Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 13 de novembro de 2010

Movimento: Essencial e Aprendido







































Esta semana, fui questionado pela minha professora de francês sobre a frase de Inoue Sensei que eu traduzi para o francês “Quand nous allons à quelque part, nous changeons avant ou après; ce qui est déjà implicite” (Quando vamos para um lugar, mudamos; antes ou depois, isto já está implícito). 

Ela pensava que eu tinha escrito de forma errada e parecia não ter lógica. Explicava, então, que todo discurso Zen não tem lógica, está além da mente. 

Aliás, Inoue Sensei nos trazia conceitos profundos do Zen e do Advaita. Encontramos muito dos conceitos que estão no post Iki e Ki em textos advaitas atuais, de palestrantes e autores de renome mundial como Osho, Mooji e Satyaprem.

Querer raciocinar através da mente é matar o Zen, pois a mente distorce o movimento original (daí o post sobre Movimento Espontâneo e Técnica) que nos aponta o que é natural (essencial ou espontâneo, que brota e já sabemos) e o aprendido ( que vem de fora, que é captado pela mente, o movimento condicionado). 

Quando conversávamos, explicava que Zen e Advaita não podem ser vistos sobre o prisma de religiões e do intelecto: só quando alcançamos a Consciência, quando ficamos “Afinados com o Universo” (como falava Inoue Sensei) é que compreendemos; não há o que “entender”. Reproduzo aqui parte de um texto de Satyaprem para melhor nos esclarecer:

“Aquilo é você, mas você não é Aquilo.

Tem um você que é definido e um você que é indefinível.

Osho diz: “Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial.

Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas”.

O essencial é aquele que observa, é aquele que está no centro de tudo.

Aquele que foi aprendido está na periferia - são os comportamentos, o corpo, a mente...

Se você chegou até aqui com aquele da periferia é por que ele fez um bom trabalho,

agora olhe para o essencial, olhe para o centro e descubra que entre o centro e o periférico existem infinitas milhas de distância.

O que acontece com um, nunca acontece ao outro,

Na verdade, nada acontece para Aquilo que você é.


Isso é dar-se conta do essencial, isso é voltar para casa.

Nisso não existe causa e nada se move.

(....)Não estamos falando da consciência-objeto, passível de entendimento.

A Consciência não pode ser entendida,

você só pode sê-la e agora, nesse instante, você já é.

Nada precisa ser adicionado, nada precisa ser removido.”


Observamos aqui que a frase de Inoue Sensei(Quando vamos para um lugar, mudamos; antes ou depois, isto já está implícito) tem o mesmo significado da explicação de Osho (Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial.

Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas). Ambos os Mestres falavam da mente, que é a mente que nos dá a ilusão de movimento. Mas isso não pode ser “entendido”, só pode ser experimentado através da prática sincera e verdadeira. Como os Mestres já atingiram a Consciência, não adianta fingir ou se auto-proclamar; na presença de outrem eles vêem quem já atingiu a Maestria. I Shin den Shin.

Existe sim a Consciência que nos leva a Maestria e os Mestres verdadeiros são aqueles que evocam a Maestria já existente em seus discípulos; quando percebem que os discípulos alcançaram; naturalmente os Mestres desaparecem.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Inoue Sensei, Osho e Satyaprem.

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