Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 28 de novembro de 2010

Budo: Neko no Myojutsu















Neko no Myojutsu ou Técnica Cardinal (Maravilhosa, Magistral) do Gato, transmitida recentemente pelas escolas de Kenjutsu. Provavelmente escrita no início do século 18 pelo Mestre Issai Chozan. Devemos atentar para as explicações do texto e todos os conceitos já foram abordados em posts anteriores. 

Um Samurai, tinha problema com uma ratazana em sua casa pois o bicho andava por sua casa dia e noite, não tinha medo de nada. Os gatos da casa fugiram após terem sido mordidos pelo grande rato. Irritado, o Samurai pega vários ratos de rua e os solta em casa; todos são derrotados pela ratazana. Nem mesmo ele conseguia golpear o bicho com seu sabre. Procurou ajuda com o Velho Gato Maravilhoso.

O Velho Gato tinha aspecto ordinário e era idoso. Porém rapidamente capturou a ratazana e a expulsou. Todos ficaram maravilhados com a simplicidade da técnica; o rato ficou paralisado. Todos pediram explicações ao Velho Gato.

O gato preto tinha um treinamento, especializado por gerações, de acrobacias, saltos e fingimentos. Os ratos não conseguiam fugir dele, nem os mais velozes.

O gato rajado era perito no uso do Ki, para ele tudo era Ki. Passou anos aprimorando seu Ki, vencia qualquer oponente, nem precisava tocar. Porem o rato, sem forma de ataque, o deixou sem ação.

O gato cinzento, já tinha superado este treinamento, não era apenas o Ki e sua forma; se harmonizava como oponente e deixava os movimentos brotarem. Derrotou fortes adversários; agora o poder do Ki e da harmonização falharam.

O Velho Gato, explicou: “Quando nos concentramos exclusivamente na técnica, sua mente só pensa nisto. Mesmo vindas de Grandes Mestres, ela se torna ineficaz se você não vai alem dela; chegamos a um impasse pois a técnica física tem sempre um limite. Já o rato não se limitava à qualquer técnica.

No caso do poder do Ki, ainda se utiliza o poder da mente; logo a mente fica centrada em si mesma. Na verdade, mecanismos de crenças são para gerar autoconfiança e usar mais a mente. Pouco a pouco, a mente nos faz crer que o nosso Ki é que preenche o Universo; você se fecha para o “Ki Universal”. O rato encurralado esvazia a mente (nada de perder, ganhar, viver). A energia do Vazio completo não pode ser derrotada por nada, nem pelo Ki.

Já o poder de harmonização com uke difere da Harmonização da Natureza (ou de Afinidade). O que você acha que é poder, é apenas projeção da mente; que obstruí a Natureza, o Fluxo da Realidade, quebrando o equilíbrio. O rato simplesmente sentiu isto. Se você não pensar ou agir, deixar brotar os movimentos; o ego desaparece. Sem ego, não existe oposição.

O Do tem vários trajetos aparentes. Todas as técnicas têm princípios universais. O Ki Universal preenche o Cosmos e nos alimenta corporalmente. A Harmonização nos faz afinados com o ataque, de qualquer tipo.

Porém, qualquer pensamento, idéia, emoção ou desejo que esteja na mente afasta você do Do Natural; a mente faz acreditar que somos pessoas separadas, oponentes. A vitória está no Mushin sem pensar, sem julgar e sem técnica.

Em visita ao Velho Gato Mestre, perguntei-lhe como não havia ratos em sua casa se passava o dia imóvel, cochilando. Ficou a olhar para mim muito tempo sem nada falar, por mais que eu perguntasse. Na verdade, ele não tinha como responder: ele se esquecia de si mesmo e de propósitos. Mestre Gato praticava uma virtude marcial: “Não pensar, não fazer, apenas ser e o Do se ativa por si mesmo em todas as dimensões do Universo”.

Todos os métodos Marciais dos Grandes Mestres se baseiam no autoconhecimento e no I Shin den Shin. Um Mestre não pode nada oferecer, exceto perceber a real natureza de alguém e lhe indicar a Consciência. O Despertar da Consciência é individual, e o Mestre reconhece isto.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Budo e de Zen.

2 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    Gracias por compartir éste reflexivo artículo sobre la historia del único gato viejo que pudo sacar a la rata de la casa con su calma y postura.
    un abrazo

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  2. Hola, Carina,
    Este escrito es un clásico para los estudiantes de Budo. Puse solo un pequño resumen, si tú puedes leer todo el, verás que este texto nos habla de las características de cada uno y lo que debe ser observado en la práctica.
    Gracias por tu comentário.
    Abrazo.

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