Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Conto Zen: O Samurai da Ponte.












































A mente, quando no controle, sempre pede desafios dentro do previsível e quando algo é imprevisível, ela nos induz ao medo. Vejamos este outro conto Zen.

Incumbido, por seu mestre, para levar uma mensagem para outro mosteiro, o jovem discípulo, pega a estrada. Porém, para chegar ao seu destino, era obrigado a passar por uma ponte que um samurai errante tinha se apossado dela. 

Este samurai queria se tornar famoso duelista, por isso queria derrotar cem ou mais em duelo. Ao chegar à ponte, o jovem monge é informado que terá de duelar para passar e 99 já tinham perecido, tentando. O orgulhosos samurai, tinha passado pelas melhores escolas, estudando vários estilos e se vangloriava de tudo saber.

O jovem suplica passagem, pois é apenas um monge, mas nada feito, teria de duelar; sem duelo não passa. Pergunta ao samurai: 

“Posso duelar a qualquer, instante, seja mais cedo ou mais tarde?”. 

O samurai afirma que sim, não importava a hora, e o rapaz diz que então duelaria na volta, após entregar a mensagem no mosteiro, já que não importava a hora. Confuso, o samurai o deixa passar, pois só se saída do povoado pela aquela ponte. 

Ao entregar a mensagem, o jovem conta, ao monge superior, o acontecido e que iria morrer para manter a palavra. O sábio Mestre, com uma expressão de compaixão, deu-lhe então um último conselho: 

“ De certo irás morrer, como todos nós iremos um dia; então, guarde bem em tua mente o que te falarei.

 Primeiro, já que a morte é certa, não tens de temê-la pois a encontraremos a qualquer instante; então vou te ensinar como morrer dignamente , de maneira rápida e indolor. 

Segundo, pega este sabre, levanta-o sobre sua cabeça, feche os olhos e espera impassível, com a mente vazia. Logo sentira um frio sobre o alto de seu crânio, é a morte. Neste instante solta teus braços.”

Agradecido, o jovem vai para ponte e quando lá chega, o samurai se põe em kamae. O monge levanta o sabre sobre a cabeça, fecha os olhos e fica impassível, como o Mestre disse. 

Esta postura surpreende o exímio samurai, sem demonstração de medo ou receio; o monge só se concentra no crânio de mente vazia e aceitando o instante presente.

Desconfiado, o samurai avança devagar, novamente analisa o adversário e sua mente começa a ficar repleta de pensamentos:

“Este deve ser muito forte, não age como um amador e aceitou prontamente o meu desafio”. 

O monge continua impassível, sem dar atenção aos movimentos do outro, já sem foco nenhum na mente. Corpo firme porem relaxado, braços imóveis.

O guerreiro começa a sentir o medo brotar, pois esta sem o controle: 

“Avaliei mal, estou em frente a um grande guerreiro. Só os grandes mestres do sabre tomam uma postura nítida de ataque no inicio de um duelo e fecham os olhos”. 

E o pequeno monge espera pacientemente o instante em que sentirá o famoso frio no topo da cabeça.

O samurai, agora desconcertado, não ousa nem atacar ou provocar uma reação do pequeno; isto é novo para ele, não conhecia aquela técnica. Receia de que o mínimo gesto de sua parte resultará em ser partido ao meio.

O monge, que já havia esquecido do samurai e do mundo a sua volta, abre os olhos devido os gritos e súplicas do guerreiro: 

“ Por favor, tenha piedade de mim e não me mate. Acreditava ser o rei do sabre mas nunca me deparei com um mestre que nem o senhor. Eu vos rogo que me aceite como seu discípulo e me ensine o verdadeiro Caminho da Espada.”

Oss.

Baseado em Livros de Contos Zen

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