Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

Seguidores

sábado, 30 de abril de 2011

A Mente e o Som Silencioso



























Esta alegoria do sino de vento, tão utilizada, também representa o encontro de dois Patriarcas da linhagem do Zen (ou Advaíta), ainda na Índia. 

Talvez, este encontro tenha acontecido num período que antecede ao ínicio da Era Cristã; alguns acham que por volta do ano 30 a 10, anterior a esta Era.

Mestre Gayashata já era conhecido por sua grande sabedoria quando, ainda jovem, encontrou o décimo sétimo Patriarca Sanghanandi, este tinha recebido a transmissão do décimo sexto Patriarca Rahulata. Ao se encontrarem, ambos os Mestres se olham, permanecendo em silêncio. Após um longo período assim, o silêncio é quebrado pelo barulho de um sino ao vento.

O Patriarca Sanghanandi, então, perguntou: O sino está tocando ou vento está tocando?

Mestre Gayashata: Não é o sino, nem mesmo o vento, mas sim a Grande Mente que está tocando.

Patriarca Sanghanandi: Para quem a Grande Mente está aparecendo agora?

Mestre Gayashata: Tanto o sino quanto o vento são o silêncio da Grande Mente.

No som silencioso da mente, a sabedoria se manifestou espontaneamente. Mestre Gayashata atinge a Iluminação, tornando-se, posteriormente, o décimo oitavo Patriarca.

Boa prática de Meditação.

Oss.

Baseado em textos da Linhagem do Zen.


domingo, 24 de abril de 2011

Credo Samurai por Masayuki Sensei
































Samurai significa, em japonês, "aquele que serve"; sendo sua maior função servir, com total lealdade e empenho, sem nada esperar em troca. Por isso muitas Escolas Marciais falam da Cerejeira e do Salgueiro, pois seus galhos se vergam, com humildade e gentileza; aí está a maestria.

Mestre Hibino Raifu Masayuki, nascido em 1864 na cidade de Kagoshima (Kyushu), começa seus estudos de Iai e Kenjutsu aos 5 anos de idade. Funda o estilo Shinto Ryu de Iaido, abrindo seu dojo em 1911. Faleceu em Taiso, em 1926. Transmitia aos seus discípulos o credo samurai que foi ensinado por gerações; assim como nos ensinava Inoue Sensei. 

Leiamos, com atenção, o cerne do espírito Samurai através das palavras de Masayuki Doshu:

“A sua fome não deve controlar as palavras que saem da sua boca.

A sua dor não deve controlar a expressão da sua face.


A sua tristeza não deve controlar a energia que emana do seu corpo.


A sua ira não deve controlar as ações de sua mente.


Não permita que os imprevistos incutam temor no seu coração.


Não permita que o dinheiro insufle apego no seu coração.


Não permita que a comida e a bebida façam de você um escravo.


Mantenha a retidão e não se desvie do Caminho (Do).


Faça o que deve ser feito e não se vanglorie dos seus atos.


Que a grandeza da sua pessoa seja vasta como o mar.


Que a determinação em seguir os preceitos seja firme como uma rocha.


Que o estado do seu espírito seja limpo como uma perola.


Que o caminho que você percorre seja o caminho que os sábios do passado percorreram.


Seja estóico, rigoroso e negue a si mesmo. Mas ao mesmo tempo seja elegante, tolerante e vivaz.


Seja indômito. Mas ao mesmo tempo, seja gentil e humilde.(…)”

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Hibino Raifu Masayuki Sensei e sobre o Shinto Ryu Iaido.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tadao Okuyama por Harada Sensei



Harada Sensei entrou na equipe de Karatê-Do, em Waseda, por volta de 1949. Nesta época, Tadao Okuyama era terceiro Dan e tinha um comportamento distante para com os outros praticantes.
Estava no seu periodo de ascestismo, quando foi viver no Monte Tsukuba e posteriormente, na Omotoo Kyo. Quando, anos mais tarde, Okuyama Sensei retorna, vai morar no alojamento que Harada Sensei dividia com mais três colegas (todos deviam morar em um alojamento para cinco pessoas). 

Para Harada Sensei, que estava sob a supervisão de Egami Sensei, foi marcante, pois nos próximos 18 meses fica sob supervisão de Tadao Okuyama Sensei.

Certo dia, em 1955, Okuyama Sensei chama Harada Sensei para treinar e este último relata: “não podia derrotá-lo, ele tinha algo muito especial com ele”. Okuyama Sensei pedia para atacar cada vez mais rápido e mais rápido; logo Harada Sensei sentia o ataque da palma da mão aberta sobre sua cabeça e seu mestre ainda não tinha encostado fisicamente a mão nele: “mas eu senti o poder, que poder; nunca tinha sentido nada igual antes, em nenhum lugar”. A lembrança dos treinamentos de Okuyama Sensei impacta a mente de Harada Sensei até hoje, pois aconteciam fosse dia ou noite; não tinha hora ou lugar.

No alojamento, durante a noite, Harada era acordado pelo mestre com golpes no ombro, para ser avaliado quanto a sua reação. Geralmente o mestre ficava parado vendo a reação do deshi, como este demorava a reação, o Sensei balançava a cabeça com o sinal de negação e ia dormir. Isto acontecia várias vezes durante a noite. Harada Sensei contou que chegava destroçado e muito cansado nas aulas.

Era comum, outras vezes, encontrar Okuyama Sensei, imóvel, a fixar a chama de uma vela, noite toda no escuro. Quando questionado, que fazia e porque fazia, respondia: “Só observo”.
Outras vezes, amarrava uma vara a um fio e prendia este ao teto; mostrava que golpeando forte por um lado, o outro reage. Então Okuyama Sensei lhe dizia: “Harada, é muito difícil rompê-lo”. (1)

Durante os treinos, após a realização de determinada técnica, Okuyama Sensei perguntava ao seu discípulo Harada qual era a sua sensação e percepção do que tinha executado, o que tinha sentido.
Desses treinos, Harada Sensei guarda recordações de uma prática diferente, de métodos de treino e de uma atitude mental avançados para a época e que dificilmente poderiam ser transmitidos a grandes grupos, mas unicamente através de um contato pessoal, dia após dia.

Bom fim de semana.

Oss.

Texto baseado em entrevistas de Harada Sensei. Abaixo, notas baseadas em artigos de Inoue Sensei e Kawanabe Sensei.

(1) A prática de ser observação, mente vazia.

(2) Okuyama Sensei demonstrava que o ataque não devia ser com força bruta; Mestre Deguchi explicava o ataque tem que ser veloz como um relâmpago e suave ao mesmo tempo para não dar tempo a uma reação.

(3) Assim, como Waka (Yoshitaka) Sensei e Inoue Doshu, Okuyama Sensei treinava com o Bo e o Ken. Esta prática foi feita constantemente, até próximo a sua morte.

Tadao Okuyama Sensei por Kase Sensei

Hakkei

Budo: Técnica das Flores Cerejeira

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tadao Okuyama por Kase Sensei



















Em entrevista, Kase Sensei diz ter conhecido Okuyama Sensei, por volta dos anos 50, que era uma pessoa muito enigmática. Quando treinavam, e pediam por mais repetição e precisão, Okuyama Sensei, na época terceiro Dan, apenas sacudia a cabeça e sorria.

Certo dia, souberam que ele foi para as montanhas, atrás do ideal do verdadeiro Budo. Era o discípulo que Yoshitaka Funakoshi tinha enviado para a Escola Militar de Nakado para ensinar aos agentes secretos técnicas de atemi eficientes e mortais; agora larga tudo para procurar a ‘Verdade”. Mais tarde, souberam que foi o próprio filho de Yoshitaka, que estimulou Okuyama a desenvolver sua marcialidade; para Yoshitaka a Arte deveria estar sempre em desenvolvimento.

Foi no Monte Tsukuba, durante seu período de ascetismo, que Tadao Okuyama tem contato com o Omotoo Kyo e, mais tarde, se torna Uchideshi de Inoue Sensei. Segundo Kase Sensei, neste período, era muito difícil entrar e contato com Tadao, agora pertencente ao “alto escalão” da Omotoo Kyo.

Quando Okuyama Sensei retorna ao Dojo de Waseda, apresenta um ataque fulminante, que deixa até mesmo Egami Sensei ( que possuía um bloqueio tido como “devastador”), desconcertado. Tadao Sensei “golpeava antes mesmo de sua mão tocar o nosso corpo”, afirmavam os deshii de Waseda. Ele, ao estudar com Inoue Sensei, leva adiante o ideal de antigo mestre de desenvolvimento contínuo da Arte, além da força e da velocidade. Todos sabiam em Waseda, que Yoshitaka tinha contraído tuberculose aos sete anos de idade e os médicos disseram que morreria antes dos 20 anos de idade; a prática da Arte Marcial o manteve vivo até os 39 anos.

Quanto a Okuyama Sensei, o entrevistado diz que ele possuía “um tipo de poder particular, que não vinha da força muscular nem do kime”; que vinha de outro lugar. Segundo Kase Sensei, foram as idéias e técnicas de Okuyama Sensei, que motivaram Egami Sensei em sua busca “sem copiar mas por compreensão do ideal” do Budo. Egami Sensei vai tornar-se discípulo de Inoue Sensei com Okuyama e Kawanabe Sensei.

Bom fim de semana

Oss.

Baseado em entrevistas de Kase Sensei sobre o Dojo de Waseda.


domingo, 10 de abril de 2011

Existe Dor e Sofrimento?





















Vamos, com este texto, observar aspectos da mente, que geralmente podemos estar identificados. Grandes Mestres sempre nos falaram sobre o apego, desejo e outras identificações que podem nos conduzir ao que chamamos de sofrimento. Li vários textos, de Mathieu Ricard, de Inoue Sensei, de outros autores, mas creio que este texto de Swami S.Naseeb, em Vida Iluminada, nos esclarece muito:

"Dor é uma sensação, tem relação com seu corpo.
Sofrimento é mental.
Para haver sofrimento é preciso haver uma história, um personagem que sofre e um cenário onde este personagem experimentou o sofrimento e o porquê disso.

Dor é natural. Sofrimento é relativo à identificação com sentimentos e pensamentos, e ao quanto você está perdendo com isso que aconteceu.
Se você está aprendendo a se enraizar na sua verdadeira natureza, o sofrimento deve diminuir, pelo fato de que você faz menos histórias sobre si, tem menos exigências, e aceita com mais facilidade o modo como a vida é.

Na investigação direta, sempre é possível olhar com mais profundidade a natureza do sofredor, o ego, para vislumbrar qual a fantasia que estamos tecendo, que está nos colocando em ilusão. Sofrimento é a ilusão do ego.
Sabendo disso, devemos cada vez mais procurar nos estabelecer no espaço divino que está além de todo sofrimento humano, a consciência, de modo que possamos entregar todo o sofrimento,

reconhecendo a história do começo ao fim, e relaxando no presente, renovados, mais sábios, mais amorosos.
O sofrimento sempre é um convite para nos aproximar mais de nossa natureza sagrada.(...)

Os pensamentos não afetam diretamente você. Eles afetam o corpo. Eles afetam a mente. Você diz que eles afetam você porque você está identificado e envolvido com o seu organismo. A quem os pensamentos afetam? Não existe nenhum “eu” para ser afetado, porque seu eu real é consciência e não a mente (pensamentos). O único EU que realmente existe é consciência. Mas consciência não é afetada por nada. Ela é vazia sem conteúdo, sem programações, não tem nada, nenhum pensamento nela, não quer chegar a nenhum lugar, não tem opinião, não possui direção ou mandamentos. Quem pode ser afetado pelos pensamentos então?(...)

Consciência se identifica e imagina ser um “eu/ego”.
Nesta imaginação ela esquece de sua natureza vazia e liberta, e assume uma identidade dentro da sua mente, através de alguns pensamentos.
O ego que se sente afetado pelos pensamentos nada mais é que um pensamento. Mas é um pensamento que se tornou muito vivo pela identificação da consciência com ele. Se você investiga, esta identificação se quebra ou enfraquece.

Este é o poder da auto-investigação que Ramana propõe. Pergunte-se “quem está sofrendo com esses pensamentos?", e descubra que tudo é um jogo mental.
Quando você está dentro da mente, você se assume como mente. Quando você percebe que sempre está fora da mente, se assume como consciência, e usa a mente como uma ferramenta objetiva, quando precisar.
Consciência é o divino em ação."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em texto de Swami Sambodh Naseeb.

sábado, 9 de abril de 2011

Ponto da Cura - Visão Não Dual


Este texto do Swami Sambodh Naseeb, nos esclarece sobre o Não Dual, conforme já lemos no texto de Seng Ts’an:

“O ponto claro na visão Não Dual é que não há futuro a não ser na mente.
A mente representa o tempo e o espaço.
A ciência já sabe disso, que o tempo e o espaço são produtos do pensamento.

Portanto, na visão Não Dual, o futuro é visto como uma projeção da mente.
Logo, somos levados a ver que tudo o que podemos descobrir de nós mesmos está exatamente neste momento. O ser real está exatamente aqui. Nós dizemos: "Queremos descobrir a nós mesmos". Mas, se suspendemos o futuro e o passado, e ficamos bem despertos para ESTE momento, o que nós somos?

A visão Não Dual não busca por iluminação, “acordamento”, ou melhoramento em algum lugar do futuro, pois isso seria ilusório, já que o Ser Real está aqui agora. A visão Não Dual é um reconhecimento da nossa verdadeira essência neste momento. Se a visão Dual é propor a cura aos poucos, gradualmente, através de purificação com terapias e meditação, a visão Não Dual reconhece que toda a busca, toda a terapia, toda a meditação, todo o tempo de melhoria, está acontecendo num espaço eterno, num espaço livre, num espaço sagrado que em essência é o que Somos. Não é interessante que possamos, no meio de uma tristeza, no meio de um desafio, no meio de uma cura, descobrir aquilo que já está em paz, aquilo que já está alcançado, aquilo que já está curado? Isto é o nosso Ser Verdadeiro. Nosso ser falso precisa ser curado. Nosso ser verdadeiro já é Espírito ou Consciência”.


Bom Fim de Semana.

Oss.

Texto de Swami Naseeb Sambodh, postado em naodual.blogspot.com.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Consciência


























Reproduzo aqui este texto, que está no blog Ventos de Paz, pois ele vai esclarecer muitas das dúvidas, que são expostas durante seminários, sobre mente e Consciência. Esta explicação de Nisargadatta Maharaj é muita próxima a de Inoue Sensei.

“Maharaj frequentemente aparece com a declaração de que a consciência seria o único ‘capital’ com o qual nasce um ser consciente.
Isto, ele diz, é apenas a situação aparente. A situação real, contudo, é que o que nasce é a consciência, a qual necessita de um organismo para manifestar-se, e que este organismo é o corpo físico.

O que dá sensibilidade – capacidade para sentir sensações, para responder a estímulos – ao ser consciente? O que distingue uma pessoa que está viva daquela que está morta? Seria, certamente, o sentido de ser, o conhecimento de estar presente, consciência, o espírito vitalizador que anima a estrutura física do corpo.

É a consciência, sem dúvida, que se manifesta em formas individuais e dá a elas uma existência aparente. No ser humano, através de tal manifestação, surge o conceito de um eu separado. Em cada indivíduo, o Absoluto se reflete como Consciência, e, assim, a Consciência pura torna-se Consciência de si mesma, ou consciência.

O universo objetivo é um fluxo contínuo, constantemente projetando e dissolvendo inumeráveis formas. Sempre que uma forma é criada e a vida é infundida (Prana), a consciência (Chetana) surgirá, simultânea e automaticamente, pela reflexão da Consciência Absoluta na matéria. A consciência – isto deve ser claramente entendido – é um reflexo do Absoluto na superfície da matéria, produzindo um sentido de dualidade. Como diferente disto, a Consciência, o estado Absoluto, é sem início e fim, sem a necessidade de qualquer apoio a não ser ela mesma. A Consciência torna-se consciência apenas quando tem um objeto sobre o qual refletir-se. Entre a pura Consciência e a Consciência refletida como consciência, diz Maharaj, há um intervalo que a mente não pode cruzar. O reflexo do sol na gota de orvalho não é o sol!

A consciência manifesta é limitada pelo tempo, visto que desaparece logo que a estrutura física que habita chega ao fim. Todavia, de acordo comMaharaj, ela é o único ‘capital’ com o qual nasce um ser sensível. E a consciência manifesta, sendo sua única conexão com o Absoluto, torna-se o único instrumento pelo qual o ser sensível poderá esperar obter uma liberação ilusória do ‘indivíduo’ que acredita ser. Sendo um com sua consciência e tratando-a como seu Atma, seu Deus, ele poderá conquistar o que considera inacessível.

Qual a real substância desta consciência desperta?
Obviamente, deve ser a matéria física, pois, na ausência da forma física, não poderá sobreviver. A consciência manifesta pode existir apenas enquanto sua residência, o corpo, for mantida sadia e em condição habitável. Embora a consciência seja um reflexo do Absoluto, ela é limitada pelo tempo e pode ser sustentada apenas pelo alimento material, incluindo os cinco elementos, o que o corpo físico é. A consciência reside em um corpo saudável e o abandona quando ele decai e está pronto para morrer. O reflexo do sol pode ser visto apenas em uma gota de orvalho limpa, não em uma enlameada.

Maharaj diz frequentemente que nós podemos observar a natureza e funcionamento da consciência em nossa rotina diária de sono, sonho e vigília.
No sono profundo, a consciência se retira para um estado de repouso, por assim dizer. Quando a consciência está ausente, não há nenhum sentido de existência ou presença de si mesmo, e menos ainda a existência do mundo e seus habitantes, ou de alguma idéia de escravidão ou liberação. Isto é assim porque o próprio conceito de “eu” está ausente. No estado de sonho, uma partícula de consciência começa a agitar-se – não se está ainda plenamente acordado – e então, em uma fração de segundo, naquela partícula de consciência, é criado um mundo inteiro de montanhas e vales, rios e lagos, cidades e vilas, com construções e pessoas de várias idades, incluindo o próprio sonhador.
E, o que é mais importante, o sonhador não tem qualquer controle sobre o que as figuras sonhadas estão fazendo! Em outras palavras, um novo mundo vivo é criado em uma fração de segundo, fabricado como resultado da memória e da imaginação meramente por um simples movimento naquela partícula de consciência. Imagine, portanto, dizMaharaj, o extraordinário poder desta consciência, uma mera partícula que pode conter e projetar um universo inteiro. Quando o sonhador acorda, o mundo de sonhos e as figuras sonhadas desaparecem.

O que acontece quando o sono profundo e também o estado de sonho terminam, e a consciência aparece novamente?
O sentimento imediato, então, é o da existência e presença, não de um ‘eu’, mas presença como tal. Logo, contudo, a mente assume e cria o ‘eu’ – conceito e consciência do corpo.
Maharaj diz-nos repetidamente que estamos tão acostumados a pensar de nós mesmos como corpos tendo consciência, que achamos muito difícil aceitar ou mesmo entender a situação real.


Na realidade, é a consciência que manifesta a si mesma em inumeráveis corpos. É portanto essencial perceber que nascimento e morte são apenas o início e o fim de uma corrente de movimentos na consciência, os quais são interpretados como eventos no espaço e no tempo.

Se pudéssemos entender isto, deveríamos também compreender que somos puro ser-Consciência-felicidade em nosso estado original imaculado, e, quando em contato com a consciência, somos apenas a testemunha dos (e totalmente separados) vários movimentos na consciência. Este é um fato evidente porque, obviamente, nós não podemos ser o que percebemos; o percebedor deve ser diferente do que ele percebe."

Nisargadatta Maharaj em Sinais do Absoluto


Boa Reflexão.

Oss

Texto postado em ventosdepaz.blogspost.com em 07 de abril de 2011.

sábado, 2 de abril de 2011

A Técnica das Flores de Cerejeira

























Esta foi a técnica ensinada por Inoue Doshu e Okuyama Sensei aos uchideshii pertencentes ao Waseda Dojo, como Egami Sensei e Kawanabe Sensei; de 1954 a 1957.

Neste Budo, incorporamamos a compreensão da Realidade Presente (Tada Ima): aceitar o instante presente e deixar o Fluxo se perpetuar através de nós.

No treino do Budo, temos que incorporar estes movimentos; ser cerejeiras que incorporam a vibração do fluxo do vento; ser as flores que caem e deslizam pelo vento. Este movimento já existe dentro de nós; a consciência deste nos traz a capacidade de modulação.

Inoue Doshu afirmava que "Budo pode ser comparado com as flores de cerejeira caindo flutuando no vento". As flores de cerejeira caindo flutuando no vento estão atuando sem pensar; levemente e ainda mais rapidamente de acordo com o vento. Esta é a maestria do movimento. Movimento de leveza com consciência plena e que leva a uma ação rápida é um exemplo do aspecto físico e espiritual da prática de Budo. Da mesma forma, quando adquirimos esta consciência, se fazem possiveis uma gama enorme de ritmos de respiração e movimentos; tudo se adapta a cada instante.

Okuyama Sensei afirmava que "Ki" é a respiração e Kawanabe Sensei que esta respiração demonstra as suas duas faces: física e mental.

Na Cosmogonia Oriental, nosso coração e alma originam-se da respiração, e apartir desta se expressa a ação ou conduta do ser humano. Afirmam que um Mestre geralmente tem uma respiração naturalmente pacífica e harmonizada; isto não tem como imitar: o ritmo da respiração é a expressão física da mente.

A técnica ideal de Budo se faz através da conscientização Hara-corpo-respiração; a respiração e a corporalidade mudam de acordo com as nossas emoções (alegria,raiva, amor, dor, tristeza, prazer,etc). Através da respiração podemos entrar em contato com isto; significando que a própria respiração pode expressar as nossas emoções e, portanto, nossos espírito, mente e coração. Integrando e estando consciente do momento presente é que percorremos o Do; como diziam os Antigos Mestres: ''Do é a vontade do Universo e o próprio Universo é a manifestação do Do.”

Assim, cada ser humano contém o Do em si próprio; em cada ser humano estão refletidos todos os outros seres viventes assim como o Universo.

Boa Prática.

Oss.

Baseados em entrevistas de Inoue Sensei, Kenjiro Kawanabe Sensei e Kase Sensei.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails