Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mente Vazia nas Artes Marciais

Este é mais um estágio nos treinamentos marciais, que exige muita disciplina por parte do praticante e parece ser muito paradoxal.

Como explicar um estágio além da mente?
Mushin significa “não –mente” , um estado mental muito treinado pelos artistas marciais, principalmente quando estes entram em combate.

É uma abreviação de mushin no shin , o estado da “ mente sem mente”.

Chega-se a este estágio de consciencia quando o praticante não sente emoções (medo, raiva, ausência de ego) durante o treino ou embate.

Desta maneira nage está livre para agir e interagir com o uke.
Mente-corpo-katana-uke é tudo fluxo. A katana faz parte de nague, a mente em nada foca.
Tudo vazio com o fluxo preenchendo tudo.
Nague, Uke e o Universo são um, são o fluxo.

Este é um conceito que só pode ser experimentado, saindo da mente.
A prática sincera e aplicada, sem ambições de maestria nos ajudará a chegar neste estágio.  É quando passamos a esquecer a técnica, ela já foi incorporada, então a mente já não se faz necessária.

A prática das técnicas é simplesmente manifestar nosso estado natural, trazendo nossa verdadeira natureza à superfície.
O estágio de não-mente é nossa perfeição inata, não podendo ser ensinada,só pode ser descoberto dentro de nós mesmos. É necessário a participação sincera do praticante assim como a orientação de um professor ou mestre que já incorporou o principio.

Não pode ser qualquer professor ou linha de conduta, sem a prática sincera e genuína, nosso potencial jamais se concretiza e o processo parece infindável.
A nossa mente tem que estar sempre como a de um iniciante: todo o dia como novo, tudo como pela primeira vez e aberta a tudo.

Chegamos o paradoxo da “concentração relaxada”(Zanshin); relaxado mas não relapso- atento mas não tenso –postura perfeita mas não orgulhoso .
Embora esteja dentro de nosso ser, nem sempre está pronto, logo a prática constante se torna necessária.

O estudante que aprende a técnica com muita pressa em relação aos outros quase sempre não alcança o profundo significado nela existente.
Quem não suporta as correções, não faz reflexão e não prática com virtude irá progredir lentamente.
Quem descobre e corrige os próprios erros progredirá rápida e profundamente.

O Monge Zen-Budista Yo Ho Ryo Kei – alega que não deveria haver quem corre (praticante) apenas a corrida (prática).
O praticante deve se ater essencialmente à respiração e ir em frente, sempre em frente, sem almejar nada, não se preocupando com os vizinhos, com os amigos, inimigos, até que, em determinado momento, todos desaparecem.
A corrida (prática) só se faz quando quem corre, já abandonou a corrida (quando a técnica deixa de ser pensada) e já não está presente mas, no entanto, não está ausente.

Ou seja, postura correta, atitude correta e respiração correta já foram incorporadas à seu corpo na execução da técnica; isso agora já faz parte do seu ser.

Amplie a todo instante o contato com sua respiração, mantenha atenção absoluta a tudo sem, no entanto, se envolver com nada, lide com a noção de unidade com todos os acontecimentos sem se apegar a nada.
Pratique, respire. Apenas isso.

Oss.

Baseado em vários textos Zen e nos livros "Os Fundamentos Espirituais do Aikido"e "Segredos do Budo".

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