Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 29 de agosto de 2010

Iki Miya e O Do

Morihei Ueshiba O'Sensei, ensinava que muitos conceitos só podem ser compreendidos através da prática e  através do Coração; seu sobrinho, Inoue Sensei, nos ensinava que através da sinceridade e do Coração puro. Estas palavras sempre me marcaram, e com o tempo, cada vez que relei-o estes ensinamentos, parece que os compreendo um pouco mais expande.

Ambos Mestres sempre nos mostraram que é indivisivel a prática da Espiritualidade, por isso introduziam estes ensinamentos em suas palestras.

Iki, entre outros significados, também pode significar energia vivificante, sendo que este kanji , neste caso, representa a Vontade da Criação ( o som e a dimensão I) que se transforma em energia (Ki). Esta energia  dá origem à toda Realidade Manifesta; como bem explicavam Ueshiba O'Sensei e Inoue Sensei, fiéis a Tradição milenar japonesa e aos ensinamentos de Mestre Deguchi.

Geralmente faz-se um jogo de palavras e signficados com a palavra IKI, o mesmo som porem significados diferentes, compreensão esta que vai além dos Kanjis. Iki pode representar a energia da respiração, uma etapa em que sempre se pensa em energia gerando força, energia se opondo à força, nada se opondo à energia do outrem. 

Conforme somos introduzido nos estudos de Okuden e com a prática da meditação, começamos a compreender o outro significado e conhecemos o outro Kanji que significa a Vontade Vivificante que torna a Realidade Manifesta. Agora começamos a ir além da Filosofia e da técnica. Nada adianta decorar, estudar e repetir mecanicamente ou com raciocínio; tudo vai simplesmente acontecendo conforme o ego começa a ficar esvaziado. 

Inoue Sensei e Ueshiba O'Sensei, seguindo a Tradição, peregrinaram tanto pelo interior do Japão como na Manchúria, numa busca incessantem e no fim, tomaram consciência que a descoberta é interior, que devemos nos fundir à Mente Universal (ou a Origem como falava O'Sensei) através da Sinceridade. Ser sincero consigo mesmo, aceitar a Realidade e o Momento Presente, aceitar o que você é e sempre foi. 


Meditação, a prática de mente vazia,oração sincera e foco no momento presente. Através desta prática começa a brotar o Amor Incondicional (a Compaixão) por todos os seres, como pregava e ensinava O'Sensei. Ele tentou inúmeras vezes transmitir este conceito porém inumeras pessoas estavam interessadas apenas em aprimoramento técnico e maestria. 

Sábia e humildemente, O'Sensei deixou as pessoas com os seus próprios arbítrios. Inoue Sensei fez a mesma coisa; ambos Mestres tinha consciência de que era (e ainda é) uma jornada solitária e silenciosa. 

Já Myia é um Kanji que exprime um conceito antigo no Japão de sacralidade, lugar santo, sacrário no interior das pessoas ou as residências. Surgiu, então o conceito de IkI Miya, nos esvaziando para sermos um canal para esta Vontade Vivificante,de tornarmo-nos um sacrário vivo. Por isso a prática sincera (ou da sinceridade, com toda sinceridade) vai além do dojo e dos livros. É uma consciência que pode despertar: pode ser através do I Shin den Shin, meditação, contemplação,etc; é só estarmos receptivos. 

Como cita o autor e filosofo japonês Kuki Shüzö, em sua obra IKI : “A Filosofia não é uma coisa viva capaz de compreender a Realidade”.

Boa Semana.

Oss.

Este artigo é baseado em artigos sobre Kuki Shüzö; em artigos de Patrick Beillevaire; artigos de Gleason Sensei; entrevista de Inoue Sensei a Stanley Pranin; artigos com citações de Morihei Ueshiba 
O'Sensei .

Para Ler "Iki Ideal de Perfeição" - Clique Aqui

domingo, 22 de agosto de 2010

Hara no Tanden
































O Hara continua sendo objeto de nosso estudo, pois é um Tanden ou mar de energia comum a várias culturas e sistemas, com atuação espiritual e física. Enquanto na cultura japonesa o Hara tem sua importância mantida, em outras culturas ele fica diluído nos outros, se valorizando o(s) superior(es); lembrar que no Tibet são seis e na India são sete, no total.

Todos os sistemas falam da função do Hara como o Tanden que concentra e faz com que a energia ascenda e circule. Não há evolução dos outros Tanden sem a energia do Hara. No Tibet fala-se que o “calor místico” ascende dele e, ao mesmo tempo alimenta a energia sexual e de sobrevivência (para alguns o chakra básico é uma projeção dele). 

É o Hara que move nossa energia para cima e para baixo, que nos dá estabilidade física e mental, ou seja, valorizar em demasia os outros Tanden seria como construir um prédio à partir do terceiro andar,sem as fundações e os andares inferiores.

A mobilidade energética através do Hara é tanta que os sistemas marciais se preocupam em protegê-lo visando não haver perda de energia ou mesmo invasão de energia externa. Daí a utilização de faixas, obi, hakama, etc...

Seja Ki/ tchi/tsog-lung/prana, o conceito de energia e circulação energética é muito semelhante nestas culturas e utilizado nas Artes Marciais e/ou meditação sempre associado à respiração.

Logo, estando consciente de seu Hara, este “administra e controla” o Ki, não permitindo que ele se esvaia e nos leva a uma condição de centramento. Lembram-se daqueles cinco preceitos (Gokai) de Mikao Usui? Estudando os sistemas destas culturas orientais vamos ver que estes preceitos estão sempre presentes como condição para equilíbrio dos Tanden e do Ki.

Na prática, devemos exercitar esta “consciência” em todas as técnicas mas a melhor para exercitá-la é o Ikkio, pois a “entrada” é feita com a expansão da energia do ki (Kibare) do Hara no Tanden. Esta mesma “entrada” acontecera no Nikkyo, Shihonague e assim sucessivamente. Porem uma consciência sempre de mente vazia.

Boa prática.

Oss.

Baseado nos livros de Medicina Tibetana - Forde, Nei Tchig, Tao te Tching, Medicina Marma e Ayurvédica, Respiração Oriental, Respiração Yogue, The Golden Future – Osho; artigos de Kototama, Reiki, Aikido , Shin’ei Taido, Filosofia Shingon e métodos/sistemas de Saúde japoneses.

domingo, 15 de agosto de 2010

Shihonage


Esta técnica é a base das artes ligada ao Aikijutsu. Cria um grande desenvolvimento, físico, mental, técnico e espiritual. 

Faz-se uma entrada (irimi), como se portando uma wakazachi, assumindo a postura de cavaleiro (inori derivado do verbo noru cavalgar- não confundir com o outro kanji muito parecido, derivado do verbo inoru que significa orar) que conseguimos o alinhamento perfeito do Hara no Tanden, que leva a uma harmonização da coluna, membros e todos os Tanden. 

A postura de sentado sobre a montaria fortalece quadril e membros inferiores. O Hara se apruma em todas as direções (as quatro): para cima via eixo coluna lombo-torácica–cervical visando o topo da cabeça; para baixo via sacro-coccix criando apoio; para frente e para trás.

 É a postura da estabilidade, que ao mesmo tempo aumenta o fogo interior. É a expansão do fogo ou Ki do Hara que se projeta para baixo com alimentando a região do Tanden do cóccix e para cima se integrando com o Naka no Tanden. 

Para frente e para trás ele se integra com o Ki de Uke. O giro do corpo, sem movimentarmos os pés, tem de ser perfeito, sem modificarmos a altura da postura e controlando o braço de uke. Através da respiração e mente vazia, finalizamos a técnica, levando Uke ao chão ou arremessando-o ( Nage vem do verbo nageru – arremessar). O ideal é que pratiquemos em quase todos os dias de treinamento. (Observação: algumas escolas denominam a técnica de Tenkai Kotegaeshi)

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos de Aikijutsu, Aikido e Teate;Dicionários de Kanjis antigos, artigo de tradição religiosa japonesa antiga de Patrick Beillevaire

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Shin Kokyu


Como sabemos, existe o conceito de Kokyu como o movimento de respiração universal, que “cria” a “realidade” a cada instante. 

Em japonês, Iki é respiração (literalmente o Ki ou energia da vontade), derivado do verbo Ikiru (viver), pois sem respiração não há vida. 

Ao praticarmos o Kokyu, fazemos uma “respiração “de Ki a partir do Hara no Tanden; uma extensão máxima ocorre com os braços ligeiramente curvados, quando o Ki do Hara liga-se diretamente aos cotovelos, fluindo para os punhos, mãos e dedos. As mãos se voltam ligeiramente para cima, como segurássemos a katana em Seigan no Kamae. 

Os ombros devem estar ligeiramente arqueados para trás e para baixo, com o tórax aberto; todas as articulações do corpo devem estar liberadas para a energia fluir.

No Shin Kokyu, adotamos uma atitude mais introspectiva, a mente vazia, com a respiração profunda. Os braços bem relaxados à frente do corpo, na altura de Naka no Tanden, na largura dos ombros. Faz-se suave movimentação lateral para fora e para dentro, apenas o suficiente para trocar e trazer Ki para o Tanden. Faz-se a integração do Hara e Naka. A respiração suave, lenta e profunda “desperta” a percepção. 

Nada a controlar, apenas respirar com Mushin e Tada Ima, pois tudo já está integrado.

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado nos livro Respiração Oriental de Takashi Nakamura, artigos de Gleason Sensei; artigos de kototama e entrevista de Inoue Sensei a Stanley Pranin

domingo, 1 de agosto de 2010

Yoshin Ryu: A Arte da Não-Oposição


Muito interessante a descrição do surgimento do Estilo Yoshin Ryu ( Escola do Espirito (Shin) do Salgueiro), foi fundado em 1632 por Akyama Sensei. 

Sua obra vem do seu questionamento de como atuar sem opor força contra força;Sensei procurava um caminho que houvesse a vitória sem a necessidade da utilização da força física, podendo haver a vitória do mais forte sobre o mais fraco. 

Conta a tradição, que certo dia, em seu jardim, ele andava absorto em seus pensamentos, procurando uma resposta para o seu dilema, quando um ruído lhe chamou atenção. Ao dirigir seu olhar para a direção do ruído, percebeu que tinha sido um galho de cerejeira que quebrou devido ao peso da neve. Ao mesmo tempo, notou que ao lado da cerejeira, tinha um salgueiro, que vergava seus galhos flexíveis, assim a neve caia mas eles não quebravam. O salgueiro se livrava de peso do oponente, no caso a neve.

 Sensei observou que esta árvore se vergava para se libertar do peso da neve e retornava a postura original intacta, de uma maneira narural, sem tensão. Observando o movimento que parte da aparente imobilidade, através da flexibilidade; compreendeu que o caminho é manter o centramento e a não-obstrução ao movimento do oponente. 

 Imitando o movimento do salgueiro, Sensei compreendeu que vergar-se (inclinar-se), assim podendo utilizar a força do movimento do oponente, levando-o ao chão.

Akyama Sensei aplicou este conceito de não oposição a todos os níveis:tanto filosófico, como no dia a dia e na Arte Marcial. Muitos autores afirmam que a maioria das Escolas de Jujutsu derivaram desta Escola.

Sugiro a Leitura da “Sabedoria do Salgueiro”, um livro muito interessante de Jean-Yves Leloup, que nos traz conceitos das Artes Marciais e Budo de uma maneira bem leve e fácil.

Boa Semana a todos.

Oss.

Baseado em artigos de Budo.

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