Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

Seguidores

sábado, 22 de janeiro de 2011

Shin’ei Taido e Técnicas de Energia Ki e Iki






















Mais uma vez, me perguntaram, nesta semana, como era o Shin’ei Taido na prática com a energia, como fazer para “dominar” a energia; qual seria o melhor método ou técnica.

Conforme as pessoas vão falando de sua caminhada à procura da “maestria do caminho da energia”, vejo quão árdua foi (ou ainda é) sua procura, procurando distante algo que está logo aí; vivemos imersos num “oceano” de energia porém as pessoas crêem que tudo é fora e distante.

Recentemente, quando fiz um curso de métodos tradicionais japoneses ouvi de um dos meus Senseis uma estória atribuída a Usui Sensei, quando este foi questionado da mesma maneira que eu fui; mas ela tem elementos tão característicos da tradição ancestral japonesa, que vou contar esta versão abaixo.

Após uma campanha extenuante, um grupo de samurais chega a uma praia onde encontram um grande mestre, conhecido por suas técnicas de ki. Ao mestre eram atribuídas muitas façanhas como curas, acabar com duelos, entre outras.

Um dos samurais, encantado com a presença do grande mestre, estímulou à todos irem conversar com o sábio para aprenderem a lidar com a energia. O mais novo do grupo perguntou: “Venerável Mestre, como funciona o Ki, como atua o Iki, como podemos entendê-lo?”. 

O Mestre olhou gentilmente e disse que não podia explicar o que não pode ser explicado. O rapaz não acreditou o que ouvia, enquanto os outros samurais riam dele. Vendo a sinceridade no olhar do jovem samurai decepcionado, disse o mestre: “Mas eu posso fazer uma lição prática para você, você aceita fazê-la?”. O jovem samurai aceitou prontamente, nem retirou a armadura, que estava empoeirada da jornada.

“Vê aquele cesto de vime velho que está ali no jardim? Pegue-o, vá lá embaixo, na praia, encha com água do mar e traga-o para mim aqui em cima”; disse o mestre. O rosto do samurai se iluminou e prontamente desceu com o cesto vazio. O cesto foi enchido d’água, e quando chegou ao mestre no alto da praia; a água toda foi perdida pelo caminho pois saiu pelos buracos do cesto velho.

O mestre perguntou ao jovem guerreiro o que tinha acontecido e o jovem respondeu que nada, apenas o cesto vazio como antes. “Então desça, encha o cesto novamente e traga-o para mim”; disse o mestre. 

Nosso aplicado samurai fez novamente, sem entender mas sem questionar; isto inúmeras vezes, pois toda vez que chegava lá em cima sem água no cesto, sua resposta era a mesma para a mesma pergunta. Ele era sincero, pois não entendia mas continuava a fazer o que o mestre pedia. 

Na vigésima vez, quando perguntado o jovem respondeu: “O que aconteceu de diferente é que apesar de não haver água no cesto, tanto o cesto como minha armadura, estão mais limpos”. Todos os outros samurais, que achavam engraçado o mais jovem deles,ficar descendo e subindo com um cesto velho que não retinha a água, afirmaram que perceberam gradativamente, nas ultimas vezes, a mudança na armadura do companheiro.

O mestre, então explicou que a energia passa através de nós, como através dos orifícios do cesto, e, se não queremos retê-la ou bloqueá-la (como advertia Inoue Sensei), passamos a nos beneficiar. Não tem como vedar todos os orifícios do cesto de vime, principalmente quando vai ficando mais velho; a maestria está em se afinar com a energia do Universo, percebendo como o Fluxo atua através de nós e em nós. Não importa que nome vai ser dado a esta energia, pois nome é apenas um conceito. 

Quanto a técnicas que dão “domínio”: é simples, ser sincero e ter um shin (coração-mente-espírito) livre de raiva, cobiça e rancor; ao contrário, quando todos os canais estarão bloqueados, se inicia um processo de desarmonia física em nosso ser, como advertia Inoue Sensei e outros grandes mestres.

Agora, atenção nos pensamentos e emoções de aspecto “negativo”, pois um cesto de vime totalmente vedado, o excesso de água, no caso energia, será maléfico. O que muitos pensam que é excelente, o reter que vem de um desejo egóico de cobiça, a energia que seria “boa” se torna “maléfica”, causando doenças ( é a famosa energia mortal, só que é mortal para quem acha que a domina, pois tudo ocorre em você). No exemplo do cesto de vime, ele vai se estragar com a umidade e vai se romper. Esta é a analogia.

É isto, tenham uma excelente semana.

Oss.

Baseado em entrevistas e artigos sobre Inoue Sensei e Usui Sensei.

2 comentários:

  1. Hola Ricardo,
    Muchas gracias por compartir esta historia, es cierto la cesta de mimbre es una buena analogía, y lamentablemente conozco a varios aikidokas de alto grado que han sellado los agujeros,
    un abrazo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Buenos Días, Carina,
      Lamentablemente, los seres humanos tienen una tendencia a "intentar controlar" y "intentar dominar", son las trampas de mente y ego. A menudo, la búsqueda de conocimiento y titulación nos puede llevar a esto, por esto la necesidad de estarmos siempre al tanto (atentos).
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo..

      Excluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails