Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 28 de novembro de 2010

Budo: Neko no Myojutsu















Neko no Myojutsu ou Técnica Cardinal (Maravilhosa, Magistral) do Gato, transmitida recentemente pelas escolas de Kenjutsu. Provavelmente escrita no início do século 18 pelo Mestre Issai Chozan. Devemos atentar para as explicações do texto e todos os conceitos já foram abordados em posts anteriores. 

Um Samurai, tinha problema com uma ratazana em sua casa pois o bicho andava por sua casa dia e noite, não tinha medo de nada. Os gatos da casa fugiram após terem sido mordidos pelo grande rato. Irritado, o Samurai pega vários ratos de rua e os solta em casa; todos são derrotados pela ratazana. Nem mesmo ele conseguia golpear o bicho com seu sabre. Procurou ajuda com o Velho Gato Maravilhoso.

O Velho Gato tinha aspecto ordinário e era idoso. Porém rapidamente capturou a ratazana e a expulsou. Todos ficaram maravilhados com a simplicidade da técnica; o rato ficou paralisado. Todos pediram explicações ao Velho Gato.

O gato preto tinha um treinamento, especializado por gerações, de acrobacias, saltos e fingimentos. Os ratos não conseguiam fugir dele, nem os mais velozes.

O gato rajado era perito no uso do Ki, para ele tudo era Ki. Passou anos aprimorando seu Ki, vencia qualquer oponente, nem precisava tocar. Porem o rato, sem forma de ataque, o deixou sem ação.

O gato cinzento, já tinha superado este treinamento, não era apenas o Ki e sua forma; se harmonizava como oponente e deixava os movimentos brotarem. Derrotou fortes adversários; agora o poder do Ki e da harmonização falharam.

O Velho Gato, explicou: “Quando nos concentramos exclusivamente na técnica, sua mente só pensa nisto. Mesmo vindas de Grandes Mestres, ela se torna ineficaz se você não vai alem dela; chegamos a um impasse pois a técnica física tem sempre um limite. Já o rato não se limitava à qualquer técnica.

No caso do poder do Ki, ainda se utiliza o poder da mente; logo a mente fica centrada em si mesma. Na verdade, mecanismos de crenças são para gerar autoconfiança e usar mais a mente. Pouco a pouco, a mente nos faz crer que o nosso Ki é que preenche o Universo; você se fecha para o “Ki Universal”. O rato encurralado esvazia a mente (nada de perder, ganhar, viver). A energia do Vazio completo não pode ser derrotada por nada, nem pelo Ki.

Já o poder de harmonização com uke difere da Harmonização da Natureza (ou de Afinidade). O que você acha que é poder, é apenas projeção da mente; que obstruí a Natureza, o Fluxo da Realidade, quebrando o equilíbrio. O rato simplesmente sentiu isto. Se você não pensar ou agir, deixar brotar os movimentos; o ego desaparece. Sem ego, não existe oposição.

O Do tem vários trajetos aparentes. Todas as técnicas têm princípios universais. O Ki Universal preenche o Cosmos e nos alimenta corporalmente. A Harmonização nos faz afinados com o ataque, de qualquer tipo.

Porém, qualquer pensamento, idéia, emoção ou desejo que esteja na mente afasta você do Do Natural; a mente faz acreditar que somos pessoas separadas, oponentes. A vitória está no Mushin sem pensar, sem julgar e sem técnica.

Em visita ao Velho Gato Mestre, perguntei-lhe como não havia ratos em sua casa se passava o dia imóvel, cochilando. Ficou a olhar para mim muito tempo sem nada falar, por mais que eu perguntasse. Na verdade, ele não tinha como responder: ele se esquecia de si mesmo e de propósitos. Mestre Gato praticava uma virtude marcial: “Não pensar, não fazer, apenas ser e o Do se ativa por si mesmo em todas as dimensões do Universo”.

Todos os métodos Marciais dos Grandes Mestres se baseiam no autoconhecimento e no I Shin den Shin. Um Mestre não pode nada oferecer, exceto perceber a real natureza de alguém e lhe indicar a Consciência. O Despertar da Consciência é individual, e o Mestre reconhece isto.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Budo e de Zen.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Treinamento, Mente e Dor


Muitos, quando começam a treinar, evitam sentir dor. Alguns perguntam se tem necessidade de sentir dor. Todos estes apresentam medo da dor. Já presenciei, durante a minha jornada, em alguns lugares, pessoas que se tornam agressivas com os colegas, nos treinos, demonstrando que têm medo da dor. De onde vem isto?

A dor é realmente uma reação do corpo mostrando que tem alguma coisa alterada, porem a intensidade da dor é, na maioria das vezes, controlada por um mecanismo da mente denominado “Mecanismo de Comportas”. Devido às várias experiências com dor e a carga emocional que é associada àquela situação "dolorosa", a mente pode amplifica-la ou diminui-la, tendo relação com o nível de ansiedade. Na maioria das vezes, ela é amplificada, muitas vezes exageradamente.

Inoue Sensei, conforme nos relatou Basen Sensei, sabia desta associação, é usava as técnicas, gradativamente, para ensinar aos discípulos que, esvaziando a mente, passamos a "aceitar" a dor. Com a aceitação (não-identificação com a dor), chegamos a "esquecê-la". Não é negação, não. Com a mente vazia esvaziamos toda carga emocional que temos dentro de nós; principalmente àquele ligada as experiências dolorosas. Sem emoção, vem a aceitação; sem o medo, não há agressividade. Neste instante, a agressividade no treino desaparece. 


Nosso Mestre Inoue, utilizava o Nikkajo, com o Deshi de joelhos, como instrumento para aprimoramento. No início muitos estranhavam, com o tempo, todos compreendiam. Sempre desenvolvendo a Afinidade com o Todo e com o Agora, conforme os ensinamentos do Mestre Onisaburo e do Clã Inoue. Mushin, Iki, Tada Ima e Afinidade; apenas isso. Impressionante os relatos dos discípulos célebres de Inoue Sensei, quando citam estes aspectos. Todos nos mostram que é necessário transcender a mente; o que pode ser feito através das Artes Marciais e do Shin’ei Taido.

Vou reproduzir um trecho de Eckhart Tolle que nos fala da associação mente e dor, para melhor refletirem:

"Nenhuma vida é inteiramente isenta de dor e de desgosto. Não será preferível aprender a viver com eles, do que tentar evitá-los?

A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida.

A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente aquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade.

A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar o Agora, mais livre estará da dor, do sofrimento - e da mente egica.

Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De fato, o tempo e a mente são inseparáveis.

(......)

Aceite - e depois atue. Seja o que for que o momento presente contenha, aceite-o como se fosse escolha sua. Trabalhe sempre com ele, não contra ele. Faça dele um amigo e um aliado, e não um inimigo. Milagrosamente, isso transformará toda a sua vida.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de Basen Sensei, Inoue Sensei e Eckhart Tolle.

sábado, 20 de novembro de 2010

Zen: Ritmo Biológico e Saúde























Este tópico é muito interessante para nós praticantes de Artes Marciais e todo as pessoas em geral. Muitos se perguntam: que relação tem o Zen com o nosso ritmo biológico? Resposta:toda possível.

A nossa prática e o Zen nos apontam para a integração, e a primeira coisa com que devemos ter atenção é o nosso ritmo biológico. Devemos lembrar que Inoue Sensei falava de termos um ritmo de treinamento para cada época do ano assim como respeitar a nossa fisiológica, nossa constituição individual. A Afinidade começa por aí, não se deve ficar almejando coisas extraordinárias. Devemos nos lembrar que o Zen é a simplicidade e a sensação.

Quando entramos numa rotina de vida extremamente mental; esta mente começa a nos dissociar. O que é isto? Você sente fome, porem tem uma atividade que você (melhor dizendo, sua mente) acha que é prioritária; resultado: você deixar de comer para terminar aquela tarefa. Por que não comer e terminar a tarefa depois? Sua mente diz que a tarefa (que é mental) é mais importante; ela te engana. Você está cansado e tem sono, porem tem outra tarefa que você “deixou” (foi a mente que deixou) para fazer depois do trabalho. Resultado: você deixa de descansar ou fazer uma coisa prazerosa para ceder a mente (ela te enganou de novo). E as coisas continuam caminhando assim, te engolindo; te escravizando na mente.

A dissociação do seu ritmo biológico começa a trazer muitos transtornos: prostração, fadiga crônica, dores musculares, sono ruim (isto quando você não reduz o tempo de sono); hipertensão arterial, baixa da concentração e do rendimento, infecções repetidas, ansiedade, depressão, etc....

O sono é um dos principais reguladores do ritmo biológico, relacionado com os níveis de estímulos de luz ambiental natural. O nosso hormônio cortisol ( secretado pelas glândulas supra-renais) têm relação direta com isto. A quebra de nosso ritmo biológico faz com que ocorra alteração no ciclo deste hormônio, tendo como primeira conseqüência o stress.

Então, ficarmos horas em ambientes fechados, com luz artificial, sem poder acompanhar a variação da luminosidade natural é péssimo, desregula o ritmo do cortisol. Atrasar as refeições, desregula outros hormônios relacionados a digestão e o ciclo da glicose.

Viagens longas de avião, principalmente que atravessam os meridianos, podem desregular nosso ritmo em até quinze dias. Certas situações como pressão social, exigência no trabalho e nos estudos.

Poderia escrever horas sobre esta fisiologia porem o importante na visão Zen é que a mente não nos monopolize; que entremos em contato com as nossas sensações e necessidades mais básicas. Quando usamos a mente repetidamente para negar isto, dissociamos.

Siga o ritmo da respiração, acalme a mente e ouça o seu interior. Como nos ensina Monja Coen: podemos estar em uma grande metrópole, no maior engarrafamento do mundo ou numa situação de trabalho que todos estão apressados; mas você em seu interior vai continuar em contato com seu ritmo natural, respirando, sem se deixar dissociar. A respiração é um ótimo recurso de centramento, pois o ritmo mental está diretamente ligado ao ritmo respiratório.

Boa prática e bom fim de semana.

Oss.

Baseado em textos de Cronobiologia, Inoue Sensei e Monja Coen.

domingo, 14 de novembro de 2010

Consciência do Movimento


Muitas vezes nos treinos ouço: “Estou errando porque ainda não entendi o movimento” ou “ Quero entender este movimento”. Começarei, então, com um conto Zen:

“Um mestre Zen, perguntou a um novo monge: “Já o vi por aqui antes?”

O novo monge respondeu: “Não, senhor.” E o Mestre ofereceu-lhe uma xícara de chá.

O Mestre perguntou a outro monge: “Já o vi por aqui antes?”

O outro monge respondeu: “Claro que sim.” E o Mestre ofereceu-lhe uma xícara de chá.

Um monge decano perguntou: “Mestre, por que ofereces chá para qualquer resposta?”

O Mestre gritou: “Venerável, ainda estás aqui?”

O decano respondeu: “Óbvio, mestre.” E o Mestre ofereceu-lhe uma xícara de chá.”

O que isto tem a ver com o movimento essencial? Vou citar uma palestra de Osho, sobre este koan, como analogia,para exemplificar:

“O koan é simples, mas difícil de ser entendido. É sempre assim. Quanto mais simples a coisa, mais difícil de ser entendida. Para entender, o complexo é necessário. Para entender, tens de dividir e analisar. Uma coisa simples não pode ser dividida e analisada– não há o quê dividir e analisar – a coisa é tão simples. O mais simples sempre escapa à compreensão.

Quanto mais complexa é a coisa, mais a mente trabalha nela. Quando a coisa é simples não há nada para queimar as pestanas, a mente não pode funcionar.
Os lógicos dizem que qualidades simples são indefiníveis. Por exemplo: se perguntam o que é amarelo. É uma qualidade tão simples, a cor amarela, como definir? Dirás: “Amarelo é amarelo.” O outro dirá: “Eu sei, mas definas amarelo?” Se dizes que amarelo é amarelo, não é definição,é uma simples repetição. É uma tautologia.(...)

A primeira coisa a ser entendida é que coisas complexas podem ser entendidas, coisas simples não podem. Uma coisa simples fica só.
Esse koan é muito simples. É tão simples que escapa a ti: tentas pegá-la, tentas capturá-la e ela escapa. Ela é tão simples, que a mente não pode atuar sobre ela. Tente sentir o koan. Eu não direi tentar entender, porque não poderás. Tente sentir o koan. Muitas coisas estão ocultas lá, se tentares senti-las. Se tentares entender, não haverá nada lá – todo koan é absurdo.”

Então, como explicar o movimento, como pensar sobre ele? Como Mestre Inoue sempre nos demonstrou o movimento brota do cerne. Tente sentir o movimento que vem de dentro, não tente entender ou criar coisa alguma, ele vem simples e naturalmente. Afirmações de que tal técnica é difícil; de técnica complexa significa que a pessoa ainda está na mente, e mente cria ruído.

Oss.

Baseado em artigos de Zen, Osho e Inoue Sensei.

sábado, 13 de novembro de 2010

Movimento: Essencial e Aprendido







































Esta semana, fui questionado pela minha professora de francês sobre a frase de Inoue Sensei que eu traduzi para o francês “Quand nous allons à quelque part, nous changeons avant ou après; ce qui est déjà implicite” (Quando vamos para um lugar, mudamos; antes ou depois, isto já está implícito). 

Ela pensava que eu tinha escrito de forma errada e parecia não ter lógica. Explicava, então, que todo discurso Zen não tem lógica, está além da mente. 

Aliás, Inoue Sensei nos trazia conceitos profundos do Zen e do Advaita. Encontramos muito dos conceitos que estão no post Iki e Ki em textos advaitas atuais, de palestrantes e autores de renome mundial como Osho, Mooji e Satyaprem.

Querer raciocinar através da mente é matar o Zen, pois a mente distorce o movimento original (daí o post sobre Movimento Espontâneo e Técnica) que nos aponta o que é natural (essencial ou espontâneo, que brota e já sabemos) e o aprendido ( que vem de fora, que é captado pela mente, o movimento condicionado). 

Quando conversávamos, explicava que Zen e Advaita não podem ser vistos sobre o prisma de religiões e do intelecto: só quando alcançamos a Consciência, quando ficamos “Afinados com o Universo” (como falava Inoue Sensei) é que compreendemos; não há o que “entender”. Reproduzo aqui parte de um texto de Satyaprem para melhor nos esclarecer:

“Aquilo é você, mas você não é Aquilo.

Tem um você que é definido e um você que é indefinível.

Osho diz: “Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial.

Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas”.

O essencial é aquele que observa, é aquele que está no centro de tudo.

Aquele que foi aprendido está na periferia - são os comportamentos, o corpo, a mente...

Se você chegou até aqui com aquele da periferia é por que ele fez um bom trabalho,

agora olhe para o essencial, olhe para o centro e descubra que entre o centro e o periférico existem infinitas milhas de distância.

O que acontece com um, nunca acontece ao outro,

Na verdade, nada acontece para Aquilo que você é.


Isso é dar-se conta do essencial, isso é voltar para casa.

Nisso não existe causa e nada se move.

(....)Não estamos falando da consciência-objeto, passível de entendimento.

A Consciência não pode ser entendida,

você só pode sê-la e agora, nesse instante, você já é.

Nada precisa ser adicionado, nada precisa ser removido.”


Observamos aqui que a frase de Inoue Sensei(Quando vamos para um lugar, mudamos; antes ou depois, isto já está implícito) tem o mesmo significado da explicação de Osho (Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial.

Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas). Ambos os Mestres falavam da mente, que é a mente que nos dá a ilusão de movimento. Mas isso não pode ser “entendido”, só pode ser experimentado através da prática sincera e verdadeira. Como os Mestres já atingiram a Consciência, não adianta fingir ou se auto-proclamar; na presença de outrem eles vêem quem já atingiu a Maestria. I Shin den Shin.

Existe sim a Consciência que nos leva a Maestria e os Mestres verdadeiros são aqueles que evocam a Maestria já existente em seus discípulos; quando percebem que os discípulos alcançaram; naturalmente os Mestres desaparecem.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos de Inoue Sensei, Osho e Satyaprem.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ma Tsu e Inoue Sensei: Maestria

























Nada mais comum dentro da visão Zen, um verdadeiro Mestre reconhecer outro Mestre quando está na presença deste. Na maioria das vezes, o Mestre mais velho (não necessariamente pela idade), após determinado tempo, aconselha o outro a fazer sua própria trilha. O Mestre mais velho já viu que o mais novo não tem nada a mais a aprender com ele; o Mestre novato já demonstrou o seu despertar.

Este fato foi muito bem observado quando o Grande Mestre Ma-tsu Tao (ou Mestre Baso) ao encontrar seu professor, Nan-yueh Huai-jang (ou Mestre Nangaku ou Mestre Ejô), um dos herdeiros do Sexto Patriarca Hui Neng (ou Mestre Enô).

Ma Tsu passava o dia todo, todos os dia, sentado meditando em um templo. Huai Jang ouvindo sobre este jovem e ele foi ao templo de Ch'uan Fa em Dembo-in, observá-lo. Ao chegar lá, o velho Mestre percebeu que o jovem era um vaso (ou barca) do Dharma; porem este passava os dias estudando e praticando a forma da posição da meditação sentada, pois queria ser igual a uma estátua de Buda. Acreditava ele (como a maioria das pessoas) que através da forma alcançaria a Budeidade (a Maestria).

"Grande digno, o que você está visando na meditação sentada?", perguntou o Mestre ao jovem. 

Ma Tsu respondeu: "Eu pretendo ser um Buda." 
Jang então pegou um tijolo e começou a esfregar-lo sobre uma pedra em frente da ermida; Ma Tsu perguntou o que ele estava fazendo esfregando o tijolo.
Mestre Jang disse que fazia um espelho e o novato perguntou como podia se fazer um espelho polindo o tijolo.
Jang disse: “ Se esfregar um tijolo na pedra não faz um espelho, como a forma da meditação sentada o torna um Buda? "


Ma Tsu ficou perplexo, pois sempre achava que o certo era copiar a forma e perguntou o que é o correto; ansiando alcançar logo a Iluminação. O velho Mestre rindo, disse: "No caso do boi que puxa a carroça, se a carroça não se move, seria correto bater nela ou bater no boi ?" Ma Tsu ficou sem resposta.
Explicou o velho Mestre:"Insistir na forma da meditação sentada é o mesmo que matar o próprio Buda. Você deve saber que o Zen nada tem a ver com sentar, nem deitar-se. O Buda não tem forma fixa, não existe forma fixa, ele não compreende diferenças. Dharma é não ter uma morada única logo não existe uma posição correta e outra que não seja. Se mantivermos sempre o Zazen e nos apegarmos a forma nunca chegaremos a essência do Zen. No Reino das coisas transitórias não se deve nem compreender nem rejeitar. O Do não tem cor ou forma; só o olho da realidade da mente é pode ver o Do. ”

Ma Tsu serviu ao mestre por dez anos, a cada dia mais próximo do santuário interior. Huai Jang tinha seis alunos, mas ele disse que era Ma Tsu que percebeu seu "coração".

Ma Tsu passou a ensinar aos seus discípulos que "o Do não tem nada a ver com a disciplina". Passou a apontar a Essência da Realidade. Encontramos esta mesma linha de ensinamento com Inoue Sensei. Então podemos compreender quando Mestre Takeda disse a Inoue Sensei: “Eu vejo. Siga o seu próprio Caminho”. Neste instante, um Mestre reconheceu ao outro. Ambos estavam no mesmo “ambiente da Consciência”.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Ma Tsu, Osho e Inoue Sensei.

sábado, 6 de novembro de 2010

Bansen Tanaka Sensei e Inoue Sensei































Em entrevista a Stanley Pranin, Bansen Tanaka Sensei falou do período em que foi discípulo de Inoue Sensei em Osaka. 

Basen Sensei era praticante de Judo, quando um amigo seu o apresentou a Inoue Sensei em 1936, com quem praticou até 1939. 

No inicio, Inoue Sensei lecionava na chefatura de policia; ele contou que treinavam todos os dias, treino árduo pois Inoue Sensei impunha um ritmo muito forte e severo aos treinamentos. 

Naquela época as denominações de ténicas eram diferentes, como Ikkajo, Nikkajo, etc... Mestre Inoue abordava sempre o Nikkajo, principalmente em seiza. 

No tatame, era um mestre rígido e nunca fazia as coisas pela metade. Seu Nikkajo era tão forte, que trazia lágrimas aos olhos dos Deshii; mesmo batendo no tatame ele dizia: ainda não, ainda não”, aumentando ao máximo a resistência dos alunos. 

Para Bansen Sensei, parecia que chegava perto de quebrar os ossos. Com o tempo, os deshii começaram a ver que ficavam imunes a dor tanto no Nikkajo como no Sankkajo. 

Fora dos treinos Mestre Inoue era uma pessoa decidida mas gentil. Raramente saia para confraternizar com os Deshii. 

Mestre Inoue sempre os fazia treinar de joelhos, da maneira mais difícil para terem mais resistência e aprimoramento de técnica. Em 1939 Bansen Sensei foi convocado pelas forças armadas japonesas parando de treinar

Bom fim de Semana.

Oss.

Baseado em entrevistas a Stanley Pranin.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Movimento Espontâneo e Técnica


Outro dia me perguntaram de novo sobre movimentação e técnicas. Quase repeti a frase de Inoue Sensei:
 "Não existem técnicas, não existe nada". 

Porém não adianta falar de matemática de nível superior se não aprendemos o básico, afirmava Mestre Inoue. Não existem movimentos pensados e oriundos da mente; a mente é pura ilusão, ela não existe na matéria.

Quando Inoue Doshu explicava que sabemos todos os movimentos em nosso interior, ele falava de fazermos conexão com o Universo através da Consciência; que é primordial, imóvel e permanente. A mente ativa é apenas ruído de comunicação; os movimentos à partir dela são movimentos distorcidos. Consciência e Realidade de Fluxo são a mesma coisa. O "movimento" e a pausa são dois aspectos da manifestação da Realidade de Fluxo.

Então, através da mente vazia (Mushin) que o corpo manifesta a movimentação natural; por isso não existem técnicas, pois a finalidade é  a expressão natural em cada um. Por isso O'Sensei Ueshiba falava da "meditação em movimento". Muitos textos e livros de Osho citam que ele explicava muito bem isto em seus seminários.

Pensar e se fixar exaustivamente em técnicas, é acorrentar o seu próprio corpo; é ficar pesado e sem conexão com o todom romper sua conexão com o Universo. A proposta do Shin'ei Taido é fazer conexão com o todo, a cada instante.

Pratiquemos esvaziar a mente, pratiquemos a meditação do movimento..

Bom treino.

Oss.

Baseado em artigos de Zen, Inoue Sensei, O-Sensei Ueshiba e Osho.

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