Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Respiração, Ki e Hara

























Sabemos que Kawanabe Sensei, Okuyama Sensei, Egami Sensei, Harada Sensei e Kase Sensei, treinavam juntos no dojo de Waseda. 

 Após Tadao Okuyama sair do dojo para sua busca de aprimoramento, no seu retorno, anos mais tarde volta a Waseda com um ataque fulminante, que nem o excelente bloqueio de Egami Sensei era possível de detê-lo. Sabendo que Tadao era discípulo de Noriaki Inoue Doshu, Kawanabe Sensei se junta aos treinos de Budo.


Existe o relato de que foram excelentes anos de estudos, sendo que Egami Sensei se juntou a eles. Egami Sensei tinha ficado muito impactado com a técnica de Tadao Okuyama, quando este retornou do seu período de estudos com Inoue Doshu demonstrando um ataque poderoso (segundo relato de Harada Sensei), indefensável; parecia que o golpe chegava antes do punho. 

Egami Sensei começou, então, a pesquisar e meditar sobre o que chamaria mais tarde, de conceito de Toate (técnicas que ultrapassam a mera execução física), e inicia um periodo de ascetismo, buscas e questionamentos. 

 Após certo tempo, procura o Dojo de Inoue Doshu e pede para aceitá-lo como discípulo. Noriaki Inoue diz que o aceita devido sua demonstração desinceridade, virtude e perseverança. A viúva de Egami Sensei, contou anos mais tarde, que este foi um dos dias mais felizes de seu marido, tamanha a alegria de ter sido aceito por Inoue Doshu.


Segundo Kawanabe Sensei, Inoue Doshu ensinou os aspectos espirituais e teóricos do Budo a Egami Sensei , já que o próprio Noriaki Inoue disse que não tinha nada a ensinar sobre a parte física. Este grupo ficou treinando e estudando juntos, com orientação de Inoue Doshu por um período de 3 a 4 anos; dividiam o seu dia entre os treinos em Waseda e no Dojo Inoue.

Egami Sensei passa, então, a estudar os princípios da circulação da energia vital e adota o conceito de técnicas de prática descontraída, após observar que os golpes de maneira “descontraída” tem um enorme efeito. Em 1963, (ou talvez pela superação da sua débil saúde), acaba por definir, como o Toate - ataque à distância, sem contato físico, um novo caminho para os seus discípulos.

Kawanabe Sensei nos conta que aprendeu muito sobre o Budo e atuação de Ki com Inoue Doshu e Tadao Okuyama Sensei. Okuyama Sensei lhe ensinou sobre a atuação do Ki e a respiração, e Kawanabe Sensei sempre expressou as duas faces do Ki : os aspectos mental e físico; o mental aparece e trabalha fisicamente sob a forma de respiração. Isto tudo se integra ao Hara (Seika no Tanden).

Praticava-se que respiração e golpe de sabre (ou punho ou chute) deve ser uma coisa só, ao mesmo tempo um com os outros aspectos. 

Como no "Ki-Ken-Tai no itchi", quando energia- sabre (ou membro, no caso)-corpo são UM. "Itchi" significa corresponder, acordo ou coincidência; neste caso significando ser um, uma ação unificada. 

O inalar e exalar pode criar movimento, energia e ritmo, sendo que o Hara é realmente parte da fonte que produz tudo. Trabalho da respiração é como uma onda do oceano que mostra vários fenômenos; todas as técnicas são a expressão da respiração. Diz-se ser possível desenvolver a técnica violenta de um furacão, assim como a técnica de calma com a “Respiração do Hara”.

Bom Fim de Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre Egami Sensei, Kawanabe Sensei, Harada Sensei, Okuyama Sensei e Kase Sensei.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Não-Dual e Estado Primordial
























Para falarmos sobre o Estado Primordial, devemos abordar o conceito de Satcidananda (ou Satchitananda), que é considerado por muitas Escolas como estado primordial ou energético da Não-Dualidade. Osho nos exemplifica bem, com este texto:

"O Estado Primordial está repleto de bem-aventurança, mas não há ninguém para reconhecê-la. As árvores ainda existem naquele Estado Primordial, as montanhas, os oceanos, as nuvens, os desertos, todos ainda existem naquela Consciência Primordial. É o estado de inconsciência.

Buda chama isso de Puro Nada, porque não havia distinção, não havia demarcação. Era nebuloso: nenhuma forma, nenhum nome, como uma noite escura. (...) Há muitas teorias propostas, mas a teoria do Big Bang é a mais aceita, de que a partir daquele nada, coisas explodiram como uma semente explode e se torna uma árvore (...)

Uma única semente pode preencher a terra inteira (...) E não apenas a terra, mas todas as terras possíveis na existência. Uma única semente! E a partir desse Nada, o Todo se desdobrou (...)

Tentarei explicar esse "Começo sem Começo" porque você não pode voltar, mas há uma maneira de seguir em frente. E como tudo se move em circulo, o tempo também se move em circulo. (...) No Oriente acreditamos no tempo circular. E o conceito oriental é mais próximo da realidade, porque todo movimento é circular. A terra, a lua, as estrelas, o ano, as estações, a vida, tudo se move em circulo. (...)

Então porque deveria haver exceção para o tempo? O tempo também se move em circulo. Não podemos voltar, mas se você for para frente, se seguir adiante, um dia alcançará o "Começo sem Começo", ou pode chamá-lo agora de “Fim sem Fim”. Buda o conheceu e experimentou. (...)

Nessa experiência três coisas de desenvolvem: A primeira, o Universo, que no Oriente chamamos de Sat, significa Ser; Do universo se desenvolveu a Vida, o que chamamos de Ananda. E da vida se desenvolveu a Consciência, que chamamos de Chit. Sat significa Ser; Ananda significa celebrando o Ser, e quando uma árvore vem a florescer, ela está celebrando o seu Ser; e Chit significa mente/consciência, quando você ficou consciente de seu estado de plenitude, de sua celebração. Esses três estados são chamados de Satchitananda.

O ser humano chegou até a consciência. As rochas ainda estão no primeiro estágio do Universo; elas existem, mas não florescem, não celebram; estão fechadas voltadas para si mesmas. Algum dia elas começarão a se mover, abrirão suas pétalas, mas no momento estão afundadas em si mesmas, completamente fechadas.

Árvores e animais, esses chegaram ao estágio seguinte, a vida, tão feliz, tão bela, tão colorida. Os pássaros ficam cantando, as árvores ficam florescendo; esse é o segundo estágio, a vida. Apenas o ser humano alcançou o terceiro estágio; estágio da mente, estado Chit, Consciência.

Buda diz que esses três estágios são como um sonho. O primeiro, "Começo sem Começo", estado primordial, é como o sono Sushupti. Esses três são como um sonho, como um drama, que continua se desdobrando. Se você for além da mente, se começar a caminhar em direção a meditação, isto é, em direção a não-mente, de novo outra explosão acontece; porém, agora ela não é mais uma explosão, mas uma implosão; assim como um dia a explosão aconteceu e milhões de coisas nasceram a partir do nada, da mesma maneira quando a implosão acontece, formas e nomes desaparecem, e novamente o Nada nasce daí. O círculo está completo. (...)

Explosão não pode existir sem implosão; elas caminham juntas. A implosão significa que de novo a Consciência penetra na Vida, que a Vida penetra no Universo, que o Universo penetra no Nada, e então o circulo se completa. O Nada penetra no Universo, o Universo penetra na Vida, a Vida penetra na Consciência, a Consciência penetra novamente na Vida, a Vida penetra novamente no Universo, o Universo penetra novamente no Nada. O círculo está completo.

Após a implosão, quando ela aconteceu, quando tudo novamente chegou ao Nada, agora há uma diferença. O primeiro Nada foi inconsciente, este segundo Nada é consciente; o primeiro foi escuridão, o segundo é como a luz; o primeiro foi como a noite, o segundo é como o dia. O primeiro é Sushupti; o segundo Jagriti, Percepção, Despertar completo.

Este é o circulo todo."

Boa Reflexão.

Oss

Baseado em artigos sobre Zen, Advaita e Osho “Buda, sua Vida e seus Ensinamentos”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Sabor da Impermanência




Encontramos um conto na Tradição Zen que é atribuído a Sidarta Gautama, que teria sido transmitido aos discípulos:

“Ao raiar do dia, um homem atravessava o campo, totalmente distraído, quando se deparou com um tigre. Vendo o animal, começou a correr com o tigre em seu encalço.
Corria muito e a todo instante olhava para trás, devido ao medo; esta falta de atenção o fez cair em um precipício, que estava à sua frente. Escorregando pela ribanceira, consegue se agarrar a um arbusto, a uma distância que permitia ao tigre cheirá-lo; ao olhar para baixo, viu que tinha outro tigre, mais claro, que o farejava ao longe.

O homem decidiu esperar o tempo passar ali agarrado no arbusto e ambos os tigres esperavam cheios de apetite. Apesar do medo, o homem achava que estar pendurado no arbusto, seria a salvação de sua vida e já se acostumava com a idéia.

Quando começava a entardecer, se aproximam dois ratos, um branco e outro preto. Os pequenos animais, começam a roer o arbusto, calmamente, iniciando pelas raízes; roíam um pouco aqui, um pouco ali.
Só nesse momento, que o homem percebeu que próximo às raízes do arbusto, tinha um fruto apetitoso; esta visão faz com que o homem solte uma das mãos para colher o fruto e levar à sua boca.
E nunca um fruto fora tão saboroso como este.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre o Zen.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Natureza Mestre-Discípulo




O mestre nunca faz coisa alguma, e se o discípulo se mantiver separado, nada irá lhe acontecer; o esforço existe do lado do discípulo.


A presença do mestre está aí, assim como a luz: você abre os olhos e a luz está aí, ela não se dirige para eles, especialmente. Se os olhos não são abertos, a luz não é percebida; ela é indiferente, o receptor (no caso, o discípulo) é que deve ser ativo. A partir disto, o receptor poderá perceber o mundo à sua volta. Mesmo sem ação intencional, a luz se faz necessária; da mesma forma, o mestre. O discípulo tem de fazer tudo no processo, ser ativo no processo, senão se torna um marionete nas mãos do mestre; não existindo evolução e sim um esteriótipo. Nenhum mestre verdadeiro aceitaria tal fato.


Segundo Osho, um mestre pode dar todo o seu ser, mas somente como presença, não como uma ação. Um mestre autêntico jamais faz coisa alguma. Ele se disponibiliza de muitas maneiras; ensina como estar disponível, aberto e receptivo.


O mestre está presente e disponível, em sua radiação tudo começa a crescer. Mas ele não toca em você, ele deixa você ser aquilo que você já é; qualquer que seja o seu destino, você não deverá ser levado para fora dele. O mestre pode estar conectado com muitos discípulos, mas a conexão é essencial, não organizacional; cada discípulo está conectado com o mestre por sua capacidade individual.


O espaço e tempo não fazem qualquer diferença na relação mestre- discípulo porem, como os discípulos tem, ainda, muitos desejos e expectativas, tem-se a impressão que espaço e tempo existem. Eles não fazem diferença, mas a expectativa da iluminação é suficiente para dar esta falsa impressão. O segredo do aprendizado é abandonar todas as ambições, pois não há nada para ser alcançado.


Quando Sidarta Gautama morreu foi um grande choque para todos os discípulos, mesmo para o mais próximo, Ananda. Porem, os discípulos Manjushri, Vimal Kirti e Sariputtra permaneceram completamente silenciosos, como se nada estivesse acontecendo. Eles não eram duros nem frios, simplesmente já tinham cruzado a barreira entre mestre e discípulo; eles entraram na consciência do mestre ou permitiram que a consciência do mestre entrasse neles, o que quer dizer a mesma coisa: os dois desapareceram e agora existe apenas um. O problema é: deseje demais a iluminação e você a perderá, retenha em algum lugar do seu inconsciente o desejo de alcançá-la e você não alcançará.


Esquecendo tudo sobre iluminação, vivendo no presente; onde quer que você esteja, o mestre estará com você, a dualidade deixa de existir: as duas chamas se tornarão uma. Na dualidade existe discípulo e existe mestre, na não-dualidade isto desaparece; o que permanece é apenas a pura consciência.


Boa Reflexão.


Oss.


Baseado nos textos de Osho, em Beyond Enlightenment

domingo, 13 de novembro de 2011

Ser Observação


Muito se pergunta como se faz para “Ser Observação”, se existe técnica ou algum tipo de exercício especial, qual escola a seguir. Como resposta a estes questionamentos, trago este texto de Satyaprem:

“A Observação é eterna, o agora é eterno. Do ponto de vista da mente, nós chamaríamos isso de permanente. Mas o eterno não é permanente, porque o eterno não faz parte do tempo. Essa sentença não é crível pela mente, ela não consegue colocar esse ambiente em perspectiva, trata-se de uma grande novidade. Proponho que insista até que a realização seja límpida.

A mente pensa que existe um você. De nenhuma maneira sugiro que pare de pensar, apenas veja que é a mente que pensa que existe um você, e estaremos conversados. Você não precisa fazer nada com a sua mente, não se engane, ela não é sua. Deixe-a fazer o que quiser e não se envolva. Não há a menor exigência do Ser em alinhar a mente. Essa exigência vem da própria mente e é absolutamente falaciosa.

Tudo o que tentar fazer com a sua mente, estará sendo feito do ponto de vista da própria mente, não da Observação. Até porque, do ponto de vista da Observação – que é um ponto de vista sem ponto – não tem mente. No agora não tem mente. Olhe com acuidade e veja que isso não é discutível. De onde você está olhando, sei que não é possível ver que não há mente. Mas, de fato, não há. E, se quer provar, olhe para o agora.

Mergulhe no menos de um segundo e lá estará o Silêncio que você é. Para a mente seria fantástico organizar essas visões de uma maneira racional, para que pudesse controlar tudo o que passa. No entanto, esses lapsos, essas visões, são rompimentos dessa sequência, desse fluxo mental que organiza as coisas. Portanto não há nenhuma necessidade em organizar, a mente não tem nenhuma propriedade sobre isso. É justamente desorganizando a fluência da mente que um vislumbre acontece. Esse lapso de instante fora do tempo, onde você vê o agora, é sempre surpreendente. Não tente organizar. Quando você tenta organizar, ele some.

E, saiba, você não precisa falar sobre isso. O que você está vendo é visto nos seus olhos. Não perca tempo com explicações. A Verdade é Verdade até embaixo d’água – não tem o que fazer com isso. Não tem o que discutir ou melhorar. Repouse no agora e se renda à simplicidade de ser você, livre de explicações, ordem ou metas.”

Boa Reflexão.

Oss.

Texto de Satyaprem:Um Lapso Limpido do Instante

domingo, 6 de novembro de 2011

O Som Único do Zen
























A tradição Zen fala do monge Kakuan, que habitava no Monte Hiei. 
Este antecessor de Eisai Zenji, tinha ficado muito tempo na China e, naquela época a aristocracia do Japão passou a se interessar pela cultura chinesa. Conta-se que foi chamado pelo Imperador para explicar a essência do Zen, em uma breve audiência que seria oferecida à Corte. Assim que Kakuan chegou ao Palácio Imperial, foi encaminhado ao salão aonde conselheiros, cortesãos e convidados esperavam, junto ao monarca, ansiosos para ouvir o que era o Zen.

O monge se curva diante o Imperador, e em silencio, fica ouvindo os questionamentos de todos; todos queriam uma grande demonstração. Foram muitas perguntas e, com um gesto, o monge pede a audiência que espere. Todos estavam curiosos para ouvir o relato e o monge fica imóvel, em silêncio diante de todos, o que desencadeia um murmurio intenso, já que as pessoas que alí estavam achavam um enorme desrepeito à eles a ao Imperador.

O murmurio se torna um barulho insuportável, quando Kakuan tira das dobras de seu robe uma flauta de bambu. Com muita reverencia e concentração, ele coloca-a na boca, e após uma lenta respiração, sopra, emitindo uma nota longa .

Este som faz com que todos se calem, todos apresentam uma expressão de atordoamento e surpresa em suas faces; não existe mais arrogância e sim uma sensação que não podia ser explicada pelos convidados. O silêncio se faz, não apenas no salão, mas em todo o palácio. Após o som único, a pausa; o tempo parecia ter parado, todos experimentavam uma sensação única.


O Zen não pode ser explicado; esta foi a maneira que Kakuan achou para demonstrar o Zen, num breve periodo de tempo, como queria o Imperador.
O monge, após sua demonstração, guarda a flauta e se curva perante o Imperador. Enquanto todos estão absortos, com a mente na pausa, ele sai do salão, voltando para o Monte Hiei. Nunca mais se ouviu falar dele.


Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Zen e Suizen.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Flauta Zen




















Suizen, é uma prática do Zen que visa atingir níveis mais elevados de consciência e é conhecido como a prática da respiração Zen, sendo utilizada a flauta Shakuhachi.

 A prática da respiração é muito comum muitas disciplinas orientais, assim com nas Artes Marciais, visando o equilibrio interior. Através dos estimulos das fibras parassimpáticas, predominantes no sistema respiratório, que induz um estado de calma interior.

Com a experiência, você começa a encadear notas no mesmo fôlego, cada vez mais centrado e tranquilo.Com o tempo, tomamos consciência da pausa; pouco a pouco notamos os efeitos que as várias notas sobre a nossa consciência e passamos a agir intuitivamente.

A partir desse ponto, não existe mais separação entre quem toca, flauta e som. O aparecimento desta prática tem uma história muito interessante, conforme o texto abaixo, de Anderson Rabello Pereira:

“A flauta Shakuhachi chega ao Japão, vinda da China, por volta do século VII. Quando a música Gagaku foi introduzida neste país. Após seu ingresso no Japão, o Shakuhachi Gagaku sai de moda na China e no século X só era tocado na ilhas japonesas. No século IX a música Chinesa tocada no Japão começa a sofrer alterações e o Shakuhachi Gagaku cai em desuso. O monge Ennin (794-864) o utilizava com o canto do Sutra Amida ou Amida Kyo.

Na Idade Média, o Shakuhachi era instrumento de acompanhamento de Soga (canção e dança de Sarugaku, precursor do teatro Noh). O sarcerdote Ikkyu (1394 a 1482), viveu no período do florescimento do Zen Budismo; era um monge Rinzai que tocava Shakuhachi e deu origem a ramificação Fuke (origem do Shakuhachi moderno).

No período Edo vários samurais tornam-se Ronins, por dissolução de feudos e desaparecimento de diversos Daimios. Como praticantes do Zen, vários ingressam na seita Fuke , unindo-se aos monges Komusos (sacerdotes do nada). Caracterizavam-se por usar os “Sangu” (três instrumentos): Kesa, dogi (quimono) preto; o Tengai,chapéu de palha em forma de cesto, simboliza desprendimento do mundo material; e o Shakuhachi Fuke, do qual detinham monopólio. 

 Tinham os “San In” (três selos): o Honsaku- autorização Komuso; Ein- cartão de identificação e permissão de viagem. Os Ronins não podiam utilizar suas espadas, então, o instrumento musical sofreu modificações para ser convertido em arma de defesa, como um bastão pequeno e resistente. Esta reformulação estrutural aumentou o número de nós (Ichi (um) shaku hachi (oito) Sun isto é, 30,03cm mais oito vezes 3 cm aproximadamente 54,5 cm) e passou-se a utilizar a parte da raiz do bambu mais resistente, com uma acústica melhor; era ferramenta religiosa “Hoki”. Os Komusos praticavam o “Suizen”.

A fundação da Fuke consta no documento Keicho no Okitegaki, decreto do século XVII, onde constavam os direitos e deveres da seita, bem como privilégios especiais. Após os primeiros oitenta anos, as regras e disciplinas dentro dos templos Komusos foram decaindo. Em 1847 foram proibidos os privilégios especiais e em outubro de 1871 o governo Meiji aboliu a seita Fuke.

O Shakuhachi é confeccionado com bambu Madake e uma característica é ter sete nós bem definidos, sendo os três últimos (campana) formados pela raiz. Tem embocadura simples, apenas um corte com ângulo de trinta graus e cinco furos. Suas medidas, porem, seguem rigorosas. Possui sonoridade rica em harmônicos e efeitos sonoros, como o “Muraiki” e o “Meri Kari”; escala pentatônica (ré, fá, sol, lá, dó, ré, que correspondem a “ro, tsu, re, chi, ri).

No século XVIII foi atribuido a Kurosawa Kinko (1710 a 1771), um monge Fuke, o ensino do Shakuhachi nos templos em Edo. Nascido em Furoda, ilhas Kyushu, de família samurai, Kurosawa viajou por todo o Japão recolhendo e organizando as peças Fuke, conferindo maior elegância e musicalidade. Seu estilo foi transmitido através de gerações da sua família. Após isto, o samurai Hisamatsu Fuyo, discípulo de Kinko III, tornou-se então o iemoto da linhagem, dando continuidade ao estilo. 

Hisamatsu manteve os aspectos da disciplina Zen intrínseca à tradição, mas, salientou sua importância como instrumento musical (gakki), dando um direcionamento artístico à flauta. Yoshida Itcho e Araki Kodo lideraram a transmissão do estilo após a morte de Hisamatsu.

A escola “Kinko Ryu” só ocorre a partir de Kinko II, com a necessidade de usar este termo para diferenciar do “Ikkan Ryu” (criado por Miyaji Ikkan, um dos melhores discípulos de Kinko). A linhagem Kinko está presente em diversos países, inclusive no Brasil.”

Bom fim de semana.

Oss.

Artigo escrito por Anderson Rabello Pereira, pesquisador de Tradições e Artes Marciais japonesas; especialista em confeccionar Shakuhachi.

sábado, 22 de outubro de 2011

Shin Shin Toitsu Do e Nakamura Tempu Sensei























Nascido em 30 de julho de 1876, sob o nome de Saburo, oriundo do Clã Yanagawa de Kyushu, foi um dos mais populares filósofos japoneses, que influenciou muitos Mestres de Artes Marcais (além de políticos, empresários, artistas, escritores, etc.). 

É conhecido como o fundador da Yoga Japonesa ou Shin Shin Toitsu Do (Caminho da Unificação da Mente e Corpo), tendo como alunos Tohei Koichi Sensei, que posteriormente fundou o Shin Shin Toitsu Aikido, e Tada Hiroshi Sensei, que desenvolveu o Ki no Renma (ou Cultivo do Ki), um sistema de exercícios respiratórios e de meditação.

Desde cedo praticou Judo, Kenjutsu e Iaido; entrando para o exército aos 16 anos de idade e foi enviado, como agente secreto, para servir no estado de Manchukuo. Por volta dos trinta anos de idade, contraiu tuberculose de forma severa e percorreu o mundo atrás de cura.

Em 1911, encontra um filósofo com o nome de Kaliapa, que o leva para a terceira maior montanha do mundo, o Monte Kangchenjunga, entre a Índia e o Nepal. Lá fica praticando Raja Yoga e Karma Yoga; fazendo estudos e práticas ligadas ao Prana (Ki no Japão), ficando curado.
Kaliapa postulava que somos um com o Universo, de que estamos imbuídos da Energia Universal, logo, todo ensinamento vem direto a nós; basta apenas estarmos receptivos.

Nakamra Sensei retorna, então, ao Japão, para divulgar este Caminho. Faleceu em primeiro de dezembro de 1968. Seus ensinamentos são práticos e diretos, vejamos alguns:


“Só se vive uma vez, mantenha-se no presente. O passado se foi e o futuro é desconhecido.”

“Não pense no trabalhar como dever, senão se torna um fardo. Transforme-o num prazer, vivendo de modo respeitoso, correto, positivo e corajoso.”

“Seja sempre agradecido, honesto, gentil e agradável. Seja gentil e verdadeiro ao falar.”

“O corpo e a mente formam uma única entidade; a vida segue leis naturais básicas que não devem ser violadas. Sua atitude em relação à vida determina os seus resultados.”

Boa Reflexão.



Oss.
Baseado em artigos sobre Nakamura Tempu Sensei e sobre Tohei Sensei.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Despertar





















Conta-se que um homem que se sentia muito infeliz, devido a uma doença e perdas familiares, saiu de sua vila para falar com um Grande Mestre, que habitava num templo em outra vila. O homem queria que o Mestre lhe explica-se as causas de seu infortúnio, tinha de haver uma explicação.

Chegando ao templo, o forasteiro encontra o Mestre no jardim ao fundo, praticando bastão com os seus discípulos, todos compenetrados, o silencio era imenso. O homem ficou em pé, esperando ser visto ou que lhe dirigissem a palavra, porem só existia um grande silêncio harmônico, que só o deixava mais ansioso. Subitamente, se atira aos pés do Sábio, chorando e gritando: “Grande Mestre, olha para mim, escuta-me, mostra-me as causas de meus sofrimentos. Por que isto acontece a mim? Por que estes eventos me perseguem, justo a mim?”

O Sábio, sem se abalar, olha com compaixão e diz: “Agora não posso te responder nada, não assim como estás; só falas de doenças, perdas e infelicidade. Se te respondo, não compreenderas, pois a mente ocupada pela doença, por sentimentos de perda ou infelicidade, não o permite. Voltas para tua casa e só retornes quando melhorares.”

“Então, nada me falarás? Não posso retornar para casa de mãos vazias, tens de falar o que quero saber.”-retruca o forasteiro.

“Digo algo para ti: Seu interior está tumultuado, como um mar numa tempestade; tudo está perdido neste turbilhão. Estás como um cego a caminhar no escuro. Indico este meu discípulo mais jovem, para que te sirva de guia e dou-lhe meu bastão que sirva de apoio para ti. Como não queres voltar, iras com ele para um cabana que temos ali na montanha, ali exercitaras bons hábitos, praticas físicas e de meditação, até ser chamado de volta”.-sentencia o Mestre.

Subindo a montanha, o suplicante descobre que o jovem guia faz a prática do silêncio e deverá ficar sem falar até voltar para o convívio do templo.

Passam-se os dias, o mais velho começa a seguir a rotina do mais jovem: saudar o sol pela manhã, exercitar-se com o bastão, caminhar pelo planalto, parando para perceber o vento tocar na pele. À tarde meditavam e à noite contemplavam a lua. Todo mês subia um monge para levar comida, instruído para dar a mesma resposta caso o visitante perguntasse quando deveria ver o Mestre, o que sempre acabava acontecendo: “Ainda não é o momento”.

Dia após dia, os dois eremitas se concentravam na rotina de atividades, com o passar do tempo, o forasteiro já não se lamentava mais, tão pouco os fatos remoíam em seu interior.

Certo dia, vendo a lua, que estava cercada de nuvens, ia comentar que as nuvens lá estavam para estragar a bela visão, quando tomou consciência de que todo era perfeito: as nuvens eram apenas passageiras, que nada tinham a ver com a presença da lua, tampouco existia uma intenção de atrapalhar, elas apenas estavam por ali. A lua sempre esteve ali, assim como as estrelas, o cosmo, as montanhas; simplesmente estavam lá.

Tomou consciência que assim eram os eventos da Existência, eles apenas ocorrem, a mente egóica é que afirma existirem razões para que aconteçam com esta ou aquela pessoa. Olhando a lua, respirou profundamente e saboreou a sensação do frio da noite em sua pele, pois era isto que se apresentava no momento. Sua mente estava vazia, seu coração pacificado.

Naquela noite teve o melhor sono dos últimos anos, assim como, daqui para adiante; não mais perguntava pelo retorno ao templo ou pelo Grande Mestre.

Quando ia completar um ano de retiro, o Grande Mestre mandou um emissário avisar aos dois eremitas que já era hora do retorno e se o forasteiro queria as explicações, quando chegasse ao templo.

“Diga ao Mestre que daqui retorno para minha vila, já ouvi todas as explicações dele vindas daqui mesmo, não existem mais perguntas.”- falou o forasteiro apontando para o seu coração.

Ao retornar para a vila, os habitantes não reconheceram o antigo vizinho; estava muito mudado, com um semblante diferente. Curiosos, perguntaram o que tinha acontecido, e o homem responde: “Mudando de hábitos e meditando, pacifiquei a minha mente. Agora, mesmo a distancia, ouço as respostas do Mestre; elas estavam aqui dentro, eu apenas não as escutava, pois a mente estava repleta.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Contos Zen, Matthieu Ricard e Osho.

domingo, 2 de outubro de 2011

1,2,3 e o Silêncio
























Conta-se sobre uma tradição comum nos mosteiros Zen, era conceder pernoite aos monges peregrinos, desde que eles participassem de um debate; se “vencesse”, o forasteiro poderia ficar por uma noite, senão, deviam continuar a jornada após ligeira refeição.

Havia um templo, cujo Monge Superior era um exemplo de Consciência e Compaixão; com ele estava seu irmão mais novo, que só enxergava o mundo com a perspectiva de um olho (pois tinha perdido o outro). O jovem, ao invés de se dedicar aos estudos e práticas, sempre ficava contado e relembrando a história de sua perda, ano após ano; com isto, não conseguia atingir o nível de seus colegas, permanecendo sempre preso a determinados conceitos.

Certo dia, um monge peregrino pediu para participar dos ciclos de ensinamentos e, após isto, pernoitar no local. O dia foi longo, mas o forasteiro estava entusiasmado com os ensinamentos do Monge Superior, sempre participativo. No final das palestras, ao anoitecer, o forasteiro pergunta pelo abrigo e, passa a conhecer a tradição do templo, o Monge Superior seria o responsável por tal tarefa. Como havia muito ainda por organizar no templo e para não ser indelicado com o visitante, o velho Superior resolve indicar o seu irmão para substituí-lo, assim não ofenderia o visitante (que não sabia da precária instrução do rapaz). Para tal, o Superior sugere que fosse um diálogo em silêncio, assim o irmão teria uma chance remota e o visitante nada perceberia.

Enviados ao jardim, ambos começam a caminhar lado a lado; dados poucos passos, retorna o visitante maravilhado, dizendo que vai partir muito feliz por ter encontrado mente tão sábia a derrotá-lo; seu coração vibra com a lição.
Muito sabiamente, o Monge Superior se reúne com cada um, em separado, para saber como tal fato aconteceu. Após os relatos, se revelou a percepção de cada um sobre a Existência. 

O Debate Silencioso:
Ambos caminham pelo jardim, o jovem encara o visitante, devido o problema de visão e, o visitante, pensando ser prática comum do templo, faz o mesmo.

“Serei cortês, retribuirei este profundo e sincero olhar no âmago do ser, belo gesto do rapaz”, pensa o visitante.

“Grosseiro, zomba do meu problema de visão, preconceituoso como os outros”, reage o rapaz.

1)O visitante eleva um dedo e mostra diante da face do outro, “O Buda”, pensa ele demonstrar com o gesto.

“Como tentas me humilhar, sinalizando que só tenho um olho”, reage o noviço.

2) Agora o rapaz mostrar dois dedos rapidamente na cara do outro, “Fazes escárnio por que tens dois olhos, não é?”, se contorcendo por dentro.

-“Incrível, este jovem demonstra prontamente que não devo me esquecer do Dharma (Ensinamentos, A Verdade Superior)”, é a lógica do peregrino.

3) O forasteiro responde prontamente elevando três dedos diante da face do outro, tentando dizer “Além disto tem a Sangha (Discipulos de Buda)”.

-“Mas muito arrogante, agora fazes gracejos, queres mostrar que um olho meu mais os dois teus, são três olhos. Vou acabar com isto agora, não levo desaforo para casa, mesmo aqui no Templo”, e pensando assim o jovem cerra o punho, colocando em frente ao rosto do visitante, que faz uma expressão de exclamação.

Epílogo: “Oh! Este sábio rapaz demonstra que eu não consigo ver que tudo é uma coisa só, Buda-Dharma-Sangha. Este gesto simboliza o Tao, a Unidade. Que eu viva este maravilhoso ensinamento conscientemente”, pensa humildemente o peregrino, que reverencia o gesto de sabedoria do outro, saindo dali com o coração pleno de alegria, para continuar sua jornada.

“Covarde, agora vens pedindo perdão, virando as costas e saindo. Podes ir, mesmo com dois olhos, não és oponente para mim”, deduz o noviço; passou a noite toda acreditando ter espantado o outro, mas alimentava, ainda,sua infelicidade.

O Monge Superior, após o "debate", ouviu os relatos de ambos em separado; primeiro o visitante e, mais tarde, seu jovem irmão. Ao final, de ambos relatos, apenas se curvava e agradecia ao interlocutor, pois muito tinha aprendido. Que mais poderia acrescentar? 

 Enquanto caminhava pelo corredor principal, o Monge Superior parou, sorriu e pensou: “1,2,3 e ......, assim é o que é.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Contos Zen e de Osho.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Prática por Yagyu Renyasai Sensei














Figura lendária, com muitas citações em publicações (além de um filme sobre o mesmo), Yagyu Renyasai, foi um dos mais ilustres mestres da katana, do já famoso Clã Yagyu, no século XVII; seu pai era Yagyu Toshiyoshi Sensei.

Devemos lembrar, que o avô de Toshiyoshi Sensei, foi o criador do estilo Yagyu Shinkage Ryu, Yagyü Muneyoshi; logo Munemori Sensei, que fundou o Edo Yagyu era irmão de Yagyu Shingiro Toshitaku ( pai de Toshiyoshi Sensei). 


Toshiyaoshi (ou Hyogonosuke) Sensei, funda a Escola Owari Yagyu, criando outro ramo da Yagyu Shinkage Ryu; era tido como mestre famoso e conta-se uma lenda de que foi amigo do lendário Miyamoto Mushashi, que este ultimo havia sido convidado para residir um período no dojo dos Yagyu para estudar a técnica daquela prestigiosa Escola.

O menino nascido em 1625, Yagyu Renyasai, cresce neste ambiente e passa a ser treinado desde cedo pelo pai e seus tios; alguns contam que a vida de Miyamoto Mushashi exerceu certa influencia sobre o rapaz, já que ele nunca se casou para não ter sua atenção desviada do estudo da espada, por qualquer mulher (é o que conta a lenda). Renyasai Sensei só para de treinar e ministrar aulas, com mais de sessenta anos de idade, ingressando na vida monástica budista.

Depois de tantas décadas de prática, Yagyu Renyasai Sensei nos oferta com Os Sete Principios para a Prática do Budo:

1)Permanecer no Centro: seja no ambiente físico, seja no corpo, seja na mente;

2) A Espada Vazia: Mente Vazia, agora não existe nem longe nem perto e o Fluxo se faz: ação e contenção acontecem dentro de sua esfera;

3)Esqueça o Eu e Oponente:não ataque, não deseje ganhar, tal anseio vai de contra o Fluxo, pode haver derrota;

4)Harmonia Hara-Senaka: o corpo é uma única superfície e adquire uma movimentação rítmica, expressando a unidade;

5)Esqueça o corpo: não preste atenção a fadiga ou dores, não queira tomar posturas pré-determinadas o rígidas;

6)Cumprimente o oposto, que a vontade de ataque venha de fora, responda de maneira destemida, audaz e veloz: arrebate o espírito de agressão assim que ele entrar na sua esfera;

7)Praticar Sozinho: seja em pé, em Seiza, acordado ou não, acompanhado ou não. De manhã bem cedo e tarde da noite, utilize os seis princípios anteriores.

Termino com uma frase atribida a Renyasai Sensei, que faleceu em 1694: “Tenha Espírito Imutável: uma mente insensível à condições externas produz mobilidade corporal”.

Boa Prática a todos.

Oss.

Baseados em artigos sobre Budo, Yagyu Shinkage Ryu e Yagyu Renyasai Sensei.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Zen e a Não-Ação















Certo dia, um aprendiz pergunta ao mestre como seria a prática do Zen. Sem se virar, o mestre responde: 

“O Zen é o Agir sem Agir, é o Mui (Wei wu Wei, do Taoismo). Esta prática, diária, nos harmoniza com o Tao (Do), nos proporcionando um Regresso Precoce à Fonte. Este Caminho se faz serenamente, sem esforço, sem tensão, sem interferir com o fluxo dos fatos e acontecimentos. Wei wu Wei é uma ação Não-Dual.”

“Mas como posso fazer isto sem esforço?”, pergunta o rapaz.

“O principio do Tao é a ação do acontecer por si mesmo: é ser a prática e não praticante, ser musica e não músico, ser observação e não observador. O Tao é algo que não temos como desviar, se podemos desviar, então não é o Tao.” –continua o mestre. “Este principio, não pode ser ensinado através da palavra, apenas sendo a não-ação é possível compreende-la, assim colhemos seus benefícios.”

“Só você mesmo é que pode experimentar o que te aponto: esquece desejo, emoção, esforço; não se oponha ao Fluxo do Tao, a Natureza das coisas e eventos. O Desejo obstrui nossa capacidade de compreender o Caminho, então seja como um riacho caminhando em direção ao oceano, pacifico e aceitando ser o trajeto; ele vive o seu trajeto, cada momento mas não tenta antecipar vivenciar o oceano. O riacho não se move porque ele assim o deseja, é a sua natureza; assim como o riacho, deixe-se ir em direção ao Tao.”

O jovem novamente pergunta; “Mas Mestre, por que então o estudo e a prática?”

Olhando para o jovem ávido de aprender, o Mestre continua:

“Na verdade, tudo leva a uma caminhada, até o instante que você se descobre sendo o Caminho, então todas as oposições cessam e você deixa todas as memórias para traz. Tudo, aprendizado, estudo, é esquecido, até você mesmo; assim como o riacho se dissolve no oceano, você se dissolve no Tao. Tudo vem do Tao e para ele retorna, aliás, dele nunca saímos.

Então lembre-se, O Caminho que pode ser descrito, não é o Caminho: O Do só pode ser vivido e não há como descrevê-lo. Quem descreve o Caminho, jamais esteve nele; quem está Nele, reconhece quem está.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado nos artigos sobre Zen, Taoismo e Não-Dualidade.

sábado, 24 de setembro de 2011

Cântico Zazen por Mestre Hakuin





















Mestre Hakuin Ekaku ou Hakuin Zenji, atribui-se ter nascido em 19 de janeiro de1686 (outras fontes falam ser em 1685, devemos lembrar que existe uma diferença de calendários para época atual) na vila de Hara, próximo ao Monte Fuji. Certa vez, ao receberem a visita de um monge Nichiren, linhagem budista qual sua família era adepta, muito impressionado com o ensinamento sobre os “Oito Infernos Quentes”.

Tal impressão leva ao jovem decidir que a vida monástica lhe proporcionaria a resposta. A tradição relata que outro fator seria a grande compaixão que sua mãe demonstrava por todas as criaturas, além da devoção.

Ordenado aos 15 anos, aprofunda seus estudos, quando tem contato com a história da vida de Grande Mestre Ch’an Yantou Quanhuo, brutalmente assassinado por bandidos. Em seu interior começa a grande pergunta, de como pode buscar refúgio e cononrto, se mesmo um Grande Mestre não está a salvo de uma morte trágica?  Como meta, busca a iluminação para alcançar a resposta.

Após muitas buscas com Mestres, além da prática de caligrafia, poemas e desenhos Zen, alcança a Iluminação através do Sutra do Lótus. Tinha 41 anos, quando então, passa a se dedicar a que outras pessoas alcancem a Iluminação.

Conta-se que tinha habilidade pouco comum, de fazer grande numero de pessoas entenderem o significado do Zen; não importando qual a religião, classe social ou instrução.

Morre aos 83 anos, em sua vila natal, atribuindo-se a data em 18 de janeiro de 1769 (ou 1678, conforme a fonte consultada).  Abaixo, uma das traduções do Cântico Zazen, que lhe é atribuída.

"Todos os seres, por natureza, são Budas,

Assim como o gelo, por natureza, é água;

Fora da água, não há gelo,

Fora dos seres, não há Budas.

É triste que as pessoas ignorem a Verdade tão próxima

E a procurem tão longe;

Como alguém a chorar de sede no meio d'água,

Como a criança de um lar rico a vagar entre mendigos.

Perdidos nos caminhos obscuros da ignorância,

Vagamos pelos seis mundos,

De um caminho escuro para outro;

Quando nos libertaremos do nascimento e da morte?

Oh, o Zazen do Mahayana é o louvor mais elevado.

Devoção, Purificação, prática, os múltiplos Paramitas

Todos têm sua origem no Zazen

E ao Zazen retornam.

Mérito daqueles que praticam meditação, mesmo que apenas uma vez,

Purifica os incontáveis erros praticados no passado sem início;

Então, onde estão todos os caminhos obscuros?

A Terra Pura, mesmo, está próxima.

Aos que ouvirem esta verdade, mesmo uma vez,

E a recebem com um coração de gratidão,

Estimando-a, reverenciando-a,

Obterão méritos sem fim.

Além disso, aqueles que se voltam para o interior

E atestam a Própria Natureza,

A Própria Natureza que é a Não-Natureza,

Vão muito além do que mera doutrina.

Aqui, causa e efeito são idênticos, o Caminho não é dois nem três;

Com a forma que é a não-forma, indo e vindo, nunca estamos perdidos.

Com o pensamento que é o não-pensamento,

Cantar e dançar são a voz do Dharma.

Quão Ilimitado e livre é o Céu do Samadhi, quão brilhante é a lua cheia de Sabedoria;

Realmente, o que falta agora?

O Nirvana está bem aqui, diante de nossos olhos,

Este mesmo lugar, é a Terra do Lótus; este mesmo corpo, o Buda."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Mestre Hakuin e Zazen Wasan

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