Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 19 de março de 2011

A Cerejeira, Samurais e Tsukahara Bokuden Takamoto





























Para os samurais a flor da cerejeira simboliza a vocação guerreira desta classe, demonstrando a fragilidade da vida e a impermanencia das coisas; a partir desta tomada de consciência, viver no instante presente e único (Tada Ima) torna-se o ideal bushi. 

No século oito, os bushii e nobres introduziram a prática do Hanami (literalmente olhar as flores), advinda de práticas religiosas e, posteriormente, foi estendida ao resto da população. 

No inicio, a prática do Hanami era o encontro de vários clãs de bushii para demonstrarem suas habilidades marciais; esta é a causa de muitos artistas marciais e clãs usarem a flor de Sakura como simbolo em seus kamons, sayas e tsukas.

Para ilustrar a importância do evento para os samurais, existe o relato do encontro do famoso kensei Tsukahara Bokuden Takamoto (1489-1571, fundador da Escola Kashima Shinto-Ryu) com Okamoto Toshinao ( seu pai, o famoso Okamoto Mikawabo, que tinha siso derrotado por Bokuden, anteriormente). 

Este encontro tinha sido organizado pelo Daimyo de Kashima, sob o pretexto de apreciarem as flores das cerejeiras. Okamoto Toshinao, originário de um Clão de Kyoto, era conhecido por sua técnica refinada e, ao mesmo tempo, por querer vingar a derrota de seu pai.

Durante o evento, uma jovem pergunta como os habitantes de Kyoto faziam para comemorar a floração das cerejeiras. Rápidamente, Okamoto Toshinao desembainha seu Daito (sabre longo) e com um kiai sonoro, dá um salto para cortar um galho situado à cerca de 2-3 metros de altura. Faz-se uma chuva de pétalas e o samurai de Kyoto pousa, orgulhoso, com o galho cortado em sua mão esquerda; corte perfeito.

A assistencia ficou estupefata com a elegância da técnica. Sem se abalar, o Daimyo olha para Bokuden, que estava impassível, se este era capaz de demonstrar uma técnica tão refinada.

O samurai de Kashima, prontamente desembainha seu Wakisachi ( sabre curto, 30 centímetros menor que o Daito), emitindo um kiai inaudível. Com um movimento extremamente veloz, salta e aterriza próximo a arvóre; nenhuma pétala cai ao chão, porem Bokuden já porta um galho em sua mão esquerda, galho este que estava na mesma altura do cortado anteriormente. Todos os samurais exclamaram, abismados com a capacidade deste samurai demonstrar que a técnica simplesmente flui, independentemente do kiai e da arma. 

Bokuden simplesmente foi a realidade que o instante apresentava, nada tinha a provar ou demonstrar.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Toshiro Suga Sensei e de Budo.

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