Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 25 de julho de 2010

O Tanden

A denominação de Tanden, Datien ou Tan t'ien (Mar de Energia), que é proveniente da cultura chinesa, é o nome dado aos principais centros de energia localizados no eixo mediano, no interior de nosso corpo, e que se abrem para o exterior.

 Na tradição taoista, o feto humano quando está no útero recebe um tipo especial de Ki (energia) através do cordão umbilical, que se distribui pelos oito "vasos maravilhosos" e pelos doze meridianos, com seus órgãos e vísceras acoplados. 

Quando o Tanden está repleto a energia transborda e circula, quando está vazio temos os distúrbios de falta ou vazio. Além disto, podemos ter a energia estagnada devido a obstrução de um vaso ou meridiano; o que pode levar aos distúrbios de excesso. 

À partir destes eventos, poderemos ter disfunções e sindromes que podem levar à disturbios emocionais, mentais e físicos , principalmente na idade avançada.


Na cultura japonesa, encontramos um sistema que é composto de 3 Tanden ou centros principais de energia. Sua classificação é de acordo com a localização anatômica:

1)Superior- localizado atrás do ponto médio da fronte, entre as sobrancelhas, a nivel de hipófise e pineal. Denominado Jo(dan) Tanden ou Kami Tanden;


2)Médio- localizado no tórax, na região entre timo e coração. Denominado Chu(dan) Tanden ou Naka Tanden;


3)Inferior-localizado 2 a 3 dedon abaixo do umbigo. Tem muitas denominações: Ge(dan) Tanden, Shimo Tanden, Seika no Tanden, Kikai (Mar de Energia), Seika no Itteh (Ponto Um), Hara no Tanden ou simplesmente Hara (abdomen ou barriga).


No Shin'ei Taido não usamos sómente a enrgia do Hara ou Shimo Tanden mas desenvolvemos os estudos para a utilização do Naka Tanden , que nos leva ao Kami Tanden: integração do físico com o espiritual, diferindo de outras práticas. 

Muitas práticas visam o desenvolvimento do Hara de Kangaeru ( pensar com o Hara) e Hara de Yaru ( agir à partir do Hara para unificação mente, corpo e espirito). Nosso estudo e prática visam a abertura, equilibrio e harmonização de todos os centros energéticos, por isso não é apenas uma prática física. Além do estudos de Shoden, o estudo de Okuden se faz necessário.

Boa Semana a todos.

Oss.


Este artigo é baseado no Tao Te King(Lao Tsé); Nei Tching ( O Livro do Imperador Amarelo); The Golden Future (Osho); Respiração Oriental (Takashi Nakamura); Os Chakras (Leadbeater) artigos de Medicina Marma, Ayurvédica e Chinesa; artigos de William Gleason; artigos de Reiki (de Yamaguchi Sensei, Takata Sensei e Hayashi Sensei); aulas de De Carli Sensei.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Irimi e Tenkan


Irimi significa entrar no corpo, avançando em direção ao outro em uma linha reta, sem tentar se esquivar de nada. 

Muitas vezes considerado agressivo, este chega a ser considerado um atemi no movimento; às vezes designado como Irimi Atemi. A realização perfeita de Irimi precisa da incorporação de outros elementos já vistos como Maai, Mushin e Deai ( o instante preciso), que anula o ataque de uke.

 Gradualmente na prática constante, o Irimi se torna mais preciso, forte e extremamente eficaz; por isso devemos ter cuidado com o nosso uke, para protegê-lo. No iniciante, vemos uma tendência a desviar o Hara para trás, demonstrando que a mente não está vazia e que ainda não acredita não técnica. 

Progressivamente, o movimento de entrada se torna harmônico, sem desvios. Irimi é observado nos duelos de katana, onde os dois adversários geralmente avançam. Existe na tradição a figura do duelo de dois samurais numa ponte feita de um tronco de arvore roliço. Não há como desviar, pois cairá.

Já Tenkan,seria a resposta mais natural à uma entrada ou ataque,segundo alguns autores, quando perdemos o timing de Irimi. Composto dos caracteres girar e substituir, nos dá a noção de mudança de sentido, mas novamente devemos ter a noção de Maai, Mushin e Deai. Se girarmos em Tenkan afastados do corpo de uke, este contra-atacará. Devemos estar, como em Irimi, bem próximos do corpo de uke, sem dar chance de resposta. 

Observamos nos treinos, que todo iniciante incorpora facilmente Tenkan, e quando se confunde com outra técnica que esteja realizando, executa automaticamente esta, com bons resultados.

Bons treinos.

Oss.

Baseado em vários artigos de Aikibudo, Shinwa Taido, Shin’ei Taido, Aikido e Budo.

domingo, 4 de julho de 2010

O Zen e A Prática






















Durante nossos treinos, já foi comentado por muitos a dificuldade em aplicar os conceitos do Zen na nossa prática; o que é muito comum no iniciante e em todos que vivemos numa sociedade mental. 


Reproduzirei parte da exposição postada por Swami Sambodh Naseeb, muita clara e pertinente a todos os praticantes de Shin’ei Taido e outras Artes Marciais.

“O segundo Caminho é estar total com tudo presente. Quando estiver abraçando, esqueça de você mesmo e deixe apenas o braço existir. Quando estiver caminhando, esqueça de si e deixe o caminhar existir. 

Quando um pensamento surgir, note que você e o pensamento são UM. Não existe você pensando o pensamento. O pensamento está acontecendo espontaneamente. 

Tudo está acontecendo espontaneamente. Tanto o esforço quanto o não-esforço. O segundo caminho é notar como isso acontece e permitir isso. 

Entregar-se para isso. Ser UM com todo pensamento, sentimento e ação que surgem da consciência. Dessa forma o ego entra em colapso.”

Boa prática.

Oss.

Artigo baseado no post “Dois Caminho ao Ser”de dois de julho de 2010, do blog Bio-Zen, de Swami Naseeb Sambodh

O Zen e o Bushido










































O Zen ingressou no Japão no século doze pelo Mestre Eisai (1141-1215), tendo grande popularidade entre a classe dos Bushi (1), sendo Samurai a casta nobre.

Como os Bushi se esmeravam pelo aperfeiçoamento pessoal, vêem no Zen a possibilidade de aprimoramento na parte espiritual e da mente, onde a morte nada mais é do que a continuação da vida. Nem por isso, a vida não devia ser subvalorizada nem desprezada.

Vemos o nascimento do “Zen do Bushi”, que acabou influenciando o Bushido (2), já que os guerreiros japoneses não gostavam dos contos chineses e a cultura Zen desenvolvia koans (3) e contos decorrentes da vida Samurai.

O espírito do Zen é muito bem demonstrado por Kimura Kyuho Shihan, mestre de Kenjutsu, por volta do século dezoito, quando diz:

“O verdadeiro Samurai evita discussões, disputas e brigas, pois isto significa a morte de alguém. Como podemos matar à um semelhante, espelho de si mesmo? Nossa essência é amarmos uns aos outros, nunca matar... A katana é um instrumento infausto ( de dois sentidos e/ou gumes) (4), algumas vezes tira a vida, outra vezes concede a vida.”

Na prática Zen o ato é apenas ele mesmo, sendo total o seu engajamento na prática pelos Bushi. Como dizia Mestre Yunmen:

“Se você caminhar, apenas caminhe; se você sentar, apenas sente-se. Mas não vacile.”

Por isso, não copie ou imite modelos, apenas seja. Se treinar, só treine (seja); se trabalhar, apenas trabalhe (seja). Não vacile (não deixe a mente comandar).

Boa Semana a todos.

Oss.


(1) guerreiros (2) Caminho do Guerreiro (3) pequenos contos, em frases curtas, com o intuito de enganar a mente, a interpretação é única para cada pessoa. (4) este é o sentido que nos fala Inoue Sensei em sua entrevista, já postada.
Baseado em artigos de livros de Zen como Zen- Palavra Básica, Zen e Ma Tzu de Osho entre outros.

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