para discípulo com a formação das linhagens que vêm até nossos dias.

Tanden, do chinês Tan t’ien (área vermelha); Hara quer dizer barriga em japonês.

Mas, Tan t'ien é o nome dado aos outros dois principais centros de energia localizados no eixo interno de nosso corpo, assim nos temos:

Tanden (Tan t'ien) Superior - Localizado atrás do ponto médio entre as sobrancelhas - Hipófise.

Tanden (Tan t'ien) Médio - Localizado na região do Plexo - Coração.

Tanden (Tan t'ien) Inferior – como já vimos, e tambem chamado de o Mar de Energia Ki.

Na visão sino-japonesa, a concepção mais utilizada foi a acima; embora a visão indiana fale em sete pontos principais.

No Dojo, a postura mais comum de meditação é sentado em Seiza ou em semi-lótus. Pode ser com as mãos em prece (Gasho) , a nível de Tanden médio ou com as mãos apoiadas no formato do Mudra Cósmico,a nível do Hara no Tanden.

Muito bem, sentou-se, relaxado, de preferência com olhos fechados, a mente solta unida a respiração. Inspire pelo nariz e vá projetando o Hara no Tanden.
Retenha a respiração, sem esforço e solte; e sua mente está ali no Mar de Energia Ki. Após instantes, exale pela boca, porem a língua deverá estar tocando o céu da boca e contraindo o Hara no Tanden. Pare um segundo, inspire novamente. O ciclo se faz e a mente se esvaziou.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos de Zen.

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