Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 29 de março de 2011

Estresse, Meditação e Saúde.

















Inoue Sensei nos dizia que bloquear o Fluxo nos traz dissabores: doenças, frustrações, ansiedade, insônia, etc. Esta frase condensa muitos ensinamentos, como já foi exposto anteriormente: meditação, mente vazia,ritmo biológico eTada Ima, entre outros.

Você pode se perguntar como, na prática, a meditação tem relação com a saúde. Como já conversamos, os estudos fisiológicos, observaram o Ciclo Circadiano do organismo e, em 1924, o eletrofisiologista Hans Berger, estabeleceu o primeiro padrão reconhecível do Eletroencefalograma : a onda alfa. Esta onda alfa tem a frequência de 7,5 a 12 ou de 8 a 13 ciclos por segundo (Hertz), de caráter estável e com sincronia; ocorre em indivíduos em estado de relaxamento com os olhos fechados, durante o estado de vigília. Normalmente encontramos a freqüência de 10 Hz. Se você está de olho aberto, porém sonolento, também apresentará um ritmo alfa. Quando você está tenso ou de olhos abertos, o ritmo se altera; se está dormindo, também. Não comentaremos as outras ondas cerebrais neste artigo.

Observamos uma correlação da meditação com ondas na freqüência alfa mais lenta; estudos de longo prazo demonstram que quanto mais tempo próximo desta freqüência, mais benefícios para o organismo. Nesta freqüência, geralmente o ritmo circadiano dos hormônios das glândulas supra-renais é estável, diminuindo muito a possibilidade da situação de estresse.

O estresse é uma situação de adaptação do organismo, frente a uma situação que é interpretada como uma agressão: é uma reação de inicio rápido mas que demora horas para trazer o organismo a uma situação de equilíbrio ideal (homeostase). Logo, se enchemos nossa mente de situações que são interpretadas como desafios ou agressões, desencadeando a reação de estresse. Se isto ocorrer com muita freqüência, o organismo começa a perder sua capacidade de retorno ao ritmo ideal; temos o aparecimento de disfunções, distúrbios de saúde, ansiedade, insônia, hipertensão, fadiga crônica, etc...

Para o retorno ao ritmo alfa e à situação de homeostase, não adianta uso de medicamentos, calmantes, panacéias ou mesmo bebidas alcoólicas; isto só induz à outras freqüências e ao uso crônico destas substâncias, nos afastando do estado de saúde ou homeostase. Não se consegue manter o ritmo alfa com a mente ativa, ela precisa estar vazia-relaxada-vigil (Mushin-Shoshin); logo, não tem nexo afirmar que “posso controlar o estresse” ou “existe uma técnica mental para isto”. Se existe tentativa de controle mental, ritmo não é mais alfa.

Por isto a OMS afirma que a maioria das disfunções e patologias tem base psicossomática, devido alteração da homeostase. Além do exercício físico moderado e regular, a meditação diária ajuda muito; podem ser dez minutos por dia. Manter a mente no momento presente (Tada Ima), também; desempenhe sua tarefa atual sem pensar em outras que estão por vir, senão nada será bem feito, gerando ansiedade, frustração, hipertensão, hiperacidez, hiperfagia, etc. À noite e em casa, evite tarefas do ambiente de trabalho e evite ver noticiários antes de dormir, pois pode gerar insônia ou sono agitado.

Logo, quanto mais se medita, caminhamos para um ritmo orgânico saudável e facilitando praticar o Tada Ima no dia-a-dia.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre eletroencefalograma, meditação, Inoue Sensei e Zen.

terça-feira, 22 de março de 2011

A Consciência, Okuyama Sensei e o MonteTsukuba






















Este monte, está localizado ceca de 50 quilômetros ao norte de Tókio, com um mito muito interessante. Diz a tradição, que uma divindade pediu para descansar na Terra. Perguntou ao Monte Fuji e ao Monte Tsukuba, qual dos dois poderia conceder-lhe pouso; orgulhosamente, o majestoso Fuji-San fez-se de rogado e disse que era impossível. 

Já Tsukuba-San, com muita alegria, acolheu a divindade; deu-lhe água e comida em abundância. Devido a sua generosidade, as divindades do Japão abençoaram Tsukuba-San com uma grande fertilidade: solo rico, muitas flores, etc... Já Fuji-San, não recebeu benção alguma, ficando com seu pico eternamente gelado, áspero e solitário.

É neste ambiente de muita espiritualidade Xinto, que o Monte Tsukuba tornou-se um lugar de peregrinação para a busca de elevação espiritual. Foi neste local que Tadao Okuyama Sensei foi “procurar a Verdade”, conforme nos conta Harada Sensei. Neste ambiente da busca de Consciência, que Okuyama Sensei foi introduzido na Seita Omotoo Kyo por Inoue Sensei; conforme afirma Yasuaki Deguchi, neto do Mestre Deguchi.

Após anos, no seu retorno ao Dojo de Waseda, Okuyama Sensei começa a demonstrar a sua mudança de consciência, além da técnica. Todos afirmavam que ele estava muito mudado, muito observador, quieto, porem, extremamente veloz e certeiro na execução das técnicas.

Harada Sensei, que foi discípulo por um periodo, além de conviver no mesmo alojamento da Universidade, contava que Okuyama Sensei ia além do ensinamento da técnica, pura e simplemente.  Em todos os treinos, após a execução de cada técnica, Tadao Okuyama perguntava ao Deshi: -"Qual é a tua sensação neste instante",- nos conta Harada Sensei. Os alunos eram estimulados a tomar consciência do instante presente; no inicio é através da sensação e, passo a passo, a consciência vai se “expandindo”. É através da sensação que iniciamos a integração físico-mente-espirito.

Depois comentaremos como eram os treinos de Tadao Okuyama e de Inoue Sensei, segundo relato de seus alunos.
Bom treino.

Oss.

Baseado em entrevistas de Harada Sensei , Deguchi Sensei e Kase Sensei.

Budo: Técnica das Flores Cerejeira

Budo: Técnica por Kawanabe Sensei

segunda-feira, 21 de março de 2011

Kata e Fluxo: Budo por Okumura Shihan


Shigenobu Okumura Shihan, oitavo Dan da Aikikai, foi discipulo de Inoue Sensei e Aritoshi Murashige Sensei, assim como sua mãe, no período em que o Japão ocupou a Manchúria, entre 1931-1932 iniciou como praticante de Kendo.

Inoue Sensei e Aritoshi Murashige Sensei estavam ensinando no dojo da Polícia de Dairen, que era filiado ao Dai Nihon Budo Senyoakai. Ele tambem testemunhou a exibição conjunta de Morihei Ueshiba Sensei com Inoue Sensei em 1940 e 1942, na Manchúria. Ele treinou com Shioda Sensei, Shirata Sensei, Tomiki Sensei, Ohba Sensei, Tojo Sensei e O-Sensei Ueshiba

Relata que até 1943 treinou a técnica denominada Aiki Budo e\ou Aiki Bujutsu; embora a Arte tinha outras denominações conforme o dojo que treinavam.

Em sua Caminhada, passou a ter uma percepção do Budo e a comparava a filósofos ocidentais como Nietzsche; o “Shu-Ha-Ri” que compara as metáforas do filósofo alemão sobre os estágios da metamorfose da mente humana e da capacidade de nos tornarmos livres.

Para Shigenobu Shihan, estes três estágios seriam: 
A-manter o kata-forma(Shu), 
B-quebrar o kata-forma(Ha), 
C- libertar-se do kata-forma (Ri).
Estes termos são advindos do Zen, sendo que isto se aplicaria não só nas Artes Marciais mas, também na sociedade no geral.  Shihan fazia a comparação com Nietzsche por considerar que os ocidentais compreenderiam melhor.

Existe um texto de Osho, que faz uma comparação, também com base nesta interpretação; comparação esta que parece ser muito clara:

A- Camelo: é o início de tudo, estágio onde se encontra a maioria das pessoas;a mente está exposta aos inumeros conceitos da sociedade, sistemas de educação e religião. Como o camelo, você atravessa o deserto, ruminando estes conceitos acumulados por séculos de humanidade. É o periodo da paciência: para o camelo dura até meses; no homem, anos ou a vida toda. Geralmente não tem capacidade crítica e esteriotipa (copia) os outros; é aquele que treina incessantemente ser “igual” àquela pessoa que a sociedade julga “modelo ideal”, sempre preso na forma.

B- Leão: poucos chegam a esta fase, são criativos e inéditos; quebram conceitos e regras. Têm uma tendencia a liderança, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico.sendo mais razão que emoção. O problema é que ele ainda está preso ao que é contra; dedica-se atéa morte por seu ideal. Sua técnica ainda está presa à mente; quebra mas não trancende a forma.

C- Recem- nato ou mente de iniciante: são muitos poucos, transformação interna absolutamente radical. Você continua a fazer isso até o dia que “acontece”, alcança um nível ainda mais alto, tornando-se verdadeiramente livre. Quando se movimenta, executa-se a técnica sem tê-la pensado; ela flui, tudo é fluxo. Muitos deles já nascem livres, todos nascemos livres.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas a Stanley Pranin e livro Sabedoria das Areias, Osho.

sábado, 19 de março de 2011

A Cerejeira, Samurais e Tsukahara Bokuden Takamoto





























Para os samurais a flor da cerejeira simboliza a vocação guerreira desta classe, demonstrando a fragilidade da vida e a impermanencia das coisas; a partir desta tomada de consciência, viver no instante presente e único (Tada Ima) torna-se o ideal bushi. 

No século oito, os bushii e nobres introduziram a prática do Hanami (literalmente olhar as flores), advinda de práticas religiosas e, posteriormente, foi estendida ao resto da população. 

No inicio, a prática do Hanami era o encontro de vários clãs de bushii para demonstrarem suas habilidades marciais; esta é a causa de muitos artistas marciais e clãs usarem a flor de Sakura como simbolo em seus kamons, sayas e tsukas.

Para ilustrar a importância do evento para os samurais, existe o relato do encontro do famoso kensei Tsukahara Bokuden Takamoto (1489-1571, fundador da Escola Kashima Shinto-Ryu) com Okamoto Toshinao ( seu pai, o famoso Okamoto Mikawabo, que tinha siso derrotado por Bokuden, anteriormente). 

Este encontro tinha sido organizado pelo Daimyo de Kashima, sob o pretexto de apreciarem as flores das cerejeiras. Okamoto Toshinao, originário de um Clão de Kyoto, era conhecido por sua técnica refinada e, ao mesmo tempo, por querer vingar a derrota de seu pai.

Durante o evento, uma jovem pergunta como os habitantes de Kyoto faziam para comemorar a floração das cerejeiras. Rápidamente, Okamoto Toshinao desembainha seu Daito (sabre longo) e com um kiai sonoro, dá um salto para cortar um galho situado à cerca de 2-3 metros de altura. Faz-se uma chuva de pétalas e o samurai de Kyoto pousa, orgulhoso, com o galho cortado em sua mão esquerda; corte perfeito.

A assistencia ficou estupefata com a elegância da técnica. Sem se abalar, o Daimyo olha para Bokuden, que estava impassível, se este era capaz de demonstrar uma técnica tão refinada.

O samurai de Kashima, prontamente desembainha seu Wakisachi ( sabre curto, 30 centímetros menor que o Daito), emitindo um kiai inaudível. Com um movimento extremamente veloz, salta e aterriza próximo a arvóre; nenhuma pétala cai ao chão, porem Bokuden já porta um galho em sua mão esquerda, galho este que estava na mesma altura do cortado anteriormente. Todos os samurais exclamaram, abismados com a capacidade deste samurai demonstrar que a técnica simplesmente flui, independentemente do kiai e da arma. 

Bokuden simplesmente foi a realidade que o instante apresentava, nada tinha a provar ou demonstrar.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Toshiro Suga Sensei e de Budo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A técnica do Budo por Kenjiro Kawanabe Sensei

























Aluno direto de Gichin Funakoshi como Egami Sensei e Harada Sensei, Kenjiro Kawanabe Sensei foi levado a estudar Budo com nosso Mestre Inoue pelo lendário Tadao Okuyama Sensei. 

Okuyama Sensei tinha feito uma Mushashugyo que o levou às praticas da Omoto, onde se tornou aluno de Inoue Sensei. Ao retornar ao Dojo de Waseda, mostrar sua técnica a Egami Sensei e as colegas mais novos; Egami Sensei e Kawanabe Sensei se tornam discípulos de Inoue Sensei. O relato de Kawanabe Sensei é uma lição para todos os estudantes das Artes Marciais.

Observar “As Flores de Cerejeira caindo que flutuam ao Vento”, este ensinamento nos mostra que elas caem e flutuam sem pensar; e é sem pensar que nos tornamos velozes e leves. Esta é a mentalidade quando se atinge a “Maestria no Movimento ou Ação”. Estas flores não vão contra sua própria natureza, tão pouco contra as leis da Natureza, a gravidade e o vento; isto as faz mais velozes.
Okuyama Sensei e Mestre Inoue ensinavam que o Ki e respiração são indistintos; Kawanabe Sensei acrescenta que o Ki é como uma moeda, com o lado que atua no mental e o lado que atua no físico. O ki, no seu aspecto mental, atua no físico através da respiração e vice-versa.
Logo, no praticante sincero, a importância do Hara vai sendo notada de forma gradual; este é o centro e sede da origem da nossa força física e movimento. Por isso, o primeiro aprendizado no Budo é a coordenação respiração e movimentação do Hara; os pés se tornam a “sombra” do movimento de Hara.
Por isso, a “respiração ideal ou refinada” (Iki) é tão importante no desenvolvimento da técnica; o punho ou chute acompanham. Inalar e exalar, o ritmo natural se faz conjuntamente com o Hara; este último origem e centro onde tudo se produz. A atuação da respiração é como a onda do mar, onda esta que pode ser fraca ou poderosa; toda técnica é expressão desta respiração, como afirma Kawanabe Sensei. A técnica poder ser feroz como um furacão ou calma como uma brisa, tudo vai depender da pulsação Hara-Respiração.
Kawanabe Sensei conta que na juventude, seu treinamento se focava apenas na força física, e que, a partir do seu encontro com Inoue Sensei, que sua “ percepção da técnica do Budo, foi além da idéia do mais forte e mais fraco”.
Inoue Sensei conceituava que o Do é a dádiva e vontade do Universo, que está sendo manifesta a todo instante; basta apenas nos esvaziarmos para que o Fluxo aconteça. Ser observação, ser ação; é a ação que dá origem à Virtude, Verdade, Compaixão, Beleza, etc...
Ser a respiração presente, ser o movimento presente, ser o vento presente, ser o instante presente. Nem mais, nem menos; não existe forte nem fraco, só existe o Fluxo da Realidade.
A prática ideal, segundo Kawanabe Sensei:

A) Respiração, punho, outra parte em contato e Hara são combinados ao mesmo tempo, tudo em perfeita coordenação com a respiração natural.

B) O Hara móvel instantâneamente em todas as direções, sendo e respirando conjuntamento com o Hara, a ação fica repleta de Ki através da prática de Iki (respiração sofisticada).


C) Todo o trabalho deve ser feito de acordo com a sua condição e explicação, mas só práticando se chega ao auto-conhecimento de velocida e e força. Isto é possivel através do ensinamento de Inoue Sensei “ As Flores de Cerejeira caindo que flutuam no vento”.

D) O uso do cotovelo é muito importante e é eficaz quando usado de maneira correta. O respirar apurado e natural produz uma técnica refinada e personalisada. Portanto, o objetivo do treinamento no Budo é treinar a respiração.
Boa Semana.

Oss.

Artigo baseado em entrevistas de Kenjiro Kawanabe Sensei, Mitsusuke Harada Sensei e Taïji Kase Sensei.



quarta-feira, 9 de março de 2011

A Técnica de Esvaziar a Mente: Medite



























É simples, inicialmente devemos ter apenas a vontade de fazê-lo; depois se torna rotineiro. Geralmente pela manhã ou ao anoitecer, quando o ambiente está mais silencioso. Nada de música, excesso de luminosidade ou incenso.

Sente-se em Seiza - costas eretas, sem se inclinar para a esquerda ou para a direita, nem para frente ou para trás. Se não conseguir sentar em seiza, sente em semi-lótus. Em Seiza opte por fazer num tapete com uma pequena almofada apoiada entre as pernas e o cóccix-nádegas; diminui o desconforto dos joelhos e coluna. No caso de semi-lótus, uma almofada apoiando o cóccix e nádegas, ponha uma pequena toalha dobrada sob cada joelho, para protegê-los. Com o tempo, não precisará destas coisas, mas vá devagar; não há pressa.

Gasshô ou Musubi-
É uma expressão de respeito, fé e devoção. Junte ambas as mãos. Quando as duas mãos (a dualidade, os opostos) se juntam, temos o Não-Dual.

Hokkai-jôin-
Coloque as costas da mão esquerda sobre a palma da mão direita. As pontas dos polegares devem se tocar levemente.
Kanki-issoku- Mantenha os olhos entreabertos ou fechados, mente livre de julgamentos.
Exale completamente e inspire, com intenção de encher o Hara no Tanden (2-3 dedos abaixo do umbigo). Retenha a respiração por alguns segundos sem forçar. Abra levemente a boca e exale, suave e vagarosamente todo o ar dos pulmões, comprimindo delicadamente o abdômen. Exale calmamente. A língua deve ficar encostada ao céu da boca. Então feche a boca e inale naturalmente pelas narinas. Mantenha este ritmo.
Kakusoku - Não se concentre sobre qualquer objeto, idéia ou pensamento. Não tente controlar sua mente; deixe ficar por si só. Mantendo a postura e respiração corretas, sua mente se tranqüilizará pouco a pouco. Pensamentos surgem como nuvens, não tente retê-los ou prestar atenção neles; vão se esvanecer. Deixe a mente voltar ao estado natural. Deixe o Fluxo se fazer, não bloqueie nada. Você é livre, você é sua respiração. Pouco a pouco não existe o “você”. O tempo será você que o fará, seu organismo dirá. 10 a 20 minutos para começar está bom; depois você vai aumentando gradual e naturalmente.
Boa prática,
Oss.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Não-Dual por Seng Ts’an























Transcrevo alguns trechos do terceiro Patriarca do Ch’na (Zen) na China, seu mestre foi discípulo de Bodhiharma. Os ensinamentos deste mestre, também são citados nos ensinamentos de Inoue Sensei.

“No grande reino do Ser verdadeiro,
Não existe "outro" nem "eu";
Quando uma identificação direta é necessária,
Só podemos dizer: "não dois".

Sendo “não dois”, tudo é o mesmo;
Tudo o que se é, está compreendido nele.
O sábio estando em todas as Dez Mil Coisas
Entra nesta mesma Consciência Absoluta.

Esta Consciência Absoluta está além do movimento e repouso;
Um instante é dez mil anos.
Não importa como as coisas são considerados como sendo ou não sendo,
Ela é manifestada em todos os lugares antes de você.

... Um em tudo,
Tudo em Um
Se apenas isso é entendido,
Não mais se preocupe com o seu não-ser perfeito!”
(.........)
“Quando nenhuma ofensa é oferecida por eles, há a não-existencia;
Quando a mente não é perturbada, há a não-mente.
O assunto se silencia assim como o objeto cessa;
O objeto cessa assim como o assunto silencia.
Objeto é objeto para o assunto Assunto é assunto para o objeto
Saiba que a relatividade dos dois
Repousa em última instância, na unidade do Vazio.

Na unidade do Vazio, os dois são um,
E cada um dos dois contém em si todas as dez mil coisas.
Quando não há distinção entre este e aquele,
Como pode uma visão unilateral e preconceituosa surgir?”
(....)

“O mais elevado dos Caminhos não requer nada difícil.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre o Zen, de D. T. Suzuki e ensinamentos de Inoue Sensei.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A Mente e A Realidade



Como explicava Inoue Sensei, a Realidade é Fluxo, nada além disso; o resto é criação da mente, através da ilusão egoica. No Zen, simplesmente constatamos a Realidade, nada mais. É através da prática Afinidade com o Universo que obtemos a Consciência de que tudo é Fluxo. Se engana de que o “estudo” da energia vai trazer o “domínio da vida”, isto é ego, como Inoue Sensei nos aponta.

Swami Naseeb nos explica muito bem isto através de seu artigo sobre os aspectos da Realidade:

“... a Realidade não é pessoal, podemos dizer mais uma coisa: o sofrimento é a visão de que tudo é pessoal. O sofrimento é sempre decretado por um ego, por um eu, por uma pessoa que está negando o que está acontecendo.
(......)
A Realidade é um movimento da vida em direção a um novo momento. Mas nós queremos congelar momentos. Queremos fixar emoções. Queremos segurança. Queremos que tudo que está bom continue do mesmo jeito, e tudo que está ruim nunca mais aconteça. Mas a Realidade não é ruim. O que é ruim é o que eu ACHO da Realidade. O que está acontecendo não pode me causar sofrimento, mas sim o que EU ACHO E CONTO PARA MIM MESMO EM MINHA CABEÇA SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO. Isso sim cria sofrimento.

E mais: a Realidade não é algo pessoal! Ela não está interessada exatamente em mim, porque eu não existo sozinho, mas sou um feixe de energias que funciona numa rede de freqüências e vibrações chamada corpo/mente. Mas a vida não acontece PARA mim. Essa necessidade de que a vida acontecesse para mim é a FALA DO EGO. O EGO é aquilo em mim que me separa dos outros, da natureza, da vida, de toda conexão natural que tenho com tudo, já que não existo separadamente de absolutamente nada. Se pudéssemos olhar para a nossa volta observando a energia que tudo é, as moléculas em movimento, os elétrons aparecendo aqui e ali, teríamos uma prova clara de que tudo está inter-conectado. O UNIVERSO ESTÁ INTERESSADO NO UNIVERSO COMO UM TODO. O EGO é que está interessado apenas em mim mesmo!

Sim, a realidade é absolutamente simples. Ela é o que é, a cada momento. Se minha parceira me deixou me deixou, como eu reajo? Nós simplesmente não aceitamos. Cremos que há algo errado. Não pode estar certo, afinal está em desacordo com os nossos propósitos! Queríamos viver a vida inteira com aquela pessoa! Ficamos nos perguntando o que fizemos de errado. E nos culpamos, nos magoamos, guardamos no íntimo a sensação de que estamos “pagando” por algo errado que fizemos, ou em alguma “vida passada”, e que na verdade “poderíamos” estar vivendo algo melhor, ou mais especial, e este fato não deveria ter acontecido assim. Não desse modo. Não comigo. Por que comigo?? É incrível a nossa capacidade para negar e brigar com a realidade! O ego sempre diz: “Por que comigo??”

Meu conceito de realidade aqui é bem simples: Aquilo que está acontecendo, mas, SEM AS HISTÓRIAS QUE FAÇO SOBRE AQUILO QUE ESTÁ ACONTECENDO.”

Boa Reflexão,

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Sensei e nos artigos de Swami Sambodh Naseeb, de 01 março 2011 (http://naodual.blogspot.com/).

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