Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hara, Kichin no Tanden e Kokyu



Recentemente, foi publicado um artigo cientifico no Japão, demonstrando o efeito da respiração feita pelo Seika (Hara) no Tanden. É demonstrado sua ação sobre o centro de gravidade, por isso fazer sempre o Ikkajo e Kokyu –Ho nos treinos, se possível em casa na meditação.

Vários artigos de escolas Japonesas que praticam o Wushu e o Qijong, afirmam a mesma coisa, além de demonstrar que a parte superior do corpo e seus chacras superiores, dependem do Seika no Tanden; se ele colapsa, o resto colapsa. Outros autores relatam que o desenvolvimento ou não dos membros superiores, assim como tensão ou não nos ombros, devido à angustia, depende da fisiologia do Seika no Tanden.

Vamos respirar com o Hara, deixando a mente vazia, para esvaziarmos todas as toxinas mentais e emocionais que estão ancoradas no corpo. No início, como todo regato, o lodo está no fundo e ao mexermos nele a água fica turva. É a exoneração, o “lodo” tóxico sendo drenado para ser levado pela corrente. Após certo tempo, tanto o regato como seu fundo estão limpos. Por isso, praticar sempre. Esta técnica é chamada Kichin Tanden, que através da respiração encontramos o nosso “centro” tanto postural como do nosso ser.

Se fala em “pensar com o Hara”, pois a mente tem uma outra concepção no oriente, bem diferente em relação a cultura médica ocidental. Os kanjis qu denominam o Hara no Tanden designam: “Precipitação elétrica abdome”, “Abdome Shen”, “Ar estático Coração Abdome”, entre outras. As escolas orientais sempre alertam para termos muito cuidado, para não nos intoxicarmos e ficarmos doentes. Para estas escolas, a doença é a mente, logo devermos estar atentos ao nosso Hara e sempre Kichin ou Kokyu.

Por isso o cotovelo dobrado, os ombros baixos e relaxados, para o kibare (expansão do ki) se realizar. Observamos que os praticantes das escolas orientais que indicam o Kichin no Tanden,têm uma saúde excelente.

Então vamos praticar.

Oss.

Baseado em artigos sobre Kichin, Kokyu, Wushu, Qijong, Aikido, Shintaido, Gendai Reiki-Ho, entre outros.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Saicho ou Dengyo Daishi

































Falaremos sobre um religioso contemporâneo de Kukai, monge Saicho. 

Nascido em 15 de setembro de 767, na província de Omi no Kuni(atual prefeitura de Shiga), no Clã Mitsu. 

Existem relatos de que aos 12 anos, tornou-se discípulo do monge Gyohyo, tendo sido iniciado nos estudos do Zen, da Escola Ch'an, Kegon do Norte e Hosso. Seu mestre tinha sido discípulo do Grande Tao-hsiian. É ordenado por volta dos 18 anos, no templo Todai-ji, em Nara. 

Aos 19 anos, parte para o monte Hiei, próximo a Kioto; ficou estudando e meditando por uma década naquele local. É neste local que lê sobre a meditação da linha Tendai (Tient’ai, proveniente da China). O monge Ganjin (Chien-Chen), tinha trazido esta linha para o Japão, anteriormente, porem os monges japoneses não tinham se interessado.

Passa cerca de um ano na China, aproveitando a missão diplomática japonesa do ano de 804, na qual estava Kukai. Saicho foi procurar documentos Tient’ai para trazer ao Japão. Nesta estada na China, encontra e estuda com monges que conheciam o Mikkyo (Ensinamentos Secretos), sendo iniciado nesta linha. Estuda os Sutras (em especial o do Lotus) e o Ichinen Sanzen ( O Estado Transitório da Existência). Estudou as trtadições tântricas, também.

Em 806 é fundada, no Japão Tendai Hokke Shu (Escola Tendai do Lotus) situado em seu monastério Enryaku-ju erigido no alto do Monte Hiei . Este monastério se situa a nordeste da capital Heian, para “protegê-la” desta “direção demoníaca”, para evitar calamidades e assédio de espíritos.

Em oposição as escolas de Nara, Saicho escreve o tratado Kenkairon,onde demonstra a validade das regras do Grande Veículo ( Mahayana). Após Saicho, o Budismo japonês se abriu para varias escolas e tradições, não apenas o Hinayana.Faleceu em 26 de junho de 822, posteriormente sendo designado Dengyo Daishi.

Boa reflexão.

Oss.

Baseados em artigos sobre Saicho e Budismo Tendai.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Kukai ou Kobo Daishi
























Falaremos sobre um personagem muito citado por grandes mestres das Artes Marciais: Kobo Daishi ou Kukai, que nasceu na província de Sanuki (Shikoku) em 774. 

É considerado o fundador do Budismo Shingon. Foi educado pelo seu tio materno que era um estudioso dos textos de Confucio e de clássico chineses confucionistas. 

Em 791, entra em uma escola de orientação confucionista e encontra o mestre Gonso, que lhe introduz no estudo Budismo Esotérico. Posteriormente, Gonso ordena Kukai monge budista, provavelmente aos 20 anos. Quatro anos aos, Kukai escreve a obra Sango Shiiki, onde proclama a superioridade do Budismo sobre as religiões tradicionais, como o Taoismo e o Confucionismo.

Por volta de 804, viajou para a China junto com outro monge que depois seguiria outra vertente do Budismo Esotérico (Budismo Tendai), Saicho (ou Dengyo). Ambos aproveitaram a instalação de uma missão diplomática japonesa na China para aprimorarem seus estudos, porem em mosteiros diferentes. Kukai encontra mestre Huiguo (Keika em japonês) , aprofundando seus estudos na vertente do Budismo Esotérico Zhenya Zhong ( ou Shingon em japonês), que significa Palavras Verdadeiras. 

É o próprio Huiguo que concede o grau de maestria a Kukai, que retorna ao Japão após a morte do mestre decano. Para o Japão foram levados vários textos e objetos (como mandalas), ficando no Templo Kazeon-ji; posteriormente constrói um monastério e primeira escola Shingon no monte Koya. Em 823, torna-se superior do Templo To-ji em Kyoto.

Muitos creditam a Kukai como sendo um dos precursores da criação do silabário Katakana, devido ao seu conhecimento literário, ser poeta e excelente calígrafo.
O termo Palavras Verdadeiras seria uma tradução do sânscrito Mantrayana; se baseia, ainda em dois sutras fundamentais : Mahavairocana e Vajrassekhara.

Dentros dos ensinamentos do Shingon encontramos a utilização do Silabário Siddham e outros ensinamentos vindos da Índia e do Tibet. Os ensinamentos secretos fazem parte do Mikkyo, que são baseados no San Mitsu (Três Mistérios).
Kukai faleceu em 835, e, após sua morte, surgiu a lenda de que ele não teria morrido mas passado para um estado de meditação eterna.

Boa semana.

Oss.

Baseados em artigos sobre o Budismo Shingon.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Clã Ii: Samurais Demônios Vermelhos















Este famoso Clã Samurai (de Hinoke, província de Omi, atual Shiga) tinha como marca a cor vermelha em todas as suas vestimentas de batalha, tanto os Samurais como os Ashigarus (infantes). Era um vermelho brilhante de laca japonesa. Até mesmo seus cavalos usavam os apetrechos pintados de vermelho.
Quase extintos pelos Imagawa (de quem eram vassalos), no século XVI, que assassinaram todos os descendentes exceto o bebê Naomasa, que foi escondido por uma tia que era monja em um templo budista. 

Aos 15 anos, em 1576, salvou a vida do famoso Ieyasu Tokugawa e assim se destacou na corte. Após vários êxitos nos campos de batalha, Tokugawa concedeu à Ii Naomasa muitos campos de arroz e muitos dos antigos seguidores de Takeda Shingen (que agora faziam parte dos exércitos de Ieyasu). 

Por sugestão de seu senhor, Naomasa veste seus guerreiros de vermelho em homenagem Yamagata Masakage ( irmão de Obu Toramasa, um dos 24 generais dos Takedas) que vestia seus Samurais com esta cor na armadura.

Com os Ii passaram a surgir os bravos guerreiros, chamados de “Demônios Vermelhos Ii” tanto os Kamon como os sashimonos (bandeiras individuais dos Samurais) eram vermelhos com o caractere “i” em dourado.

Este Clã Samurai foi de extrema lealdade aos Shoguns da família Tokugawa por séculos, demonstrando extrema bravura em todas as batalhas, sem nunca recuar. Outro Ii famoso foi o Samurai Ii Nakaota, por volta doa anos 1615. Os Demônios Vermelhos Ii eram especialistas em sitiar e capturar castelos.

Sempre conhecidos por sua tradição de lealdade aos Tokugawas, o último Ii conhecido foi Naosuke. Assassinado em 1860, pela corrente patriótica, que era contrária a abertura dos portos aos extrangeiros e ao Xogunato. Naosuke, que era ministro, teve seu cortejo atacado e sua cabeça decapitada.

A coleção de armaduras vermelhas, ainda está exposta no Castelo de Hikone, Prefeitura de Shiga. Este castelo foi construído pelo filho mais velho de Naomasa, Naokatsu (irmão de Nakaota) em 1603.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em livros de Stephen Turnbull, artigos sobre Hikone e os Ii.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hagakure e O Caminho do Samurai


Hagakure (À Sombra das Folhas ou Folha Escondidas) ou Hagakure Kikigaki, foi e é considerado  como um guia prático e espiritual para os Bushii e Samurai. É uma obra literária composta por cerca de 1.300 histórias, com mais de 13 mil sentenças, divididas em 11 capítulos. Estes capítulos são precedidos por uma introdução denominada "Uma conversa Tranquila ao Crepúsculo".

Estudiosos da Tradição, afirma que este seria a coletânea das conversas, finalizada no ano de 1716, por Yamamoto Tsunetomo, Samurai vassalo do Clã Nabeshima(atual província de Saga), com um jovem escriba que ia visitá-lo regularmente, Tashiro Tsuramoto. Conta-se que o jovem teria compilado todas as conversas, por um período que perdurou por 7 anos (1709-1716).

Este Clã, do inicio de século XVI, da Ilha de Kyushu, possuiam o título de Daimyo de Saga e a posse do Castelo de Saga. Eram detentores da tecnologia de uma cerâmica requintada, que leva o nome deste Clã.

Yamamoto Tsunetomo, passa a servir ao Clã Nabeshima desde muito jovem, aos 9 anos de idade, e por volta dos trinta anos de idade, tem dois encontros marcantes em sua vida. O primeiro seria com o monge superior Tannen, que abandona o seu cargo num mosteiro, por não concordar com a condenação de um monge que ali estudava, pelo Daimyo. 

O segundo episódio foi quando o conselheiro sábio confuncionista Ishida Ittei, também se opõe ao Daimyo e foi exilado, mostrando grande coragem. Com a morte do Daymio e com a promulgação da interdição de cometer Seppuku pelo Shogun Tokugawa, Yamamoto torna-se monge e vai morar numa pequena e modesta cabana no meio da mata. Passou a chamar-se Jocho Yamamoto.

A frase célebre desta obra é “Descobri que O Caminho do Samurai reside na morte”, pois o objetivo era cumprir a missão designada sem se preocupar com sua vida. O vassalo, em sua visão, deve se preparar seu coração para morrer enquanto serve ao seu senhor, servindo-o seja na vida como na morte; se assim não for, sua vida e morte foram sem honra.

Nos dois primeiros capítulos ou volumes, encontramos os preceitos do samurai, nos três seguintes relatos sobre a glória dos fundadores do Clã Nabeshima e de seu Daimyos. Os seis capítulos finais apresentam a história da Provínciua de Saga, os grandes feitos de seus vassalos, os feitos e fatos de Samurai de outros Clãs, além de outras história.

No Hagakure, encontramos a menção de que todo Samurai deve saber que toda ação que é planejada com muita antecedência, está fadada ao fracasso. Todo Bushi deve saber tomar uma decisão assim que a situação se apresenta, “antes de respirar sete vezes”.

Todo Samurai devia consultar e estudar esta  obra, prender todos os seus deveres, norma de etiqueta e convivência, saber como harmonizar os principios do Bushido e Zen (que ambos estão presentes ao mesmo tempo), a importância da Cerimônia do Chá, os treinamentos marciais, as estratégias militares,  a moral,etc...

Durante quase 150 anos, esta obra foi quase exclusiva do Clã Nabeshima; os estudiosos afirmam que só se tem conhecimento de cópias, mas se desconhece o destino dos escritos originais. Na Era Meiji, começa a ser descoberta pelo público, tendo seu ápice por volta dos anos de 1930, para cair no esquecimento após 1945.

Bom Fim de Semana

Oss.

Baseado em obras e artigos sobre a cultura Samurai.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Zen: Meditação e Essência







































Há cinco anos, durante um treino, um praticante de arte marcial, veio a mim e perguntou se meditar servia para ele melhorar a sua técnica e parte física. Achei interessante, como explicar para alguém focado na técnica e nos aspectos da mente que meditar é abandonar a mente? Ele, como muitos, entendia que a meditação era mais um método para melhoria do treinamento, como biofeedback. 

Meditar não é algo matemático ou que tenha muito estudo: Meditação é a nossa própria natureza essencial. Meditação é o silêncio da Consciência, por isso uma pratica simples e sincera; o resto é mente. Devido vivermos numa sociedade alicerçada nos aspectos da mente, cria-se uma fantasia de que tudo é difícil. Fantasia esta de que temos que nos esforçar muito, através de estudos intermináveis para alcançarmos algo que já é nosso, a Vacuidade.

Em outras ocasiões, me perguntaram sobre as técnicas de manter a Mente Vazia, para a melhor evolução. Realmente podemos notar como a mente é muito ardilosa, principalmente quando temos atividades extremamente intelectuais. A mente teme a Vacuidade, pois, esta significa a extinção própria mente.

O “Apenas Ser” não é filosofia, estudo ou técnica. A prática sincera e verdadeira nos conduz a isto, como sempre indicaram Inoue Sensei e outros Grandes Mestres. O Caminho é tão simples, que para quem vive o mental se torna difícil. Para ilustrar, reproduzo parte de um texto de Satyaprem:

“Um discípulo está com seu mestre na sala de refeições e pergunta:
“Mestre, como atinjo a iluminação?”
O mestre diz: “Já comeu o seu arroz?” – e o discípulo ilumina.
O que esse mestre quer dizer? Ao ler essa história, você se pergunta como alguém pode iluminar comendo arroz, não é mesmo? Você insiste em manter a crença de que Iluminação é algo muito difícil e que não é para todos... E, de uma certa forma, é verdade. Iluminação é somente para quem "come o seu arroz".

A mente pinta a iluminação como uma coisa inalcançável, com auréolas e cheia de luz azul. Mas, em realidade, nada muda - nem antes, nem depois. Não tem antes e não tem depois.
(....)

Observe e seja sincero com a resposta: “Quem é você?”
Não tem ninguém em lugar nenhum. Não tem forma. Não tem nada.
Você observa o corpo parado, a mente em movimento... tudo é observável
e você é aquilo que observa. Você é a Observação.
Não costumo usar a expressão “observador”,
porque sugere que há alguém contendo a experiência,
e essa experiência não pode ser contida.
Apenas a Observação existe e ela não vem de lugar nenhum.
A Essência do Ser é Observação, Consciência, Silêncio, Paz.
Isso é você!”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Inoue Sensei, Zen e Satyaprem.

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