Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 26 de setembro de 2010

Takeda Shingen


Seguindo a tradição dos Clãs Samurai que apresentam relação com o Clã dos Inoue por descendência dos Minamotos e dos Seiwa, falaremos um pouco do grande estrategista Daimyo Takeda Shingen. O Clã dos Takeda também descende dos Seiwa como os Inoue.

Denominado Tigre de Kai, nasceu nesta província em 1521. Primogênito, auxiliava seu pai Takeda Nobutora na administração e outros deveres. Seu pai, temendo a influência política do filho, tenta substituí-lo pelo segundo filho; a trama não dá certo e Shingen aprisiona o pai com a aliança do Clã Iwagana (onde fica exilado). 


Shingen se mostra grande administrador alem de excelente estrategista militar, pois estudou a fundo “ A Arte da Guerra” de Sun Tzu. O estandarte dos Takedas encontramos o Fü-Rin-Ka-Zan (Vento, Floresta,Fogo, Montanha).

Começa a conquista territorial, visando dominar o Japão, primeiro contra os Daimyos de Shihano. Encontra o seu grande rival, Uesugi Kenshin, oDragão de Echigo. Após várias batalhas e embates ambos fazem uma paz em separado.

Em 1572, teremos 3 Daimyos disputando a conquita de Quioto (quem a conquistar, conquista o Japão): Takeda Shingen, Tokugawa Ieyasu e Oda Nobunaga. Após romperem uma aliança com os Takedas, Tokugawa se alia a Oda; ambos sabem que Shingen e seus generais são os únicos capazes de derrotá-los. O exército de Takeda era tido com invencível graças ao treinamento individual e tático.

Devido à doença ou ferimento de guerra, morre em seu acampamento militar em 1973, após ter vencido os exércitos inimigos em uma batalha. Seu quarto filho, Katsuyori assume o comando militar do Clã (já que o primeiro tinha morrido).

Takeda Katsuyori, muito orgulhoso, abandona todas as prudências e táticas militares do pai e parte para um combate frontal diurno contra os exércitos inimigos, que tinha supremacia de armas de fogo. Shingen combatia a noite para poder ver a luz do estopim do arcabuz quando este era acesso, para abater o inimigo com as flechas e, também, para não ter sua movimentação visualizada.

Katsuyori ignorou o básico, a despeito dos conselhos dos generais, e teve o seu exército e Clã totalmente destroçados. Seus generais, Hatamotos, Samurai e Bushi mostraram um grande senso de Bushido em avançar conforme o atual Daimyo ordenou, mesmo cientes do desastre.

Shingen deixa marcos no Japão feudal, pois vários Daimyos usam o seu sistema de leis, sistema tributário entre outros legados. Outro dia falaremos das estratégias de Takeda Shingen.

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre Takeda Shingen, explicações de Salim Shihan, assim como pode ser visto o filme Kagemuha de Akira Korusawa que ambienta a época e é sobre o trágico de Shingen e seu exército.

sábado, 25 de setembro de 2010

Budo: Kokoro (Shin) no Maki


Este ensinamento é encontrado na maioria dos livros e manuais de Budo. Alguns o citam como o “Livro do Coração”.

Maki significa, neste caso, rolo ou pergaminho; por isso traduzem como livro.

Kokoro significa coração associado à essência, este kanji tem pode ser pronunciado assim ou como Shin.

Prefiro usar a denominação Shin deste kanji, pois apresenta um significado mais abrangente (coração-mente-espírito-essência).

Leiamos e reflitamos sobre esta versão deste ensinamento:

Estando Shin cheio de coisas, o corpo contrai; se vazio, o corpo expande.

Estando Shin cheio de reservas, perde-se amor e respeito; se vazio, se enche de ambos.

Estando Shin cheio de paixões radicais, os preceitos são esquecidos; se vazio, os preceitos retornam.

Estando Shin cheio de pensamentos ardilosos, vê tudo como falso; se vazio, vê tudo como verdadeiro.

Estando Shin cheio de orgulho, inveja aos outros; se vazio, existe respeito ao próximo.

Estando Shin pleno de si mesmo, não confia em ninguém; se é abnegado, há confiança.

Estando Shin cheio de dúvidas, os outros o assustam; se vazio, não há temor.

Estando Shin cheio de obstáculos, os outros são perigosos; se vazio, não vê perigo neles.

Estando Shin cheio de cobiça, necessita de elogios; se vazio, não pede lisonjas.

Estando Shin cheio de raiva, fala rudemente; se vazio, as palavras são doces e suaves.

Estando Shin cheio de paciência, tudo é harmonizado; se vazio, tudo malogra.

Estando Shin cheio de presunção, não vê bondade; se vazio, reconhece o bom no outro.

Estando Shin cheio de ganância, pede sem fim; se vazio, nada é requerido.

Estando Shin cheio de ilusão, só há culpados; se vazio, ninguém para culpar.

Estando Shin cheio de sinceridade, só há contentamento; se vazio, não há alegria.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado nos livros de D. T. Suzuki, no livro Budo de John Stevens, em artigos sobre a língua japonesa e artigos sobre o Budo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Inoue: um Clã Samurai


A primeira referencia que encontramos do Clã Inoue, após a fundação do Clã por Minamoto no Mitsusane nos meados doPeriodo Heian, data do inicio do século 15, com Inoue Kawachi-no-Kami Mitsukane. 

Sabemos esta família é um Clã Fudai Daimyo ramo Samurai do Clã Seiwa. O termo Kawachi-no Kami passou por gerações como título honorífico. O centro da família originou-se em Shihano, com ramificações em Aki (atual Hiroshima) e Mikawa.

O Clã era originalmente de cavaleiros arqueiros (yabusame) mas sabemos que com a introdução das armas de fogo (mosquetes) pelos portugueses, esta modalidade passou a ser utilizada para o desenvolvimento pessoal do Samurai. O título honorífico de Kawachi-no-Kami traz o conceito de excelência em táticas de esquivas e de combate com katana.

Fica muito clara esta tradição Samurai da família Inoue, quando Inoue Sensei nos fala do conceito do Yamato Damashii e do conceito de Iki. Em outra passagem, quando perguntado em uma entrevista de que escolas derivou o seu estilo de Katana, ele afirma que seu estilo vinha do aprendizado familiar.
A última vez que um Inoue portou o título honorífico de Kawachi-no-Kami foi em 1868, data que marca o término do período feudal no Japão e dá inicio a Restauração Meiji. 

 Os antigos Daimyos (Senhores dos Clãs Samurai) se transformaram em administradores e ocuparam lugares importantes na sociedade japonesa e na administração pública imperial; o período de Xogunato tinha terminado.

Vemos que os Inoue mantiveram a tradição das Artes Marciais do Koryu viva nos tempos modernos, seja se dedicando ao treinamento das técnicas, seja financiando associações desportivas como a Kobukan , entre outras.

Bom treinamento e bom fim de semana.

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Sensei e artigos de genealogia dos clãs Samurai dos tempos feudais no Japão.

sábado, 18 de setembro de 2010

Inoue Sensei e Sokaku Takeda Sensei

























Aos 10 anos de idade Inoue Sensei e o irmão mais velho tinham aulas do estilo antigo de Judo no dojo da familia em Tanabe. O pai contratou o proeminente Kiyoichi Takagi Sensei para lecionar por 2 anos, exclusivamente para os dois. 

Os convidados para praticar no dojo, ficavam perplexos com a agilidade e técnica de Yoichiro Inoue. Seu avô convidava os melhores alunos da Kodokan para treinar com ele.

Takagi Sensei, sempre o visitava regularmente, quando Inoue Sensei montou um dojo em Tóquio, anos depois. Sempre dizia a Yoichiro Inoue Sensei que ele e os colegas visitantes ficavam muito cansados de tanto serem arremessados. Entre os visitantes citamos: Kosaburo Gejo Sensei, Almirante Takeshita entre outros.

Nos seus 13 anos de idade, a família Inoue convidou o famoso Sokaku Takeda para lecionar para eles e os Ueshiba.
Construiram um dojo especialmente para esta finalidade. O arranjo financeiro entre os Inoue e Takeda Sensei, foi enorme. A situação financeira dos Inoue era excelente, uma das famílias mais ricas do Japão, com vários empreendimentos, inclusive no ramo de imóveis, com imobiliárias.

Yoichiro, após muita insistencia começou a treinar e, para surpresa de todos, mais tarde Takeda Sensei o escolhia para as demonstrações. Takeda Sensei ficava maravilhado com as variações de técnicas de Yoichiro Inoue.

Inoue Sensei cita que discordava das técnicas, alertando que várias delas se modificavam com o fluxo livre de energia.
Em 1931, Takeda Sensei concede a titulação a Yoichiro Inoue, firmado no “eimeiroku” (artigos citam que Takeda Sensei foi cremado com vários eimeiroku, contendo listas de discípulos).

A família Inoue achava que Yoichiro devia assumir os empreendimentos familiares. Inoue Sensei foi tão convincente, que a família continuou financiando os dojos que ele queria montar (próximos das casas que tinham em diferentes regiões do Japão), assim como os seminários e cursos.

Takeda Sensei sempre o convidava como ukemi para as demonstrações, como uma parceria, tal o poder de divulgação que tinha a família Inoue, além de apresentar um Uchideshi com uma técnica refinada com orgulho. Takeda Sensei, gostava da prática em Gyaku, mas Inoue Sensei tinha treinando muitas técnicas em Gyaku desde a infância com o seu avô, geralmente aplicava um contra-golpe veloz.

Esta parceria só terminou quando o Reverendo Deguchi, pede para Inoue Sensei assumir a direção técnica no Budo Senyokai e os alunos que queriam aprender o novo estilo marcial. Mais tarde, quando ministra aula para oficiais da Força Aérea Americana e um seleto grupo da Inteligencia Americana, que denomina Shinwa Taido, posteriormente Shin’ei Taido.


Bom fim de semana.

Oss.


Baseado em entrevistas de Inoue Sensei.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Graduação Marcial de Inoue Sensei















Com a experiência de prática marcial de Jujutsu e Aikijujutsu nos dojos privados da família Inoue, desde a infância, em 1920 se torna Instrutor assistente, tanto novo como do antigo estilo de Aikijujutsu.

Como a família Inoue tinha uma tradição devido à gerações de artistas marciais, a fundação, administração e gerenciamento do Dojo Kobukan e dos próximos dojos que vierem a ser criados para a prática do novo estilo, passa a ser feito pelos integrantes desta família.

Em 1932, torna-se instrutor, sendo responsável técnico de 75 dojos da Budo Senyokai, com autorização do Reverendo Deguchi; alem de lecionar seminários em escolares militares.

No ano de 1935, por sugestão do Reverendo Deguchi, a denominação desta prática passa a ser Aikibudo.

A partir de 1942, devido a dificuldade de deslocamento, e após o final da Segunda Grande Guerra, período de reconstrução das cidades, as atividades e práticas eram centralizadas em Tóquio, por manter as estruturas intactas.

Nos anos 50, denomina sua Arte, Shinwa Taido, e posteriormente, devido as modificações, Shin’ei Taido. 

Falece em 1994 com a Graduação Máxima de Soke.

Interessante observar, que nunca apresentou problemas de saúde, vindo a falecer com a idade de 92 anos, ainda lúcido e em plena atividade.
Bom exemplo para praticantes marciais.

Oss.

Baseado em artigos sobre Inoue Sensei, artigos de Stanley Pranin e vídeos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Inoue Sensei em Osaka




















Sabemos que o denominado “Grupo de Osaka” foi um dos grandes grupos de prática de Aikijujutsu no período dos anos 30 no Japão. Foi fundado por estudiosos de Artes Marciais, que se encantaram pelo novo estilo de Aikijujutsu e o desejavam praticar. 

Entre eles podemos citar Mitsujiro Ishii, Yoshitaka Hirota, Kenji Tomita, Yoshiteru Yoshimura, Takuma Hisa, Kaoru Funahashi, Shigemi Yonekawa, Rinjiro Shirata e Tsutomu yukawa; entre outros. O fato ocorreu no período da expansão do Budo Senyokai, o que levou Yoichiro Inoue a se dividir entre Kameoka e Osaka, para poder dar continuidade ao aprendizado que eles tiveram através de Seminários.

 O próprio Takeda Daí Sensei, veio visitar este grupo, em 1933, com a intenção de assumi-lo integralmente, devido ao nível dos praticantes, estes porem preferiram se manter fiéis ao novo estilo. Deste grupo saíram proeminentes mestres. Na foto podemos ver Inoue Sensei demonstrando técnica com Yoshitaka Hirota.

Bons treinos.

Oss.

Baseado em artigos de Aikijujutsu e artigos de Stanley Pranin.

domingo, 12 de setembro de 2010

Inoue o Onipresente de Ueshiba Sensei



























Stanley Pranin é considerado um dos maiores historiadores das Artes Marciais, em especial as correntes ligadas ao Aikido. Em um artigo muito esclarecedor, ele domina Inoue Sensei de o “Onipresente” em tudo que era ligado ao Aikibudo, pois ela ministrava seminários nas Escolas Militares, nas áreas ocupadas pelo Japão Imperial (como Coréia e Manchúria), alem de vários dojos espalhados pelo Japão insular, todos ligados a seita Omotoo Kyo, num total de 75. 

Ele era o representante oficial de O'Sensei Morihei Ueshiba em todos os assuntos relativos à Aikibudo, devemos lembra na época da criação do Kobukan Dojo, Inoue Sensei tinha 29 anos, com muito vigor e disposição, tendo cerca de 16 anos de prática com O'Sensei. Ele substituía O'Sensei sempre quando este estava impossibilitado por problemas de saúde. Kishomaru Ueshiba nesta época tinha apenas 10 anos de idade. 

O maior período de atividade de Inoue Sensei foi de 1935 a 1942; e quandoUeshiba O'Sensei se retira para Iwama, em 1942, ele assume tudo exceto o dojo em que está Kishomaru Sensei. É citado o apoio financeiro de tio Koshiro Inoue (irmão do pai de Inoue Sensei), para a construção do Kobukan dojo e outros dojos, tal a paixão da família Inoue por Artes Marciais, e estes acreditavam na atual Arte que estava iniciando. Yoichiro Inoue Sensei, fica à frente das atividades administrativas não financeiras e com a incumbência de ministrar aulas e seminários, além de organizá-los. 

Mesmo quando Inoue Sensei declinou em assumir a posição de primogênito Ueshiba, para sua prima-irmã casar com o famoso esgrimista Kiyoshi Nakamura (que se tornou o “segundo” primogênito mudando seu nome para Morihiro Ueshiba), ele continua à frente da administração; foi então que passaram a chamá-lo de “Onipresente” (o que foi vital para as atividades do Aikibudo não pararem, pois cinco anos após Kiyoshi Nakamura se separa e deixa de ser primogênito). 

Esta parceria Ueshiba – Inoue funcionava perfeitamente, podemos aventar até que Inoue Sensei declinou de casar-se com a prima para evitar que possíveis problemas familiares atrapalhassem o desenvolvimento do Aikibudo; tudo com a concordância de Ueshiba O'Sensei. 

Existe um período em que a seita Omotoo Kyo (assim como O'Sensei, devido aos seus laços próximos com os fundadores) passou a ser perseguida pelo governo militar japonês. Um fato muito comentado foi de que Inoue Sensei e Ueshiba O'Sensei teriam se afastado nesta época; isto, possivelmente, foi uma estratégia de ambos, para que os dojos não fossem fechados e o Aikibudo proscrito. 

Indícios mostram isto, pois existe o relato de ambos se comunicarem e Inoue Sensei fazer demonstrações e aulas à pedido de Ueshiba O'Sensei. Isto é confirmado com os praticantes do grupo de Osaka e Kameoka, que são ligados a O'Sensei e praticam com Inoue Sensei na mesma época. Enfim, todos os indícios demonstram uma perfeita sinergia de Ueshiba O'Sensei e Inoue Sensei, ambos se complementado nas partes filosófica, prática, física e administrativa o que levou o Aikibudo a ocupar um papel de destaque entre as Artes Marciais. Sem este empenho de ambos não teríamos as Artes Marciais que dela derivaram, como: Aikido, Shinwa Taido, Shin'ei Taido, Shintaido e Kitaido, assim como sua participação no Sogobudo.

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos de Stanley Pranin, artigos sobre Kitaido -Sogobudo-Shintaido e fotos de época no período de 1930 a 1946.

domingo, 5 de setembro de 2010

Morihei Ueshiba Aikido e Shin`ei Taido



















Falarei hoje sobre a participação de Morihei Ueshiba O'Sensei na formação do Shin'ei Taido, assim como o papel de Noriaki Inoue Sensei no Aikido. 

Tudo começa quando Morihei Ueshiba, grande estudioso das Artes Marciais, morava na propriedade da família de seu cunhado, Zenzo Inoue. 

Os Inoue tinha muita tradição em Artes Marciais, por gerações, e mantinham um dojo em sua propriedade, contratando grandes mestres para lá ministrarem aulasa e seminários; como foi o caso de Sokaku Takada Sensei. 

O filho Noriaki de Zenzo em borá praticante de artes marciais desde a tenra idade, era um adolescente não muito afeito às regras impostas. Noriaki é colocado a partilhar os estudos com seu Tio Morihei Ueshiba. 

Como Noriaki era o único filho homem de ambas familias Ueshiba e Inoue, ele passa a ser o primogênito de ambas, conforme a tradição da época no Japão (a esposa Tame de Zenzo era irmã de O'Sensei)

Zenzo Inoue convidou Takeda Sensei para ministrar aulas de Daito-ryu. Noriaki, a principio para ver se moldava seu sobrinho Noriaki, que possuia uma personalidade difícil, que sentava-se no dojo e só observava o treino de seu tio com Takeda Sensei. O jovem Inoue recusava-se a praticar com Takeda, só praticava com seu tio Morihei após as aulas. Quando questionado por Takeda, Noriaki respondeu que não praticava com ele porque achava que este tinha movimentos pré-fabricados, sem fluidez. Com o tempo, o tio Morihei Ueshiba convence o sobrinho a praticar com ele; o jovem aceitou porque com seu tio sentia a energia fluir, o movimento acontecia naturalmente.

Através de muita prática e estudos de Aikijutsu, Daitoryu e outras Artes Marciais, Morihei Ueshiba O'Sensei e seu sobrinho desenvolveram uma técnica refinada. Mestre Deguchi, da Omotoo Kyo, sugeriu que modificassem o nome pois já era um estilo diferente do Daito-ryu, e como o Menkyo Kaiden já tinha sido concedido, era a hora deles trilharem o próprio Caminho. 

Então, por volta dos anos 30 temos o aparecimento do Aikibudo de Ueshiba e Inoue. Após um periodo, ambos conversam e decidem, seguindo a tradição, que dois caminhos agora seriam trilhados: um pelo primogênito dos Inoue e outro pelo primogênito dos Ueshiba.

Comentavam na época, que tanto Morihei Ueshiba O'Sensei como Inoue Sensei pareciam a mesma pessoa, ambos tinha os movimentos corporais e técnicas semelhantes, de fora não era possível dizer quem era quem.

Ambos começaram a ministrar aulas em dojos diferentes, sendo que a guerra os impediu de ficarem juntos ou se verem com freqüência. Kishomaru Ueshiba tinha nascido, tornando-se o primogênito de O-Sensei. No período pós-guerra, Kishomaru passou a praticar pelo Aikibudo com mais afinco e O-Sensei vai conversar com Noriaki. 

Duas Artes para dois Primogênitos; uma decisão de perfeita harmonia, dentro da tradição. Por volta de 1945-6 aparece a denominação de Aikido e em 1952, Shinwa Taido e, posteriormente denominado Shin`ei Taido. Eis porque muitos autores falam em serem Artes Irmãs, embora algumas características próprias foram se desenvolvendo.

Se não fosse o tio Morihei, Noriaki não teria se empenhado e, ao mesmo tempo, Noriaki também contribuiu para a corrente do Aikido.

Boa Semana para todos.

Oss.

Artigo baseado em dados biográficos de O-Sensei Ueshiba e Inoue Sensei, assim como em artigos e entrevistas de Stanley Pranin, Aikido Journal.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Iki Ideal Perfeição e Verdade


Hoje falaremos de outro Kanji com a denominação Iki, que é ligado ao senso estético do Bushido. Este conceito está correlacionado a Edo, no inicio do Periodo do Shogunato de Tokugawa. 

Embora este conceito tenha surgido na classe de comerciantes abastados de Edo, os Samurais tinha uma quase devoção por este senso de Iki, que significa puro, inalterado e seleto. 

Kuki Sensei afirma que o orgulho e honra dos Bushis estavam intimamente ligados ao conceito estético de Iki, senso que muitos autores japoneses o contestam; estes outros autores acham que é um conceito quase incompreensível para os ocidentais. 

Compreendo que fazer a discussão sobre um Kanji, sobre a sua pronuncia KUN(kunyomi), usando apenas a descrição sonora em romanji é muito difícil para os ocidentais, já que temos outras
sonorizações Iki em japonês, com outros significados. 

Porem para a cultura japonesa a Beleza (Perfeição) e Verdade andam juntas. Como cita Osho em um livro, sintetiza o conceito nesta frase:    “A Beleza é a Verdade... e a Verdade é a Beleza...”. 

Para a cultura japonesa Beleza e Verdade refletem o divino nesta Realidade Manifesta.

Este ideal de Iki, fala de um refinamento referente a situações, objetos e condutas; a pessoa que não segue estes conceitos é considerada rude e até mesmo vulgar (como pode ser visto no filme O Último Samurai). 

Este conceito de Ideal de Iki não pode ser aprendido por livros e por repetição; só é incorporado por convivência e dedicação.

Kuki Shüzo alerta, em seu livro, que a tradução para as línguas ocidentais pode trazer a muitos erros e perdas de significados.

Bom Fim de Semana para todos.

Oss.

Baseado nos livros de Yamamoto, Yuji, An Aesthetics Everyday Life, maio 1999; Kuki Shüzö The Structure of Iki, 1930. Mara, Michael F , Japanese Hermeneutics, 2002; Osho, Follow me.

Para Ler sobre "Iki Myia" - Clique Aqui

Kansha


É impossível falar da espiritualidade no Shin’ei Taido, sem falar do nosso querido O-Sensei Morihei Ueshiba. Passei minha adolescência ouvindo e falando dele. E foi graças ao Mestre Clóvis (na época, o “Seu” Clóvis), que carinhosamente e apaixonadamente nos acendeu esta chama no coração. Ele lia ardorosamente e nos passava aquela filosofia, poéticamente. Não havia treino sem a “presença” de O-Sensei, pois “Seu” Clóvis nos ensinava e aconselhava.

Estes anos todos li muito sobre O-Sensei Ueshiba, inúmeras obras excelentes e autores excelentes, porem a paixão e a poesia de Mestre Clóvis são incontáveis, para mim. O-Sensei falava com o coração, “Seu” Clóvis também, tocando o nosso. Éramos jovens, de mente pura ouvindo aquele senhor falar de uma pureza d’alma com uma jovialidade incrível.

Sinceramente, hoje iria escrever sobre O-Sensei porem me vêm sempre as “lições” maravilhosas de “Seu” Clóvis. Foi um presente eu poder ter convivido com ele, não foram muitos anos, pois os eventos da vida levam-nos a mudar de lugar. Mas aquele dojo de Copacabana sempre foi referencia. Tudo era perfeito, as lições de O-Sensei, as técnicas de Tohei Sensei, Nakatani Sensei e Adélio Sensei.

O-Sensei e Mestre Clóvis, nos ensinaram que não existe Caminho sem Aiki e Shin, o espírito e o coração precisam pulsar. I Shin den Shin.

À tempos estava visitando um Templo budista em Brasilia, o Monge Superior falou que uma grande virtude para o Buda seria a gratidão. A gratidão que nos protege, que nos alenta e harmoniza.

Kansha, gratidão. Hoje eu termino dizendo: O-Sensei Morihei Ueshiba e Mestre Clóvis, obrigado por tudo que me ensinaram, de coração. Gratidão eterna.

Domo Arigato Gozaimasu.

Oss.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para Esvaziar a Mente

Meditação
















Muitas vezes me perguntaram, por anos, em treinos, o que era meditar e para o que serve. Muitos queriam uma explicação lógica e mecânica. 

Conheci pessoas que faziam cursos de “especialização” em meditação de 2 a 3 anos, porem o discurso era sempre sobre a mente. Outros achavam que era um estado de “criação mental”, etc... 

 Quase nunca ouvia alguém relatar o estado de Mushin ou de estar receptivo. 

A palavra Zazen significa “sentar”, literalmente. O ato de meditar, pode ser sentado, confortavelmente, seja em lótus, seiza, etc... Respire tranquilamente e deixe a mente silenciar.


Reproduzirei uma parte de um post de Swami Sambodh Naseeb, que é muito didático, que penso dispensar quaisquer outras explicações, livros ou artigos.



“ A mente chega até um ponto e então ela dá passagem a algo maior que chamamos de Consciência. Este é o ponto. (....) Ir além dos pensamentos significa ir além da mente, além da escolha, além do karma, além da reencarnação. 

O corpo continua escolhendo, mas você observa. (.....) O corpo continua desejando, você observa. O corpo quer uma vida melhor, você observa. Você não se interpõe. Apenas deixa o fluxo. Você se retira da escolha. Você simplesmente observa. 

O corpo se apega, você observa. 
O corpo tem pensamentos positivos, você observa. 
Negativos... você observa. 

Perceba que você não é afetado, apesar de no início "parecer" que é afetado, e a mente insistir que você é. Existe uma paz nessa observação. Quando você deixa o corpo seguir seu rumo. Você não impede o corpo de fazer o que ele achar que deve. Corpo sente raiva, você observa, pois você não é o corpo. Corpo sente medo, você observa. 

Abandone a noção de que as coisas que acontecem ao corpo (você, mente, ego) é algo pessoal. Essas coisas acontecem devido a tudo ser UNO. Existe só uma mente. Sair da mente é sair da noção falsa de um você que sofre. Quem sofre é o corpo! Deixe ele sofrer!!!!!! OBSERVE. OBSERVE. OBSERVE. Não julgue o corpo, não julgue os outros, não julgue sua vida.”

Muita Luz para vocês.

Oss.


Para Esvaziar a Mente

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